Andrew D. Bernstein/ NBAE
Andrew D. Bernstein/ NBAE

Temporada 2020-2021 da NBA vê aumento da representatividade do Brasil nos bastidores

Leandrinho estreia como auxiliar do Golden State Warriors e reforça legião de brasileiros que trabalham nas franquias da liga americana

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 05h00

O convite do técnico Steve Kerr para trabalhar na comissão do Golden State Warriors fez Leandrinho se aposentar do basquete aos 38 anos. A escolha do agora ex-jogador reforça o aumento da representatividade do Brasil nos bastidores das franquias. A temporada 2020-2021 da NBA que começa nesta terça-feira, 22, com transmissões televisivas da Band e canais ESPN e SporTV e por streaming no NBA League Pass, tem mais brasileiros fora do que dentro de quadra.

Campeão da NBA pelos Warriors em 2014-15 e com passagem por outras quatro equipes da NBA, o ex-armador assumiu a função de preparador mental de jogadores. Ex-companheiro de seleção brasileira de Leandrinho, Tiago Splitter, que também tem um título da liga americana no currículo pelo San Antonio Spurs, vai para sua segunda temporada como treinador assistente para desenvolvimento de jogadores do Brooklyn Nets.

A legião de brasileiros conta ainda com Fernando Nandes, técnico especialista em neurociência do movimento do Utah Jazz, Felipe Eichenberger, preparador físico do Denver Nuggets, e Claus Souza, assistente de preparação física também na franquia do Colorado.

"Vejo como um aspecto muito positivo. Acho que esse crescimento de brasileiros nos últimos anos irá abrir muitas portas para profissionais do País e do mundo inteiro", afirmou Felipe Eichenberger ao Estadão.

Na temporada passada, Felipe Eichenberger foi bastante elogiado pelo trabalho realizado com Nikola Jokic. O pivô aproveitou o período de paralisação por causa da pandemia para seguir um programa para perder peso - cortou 13 kg - e ganhar massa muscular. O resultado foi positivo e sentido na prática nos playoffs, quando o jogador teve ótimo desempenho pelo Denver Nuggets, caindo apenas para o campeão Los Angeles Lakers na final da Conferência Oeste.

Natural de Ribeirão Preto, Felipe Eichenberger foi para os Estados Unidos para estudar e jogar pela Universidade de Oklahoma. Após se formar e com muita insistência entrou na NBA. "Tudo começou como um sonho muito distante para mim, mas hoje estou indo para a minha décima temporada e ainda não caiu a ficha", afirmou o preparador físico.

Em quadra, o Brasil terá apenas três representantes, um a menos em relação ao início da temporada passada. O veterano pivô Nenê está fora da liga desde fevereiro deste ano, quando foi trocado pelo Houston Rockets com o Atlanta Hawks e dispensado na sequência.

Bruno Caboclo (Houston Rockets), Cristiano Felício (Chicago Bulls) e Raulzinho Neto (Washington Wizards) serão os representantes brasileiros. Dos três, apenas o último está de casa nova. Após defender o Philadelphia 76ers, o armador, que antes atuou quatro temporadas pelo Utah Jazz, se tornou agente livre e acertou contrato com o time da capital americana.

"É sempre positivo estar em uma nova equipe. Você conhece um estilo diferente de jogar, uma cidade diferente, atua com jogadores diferentes. O Washington me deu a oportunidade de jogar mais um ano na liga. Vou jogar com (Russell) Westbrook e Bradley Beal, que são duas estrelas da NBA há algum tempo, vou tentar aprender ao máximo e desfrutar", afirmou Raulzinho, de 28 anos, que também quer passar um pouco de sua experiência para os atletas mais jovens da franquia. "É ótimo compartilhar este momento com eles, que gostam de escutar. A expectativa é ter uma temporada muito legal com os Wizards."

Já Cristiano Felício aposta na chegada de uma nova comissão técnica para o Chicago Bulls tentar surpreender. Após terminar na 11ª colocação da Conferência Leste, com 22 vitórias e 43 derrotas, a franquia decidiu apostar em Billy Donovan, ex-Oklahoma City Thunder. "Não fizemos muitas contratações, mas sabemos do potencial da equipe, já nos conhecemos bem. A chegada de uma comissão técnica nova dá muito ânimo para todo mundo porque são nomes de respeito na liga. O Billy Donovan fez com que os jogadores lá no Oklahoma sempre jogassem ao seu máximo e superassem expectativas. A gente espera que possa fazer uma temporada assim aqui, ir bem, chegar aos playoffs e lá fazer barulho."

A temporada de Bruno Caboclo no Houston Rockets será de confirmação. O ala teve o contrato renovado mesmo sem ter se destacado tanto pela franquia após desembarcar no Texas ao ser trocado pelo Memphis Grizzlies. Foram apenas oito jogos, com médias de 3,5 pontos e dois rebotes em 6,5 minutos em quadra. O brasileiro teve um desempenho satisfatório nos jogos de preparação.

Sem bolha, protocolos rígidos

Diferentemente da temporada passada, a NBA abriu mão da 'bolha', que foi considerada um sucesso para evitar a contaminação pela covid-19. Os jogos serão nos respectivos ginásios das equipes e alguns até com público - o Orlando Magic vai receber até 4 mil pessoas no Amway Center. Para isso, a liga elaborou um rígido protocolo, inclusive com punições preestabelecidas para quem descumpri-lo.

As medidas de saúde e segurança foram enviadas às franquias no fim de novembro. O documento tem 158 páginas e diversas regras semelhantes às que foram colocadas em prática em Orlando, na Flórida, na retomada da temporada em julho, após um período de quatro meses de paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus.  

O documento é bem detalhado desde o que é necessário ser feito se alguém da franquia testar positivo, passando pelas viagens das equipes e o comportamento dos atletas - estão todos proibidos de participar de reuniões sociais que excedam 15 pessoas. Outro exemplo: os times só podem levar 45 pessoas para os jogos fora de casa, sendo 17 jogadores, e não podem sequer ir na loja dos hotéis.

Assim como aconteceu na 'bolha' um disque-denúncia foi criado para que a liga receba informações sobre quebra de protocolo. As violações podem resultar em multas, suspensões, ajustes salariais, perda de escolhas de Draft e até perda do jogo, desde que fique comprovado que isso causou disseminação da doença. Jogadores que individualmente violem o protocolo podem passar por quarentena compulsória e até redução do salário.

Em quadra, o favorito é o atual campeão Los Angeles Lakers. A equipe da Califórnia que já era muito forte sendo liderada pela dupla LeBron James e Anthony Davis se reforçou ainda mais, com Dennis Schroder, Montrezl Harrell, Wesley Matthews e Marc Gasol. Milwaukee Bucks, Los Angeles Clippers, Miami Heat e Brooklyn Nets são os times em condições de surpreender.

A rodada de abertura terá o clássico de Los Angeles, entre Lakers e Clippers, e o confronto entre Golden State Warriors e Brooklyn Nets.

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