Divulgação/NBA
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Uma prévia das finais da NBA: o favorito Lakers contra a surpresa Heat

Confira três coisas para ficar de olho na grande decisão que começa nesta quarta-feira

Scott Cacciola, The New York Times 

30 de setembro de 2020 | 16h00

O Miami Heat, que tinha uma mínima esperança de título no início da temporada, já superou as expectativas. O Los Angeles Lakers ainda está tentando cumprir as suas. Quase um ano depois do começo da temporada 2019-20, só restam as duas equipes. E as finais da NBA, que começam quarta-feira à noite dentro da bolha da liga no Walt Disney World, perto de Orlando, Flórida, prometem apresentar uma mistura de estilos na disputa entre o Heat e o Lakers pelo título.

O Lakers, depois de se reforçar com Anthony Davis há mais de um ano, entra nos playoffs como cabeça-de-chave da Conferência Oeste. O Heat, classificado em quinto lugar na Conferência Leste, surgiu como uma surpresa ao fazer sua primeira aparição em finais desde 2014 – quando contava com LeBron James.

Na terça-feira, James refletiu sobre as quatro temporadas que passou no Heat, equipe em que ingressou em 2010, quando tinha 25 anos, e que ajudou a levantar duas taças. “Eu ainda era um moleque, ainda estava tentando descobrir quem eu era como pessoa e como homem”, disse ele. “Eu cresci e eles me deram espaço para crescer”.

Veja três coisas para ficar de olho na final da NBA

1. A defesa dos armadores

Considerando o rápido avanço do Lakers até a final – eles precisaram de apenas cinco jogos para eliminar cada um dos três primeiros oponentes nos playoffs – fica fácil ignorar o fato de que eles não estão contando com seu melhor defensor: Avery Bradley optou por não reiniciar a temporada em julho por causa de preocupações com a família.

“Ninguém fala nada sobre isso, e fico feliz que não falem, mas que outro time poderia perder seu ala-armador?”, perguntou o Jared Dudley, do Lakers. “Nosso melhor defensor? Mas ainda estamos aqui. Ninguém está dando desculpas: ‘Ei, o próximo levanta do banco e vamos nessa’”.

Sem Bradley, os Lakers precisaram de um esforço coletivo nas finais da conferência para deter Jamal Murray, o estonteante armador do Denver Nuggets. Em cinco jogos, Murray fez uma média de 25 pontos e 7,4 assistências em 51,8% dos arremessos. Ele era uma preocupação tão grande para os Lakers que James pediu para marcá-lo no jogo 5.

Assim como os Nuggets, o Heat tem alas e armadores que marcam muitos pontos. Em sua primeira temporada com o time, Jimmy Butler encontrou um esquema que se encaixou perfeitamente com seu tipo de jogo. Goran Dragic, de 34 anos, parece ter acesso à mesma máquina do tempo que James, de 35 anos, está usando. E Tyler Herro, 20 anos, proporcionou minutos cruciais para o Miami quando saiu do banco.

“Você nunca sabe quem vai ser decisivo numa determinada noite porque você não pode depender de um único cara”, disse Butler. “Nós temos muita confiança um no outro”. O Lakers conseguiu compensar a ausência de Bradley. E o Heat quer levar esse experimento até o limite. 

2. Experiência em ambos os lados

Falando em máquinas do tempo, o que dizer de Andre Iguodala? Depois de cinco aparições consecutivas nas finais com o Golden State Warriors, ele está de volta – desta vez com o Heat, onde chegou vindo do Memphis Grizzlies depois de uma troca de meio de temporada. 

Iguodala, de 36 anos, recuperou a forma quando o Heat eliminou os Celtics nas finais da conferência, marcando 15 pontos ao converter 5 de 5 arremessos de 3 pontos no jogo 6. E ele estará no bando de defensores responsáveis por James.

James está de volta às finais da NBA pela nona vez em dez temporadas e está determinado a ganhar seu quarto título – e o primeiro com os Lakers, que não vence há dez anos. Aos 35, ele não passou três meses na bolha para voltar para casa de mãos vazias.

“Provavelmente foi a coisa mais desafiadora que já fiz como profissional, no que diz respeito a me comprometer com uma coisa e ir até o fim”, disse James. “Mas, quando estava vindo para cá, eu sabia para que estávamos vindo”. James deu provas de seu ímpeto contra os Nuggets, com média de 27 pontos, 10,4 rebotes e 9 assistências.

“Ele ainda está com tudo”, disse Butler. “Ainda está dominando. Quer dizer, você tinha que passar por ele aos 26, tem que passar agora aos 35 e provavelmente vai ter que passar aos 49. Mas ele está mostrando por que é o tipo de jogador que é, por que teve a carreira que teve e por que está construindo esse legado. Não vai ser uma tarefa fácil nos próximos jogos”.

O Heat tem vários alas que podem enfrentar James – entre eles Butler e Jae Crowder, um ala-pivô incluído na troca com o Grizzlies. Mas Iguodala está mais familiarizado com James do que a maioria, pois o enfrentou várias vezes como defensor do Warriors.

“Você tem que anular os pontos fortes do cara”, disse Iguodala quando questionado sobre como marcar James. “Ele tem muitos pontos fortes, então você tem que usar muita estratégia”.

Há também uma boa chance de o Heat jogar com uma marcação por zona contra os Lakers, que tem sido uma das piores equipes dos playoffs no quesito arremesso de 3 pontos, com 35,5% de aproveitamento.

3. Crescer no jogo ou voltar para casa?

Frank Vogel, técnico do Lakers, encontrou alguma flexibilidade na linha de frente com seu elenco. Nas semifinais da conferência, ele optou por jogadores mais baixos e mais rápidos contra o Houston Rockets. Contra o Denver, já nas finais da conferência, preferiu jogadores maiores e trouxe Dwight Howard para o time titular, que foi eficaz em sua disputa contra Nikola Jokic.

Bam Adebayo, o pivô All-Star do Miami, é outro desafio defensivo: grande, forte e ágil. Na vitória do Heat sobre os Celtics, ele fez 32 pontos e pegou 14 rebotes. Vogel indicou que poderia haver outra oportunidade para Howard, um All-Star por oito vezes que ressuscitou sua carreira como jogador com os Lakers. / Tradução de Renato Prelorentzou.

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