Joe Skipper/Reuters - 24/01/2012
Joe Skipper/Reuters - 24/01/2012

Varejão, depois de 9 temporadas na NBA, mostra qualidades ofensivas

Pivô vai para o ataque e mostra competência nos arremates

Alessandro Lucchetti, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 11h45

SÃO PAULO - Na vasta cabeleira de Anderson Varejão ainda não se nota nenhum fio branco. Mas "O Selvagem", apelido que o capixaba ganhou em Cleveland, já não é mais um garoto. Aos 30 anos, vivencia sua nona temporada na NBA. A experiência acumulada rende frutos. O início é impressionante - registra médias de 15,9 pontos e de 13,7 rebotes ao longo dos sete primeiros jogos.

Algumas apresentações estarrecem os espectadores - contra o Brooklyn Nets, na última terça-feira, anotou 35 pontos. Em sua estreia na temporada, apanhou 23 rebotes. O próprio Varejão admite que está assustado com os números. "Estou surpreso. Os números este ano estão completamente diferentes", confidencia, com modéstia, por telefone.

O pivô diz que não fez nada especial antes do início da pré-temporada. Alguns jogadores recorrem a ex-atletas, como Hakeem Olajuwon, que ministram clínicas voltadas ao aperfeiçoamento de fundamentos. Como faz todos os anos, Anderson treinou com um ex-colega dos tempos do clube Saldanha da Gama, que hoje é personal trainer. "Nem posso fazer um trabalho muito pesado, caso contrário poderia me apresentar cansado".

Sua energia e a característica de "explodir" em quadra sensibilizam os torcedores, que não se cansam de elogiar sua capacidade de entrega e voluntarismo para marcar e apanhar rebotes. O Anderson grande marcador já havia aparecido em temporadas anteriores. Mas o novo Varejão oferece grande contribuição ofensiva. Quanto a esse aspecto, o cabeludo divide os méritos com o treinador Byron Scott.

"Durante a pré-temporada, ele deixou um envelope na cadeira de cada atleta. No meu estava escrito para eu ser agressivo e arremessar mais. Agora tenho a bola nas minhas mãos para decidir um pouco mais, e estou aproveitando."

Anderson explica que sempre teve carta branca para atacar, mas faltava o desprendimento para isso. Quando a equipe dispunha de LeBron James, o craque obviamente era responsável pelo maior volume de ataque. E, mesmo em outras equipes das quais fez parte, o capixaba aguardava ganhar status suficiente para poder ser incumbido da finalização. "Quando cheguei ao Barcelona, eu me deparei com jogadores como Bodiroga e Navarro. Você, quando é novo, não pode pegar a bola na mão e ir para a cesta quando quiser".

Mas o tempo foi passando e Anderson deixou de ser novo. Na verdade, hoje é o segundo mais velho do elenco dos Cavs, atrás apenas de Luke Walton, que está na décima temporada na NBA e tem 32 anos.    

A experiência acumulada já faz diferença, na opinião do brasileiro. "Quando eu era novo, não acreditava que experiência fazia diferença. Achava que basquete é basquete, e que tanto os jovens como os mais velhos precisavam se esforçar. Com luta, não importando a idade, qualquer um ficaria mais perto da vitória. Agora vejo que é verdade. A leitura do jogo melhora com o tempo. Sei economizar energia para utilizá-la nos momentos-chave." Além disso, as movimentações em quadra já estão automatizadas e são executadas sem que seja necessário raciocinar, segundo ele.

Anderson vive o auge da carreira e um senhor de 72 anos, Hélio Rubens, vibra ao ver seus jogos pela TV. O hoje técnico do Uberlândia lembra que o garoto chegou a Franca, aos 16 anos, para fazer companhia ao irmão Sandro, então pivô da equipe dos "sapateiros", como é conhecida no meio do basquete. Em 98, o garoto, magro e frágil, recebeu o apelido de "Sabiá". "O Sandro achou que Franca seria um bom lugar para o Anderson aprender. Ele sempre teve um espírito alegre, era educado e obediente. Foi um prazer lhe passar os fundamentos, e ele aprendeu bem rápido."

Tão rápido que, em 2001, Rubens convocou o irmão de Sandro, aos 19 anos, para defender a seleção brasileira nos Goodwill Games, os Jogos da Boa Vontade, em Brisbane, na Austrália. Ao seu lado jogava um certo Maybyner, o nome pelo qual era chamado Nenê, egresso do Vasco Barueri.

Boa vontade, aliás, é um dos traços do caráter do ex-Sabiá que sempre encantaram Rubens. "Normalmente o jogador fica num lugar da quadra e, se a bola cair por perto, ele vai lá e pega. O Anderson vai atrás do rebote, com velocidade e seu corpo privilegiado, leve e com braços longos". A bem da verdade, o apelido de Sabiá caberia até hoje, tal a facilidade demonstrada pelo capixaba de voar rumo às bolas.  

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