Divulgação/CBB
Anderson Varejão recebe o carinho dos torcedores chineses antes da estreia da seleção Divulgação/CBB

Varejão: 'Hoje somos um time que ataca e defende com mais eficiência'

Pivô da seleção masculina de basquete destaca trabalho de Petrovic às vésperas da estreia no Mundial da China

Marcius Azevedo, Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 04h30

Aos 36 anos, quase 37, Anderson Varejão é o líder da seleção brasileira masculina de basquete que estreia no Mundial da China neste domingo, às 5h (horário de Brasília), diante da Nova Zelândia, em Nanquim, com transmissão do SporTV2. A competição dá vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Apesar de admitir que não será tarefa fácil ficar entre os dois melhores das Américas para se classificar, o pivô, em entrevista ao Estado, vê o Brasil mais confiável sob o comando do técnico croata Aleksandar Petrovic.

Além da seleção neozelandesa, na estreia pelo Grupo F, os brasileiros enfrentam Grécia, na terça-feira, dia 3 de setembro, às 9h, e Montenegro, na quinta-feira, dia 5, às 5h, ambos com transmissão do SporTV2. Apenas os dois primeiros avançam à segunda fase da competição que conta 32 seleções, divididas em oito grupos. 

Após quase dois anos de trabalho de Aleksandar Petrovic, como o Brasil chega para  disputar o Mundial da China?

A evolução, o padrão de jogo da seleção fala pelo trabalho que está sendo feito pelo Petrovic. Ele é um técnico detalhista, conhece muito de basquete e conquistou o grupo com diálogo, com o seu perfeccionismo e tirando o melhor de cada um. Ele vem de uma escola de basquete de excelência e conseguiu montar uma base forte, mesclando juventude e experiência, lapidando o time, implantando um estilo de jogo que não tirou as principais características do basquete brasileiro. Melhoramos muito o jogo coletivo, as Eliminatórias foram importantes para isso, e hoje somos um time que ataca e defende com mais eficiência, o grupo ganhou corpo e equilíbrio. 

A preparação com vitórias significativas serviu para aumentar o nível de confiança da seleção?

Fizemos uma preparação muito boa, com cinco semanas e enfrentando adversários de vários estilos. As vitórias foram importantes para dar moral para o grupo, entender qual o nível que estamos jogando, ter uma comparação com seleções importantes. As vitórias foram boas, em um momento em que não conta muito, mas foram boas. Também tivemos uma boa atuação diante da França, perdemos no final e mostrou que temos de fazer alguns ajustes, como por exemplo manter o foco durante os 40 minutos para evitar surpresas. Chegamos bem (para o Mundial), jogando bem, muito preparados.

Qual o tamanho do desafio para se classificar para os Jogos de Tóquio?

É difícil, sabemos disso. Mas chegamos forte, jogando bem, jogando um pelo outro e todo mundo sabendo qual é o seu papel para somar forças e alcançar esta vaga.   

Quais serão os principais adversários? Como fazer para parar o Antetokounmpo?

São os primeiros. Temos de pensar em Nova Zelândia, Grécia e Montenegro. Tem de ser uma coisa de cada vez, focar nestes adversários para conseguir passar do grupo. Sobre o Antetokounmpo, ele é o MVP da NBA, está em um excelente momento na carreira, mas temos de fazer o nosso dever de casa, ver o que podemos fazer para diminuir o volume dele. É muito difícil pará-lo, mas podemos diminuir sua participação.   

Após o Rio-2016, alguns jogadores como Nenê, Splitter e Guilherme Giovannoni se aposentaram da seleção. Você, Leandrinho, Huertas, Marquinhos e Alex seguiram com o grupo. Como vê a permanência de jogadores experientes em mais um ciclo olímpico?

A gente sabe que os anos de experiência na seleção e nos clubes, NBA, Europa, Brasil, são importantes para este grupo, que tem uma mescla grande de jovens e jogadores experientes. E isso acaba sendo importante na renovação da seleção. O mais importante é que está todo mundo fechado, focado no que precisa fazer e com o mesmo objetivo.  

Jogadores como Didi e Yago podem sentir o peso de disputar um torneio tão importante pela seleção pela primeira vez?

São jovens, com pouca experiência, estão aparecendo agora no cenário nacional e internacional, mas o importante é eles se prepararem da melhor maneira possível porque isso pode fazer diferença, suprir esta falta de experiência. Tudo isso é normal, nós, mais experientes, já passamos por isso. E procuramos passar para eles o que vivemos quando for necessário. 

Como vê o retorno do Caboclo à seleção após o episódio de indisciplina na Copa América? Vê se ele mais maduro neste momento tanto dentro quanto fora de quadra?

Ele está muito focado, entra um pouco neste grupo do Yago e do Didi, sem tanta experiência ainda. Ele sabe disso, vem trabalhando, se preparando para chegar no Mundial e nos ajudar da melhor maneira possível. O grupo está fechado, sempre um ajudando o outro, dando um toque aqui outro ali, para não termos surpresas no Mundial.

Como vê o fato de os EUA não irem com força máxima?

Muito se fala sobre isso, mas, se você olhar o time dos Estados Unidos, eles ainda são favoritos. São jogadores jovens, com alguns anos de NBA, mas com um potencial muito grande e não tem como desrespeitar os caras. Eles vão também com uma comissão muito competente. São favoritos sempre.   

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Mundial de basquete sofre com desfalques e vê Estados Unidos ameaçados

Seleção americana ainda é favorita para o torneio que começa na madrugada deste sábado, mas não terá os seus principais jogadores em quadra

Marcius Azevedo, Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 04h30

O mercado agitado de transferências da NBA causou impacto diretamente na disputa do Mundial de Basquete. Sem um grande favorito ao título por conta do desmanche do Golden State Warriors, alguns dos principais nomes da modalidade pediram dispensa para treinar com os novos companheiros e se preparar para a temporada 2019/2020 e vão desfalcar suas seleções na competição.

Os Estados Unidos sentirão mais. Estrelas como Stephen Curry e LeBron James avisaram com antecedência que não estariam no Mundial. Mas, com o passar dos dias, vários atletas da pré-lista de 35 nomes para o ciclo Tóquio-2020 abriram mão do torneio. Draymond Green, Kawhi Leonard, Russell Westbrook, Paul George, Damian Lillard e DeMar DeRozan foram alguns dos astros que abdicaram da convocação. Até mesmo os menos badalados Julius Randle e Landry Shamet declinaram da participação. Sobraram como principais nomes Donovan Mitchell (Utah Jazz) e a dupla do Boston Celtics Jayson Tatum e Kemba Walker.

Mesmo sem estrelas, o treinador Gregg Popovich não deve aliviar para seus comandados em sua primeira competição oficial pelos EUA. Conhecido por seu temperamento forte, o cinco vezes campeão da NBA com o San Antonio Spurs era o auxiliar de Mike Krzyzewski, tricampeão olímpico (2008, 2012 e 2016) e bi Mundial em 2010 e 2014.

Uma das primeiras medidas de Popovich na seleção foi acabar com o uso de celulares nos jantares: "Sabemos que no esporte, quando as pessoas se importam com as outras, se amam e sentem empatia, as coisas funcionam melhor. Não nos conhecemos na seleção como nos clubes, é um processo lento, mas tentamos nos familiarizar a cada dia. Vamos para o jantar sem celular e as pessoas realmente conversam, fazem perguntas sobre como cada um cresceu, esse tipo de coisa", disse.

Nem mesmo a Austrália, rival que durante a fase de preparação derrotou os EUA por 98 a 94 e tirou uma invencibilidade de 13 anos (66 jogos) da equipe americana terá seu principal astro. Ben Simmons (Philadelphia 76ers) foi outro que optou por focar na NBA. "Era melhor usar o tempo em setembro para voltar para a Filadélfia para me familiarizar com meus novos companheiros de equipe e me preparar para a próxima temporada da NBA", disse o jogador em comunicado.

O time do Canadá será outro que vai sofrer com desfalques. Poucos dias após acertar uma renovação de contrato no valor de US$ 170 milhões (R$ 700 milhões) com o Denver Nuggets, Jamal Murray sofreu uma lesão no tornozelo e foi cortado. Além dele, outros seis atletas da NBA também serão baixas para o técnico Nick Nurse, atual campeão da NBA com o Toronto Raptors: Tristan Thompson (Cleveland Cavaliers), Shai Gilgeous-Alexander (Oklahoma City Thunder), Brandon Clarke (Memphis Grizzlies), Dwight Powell (Dallas Mavericks) e Andrew Wiggins (Minnesota Timberwolves).

ASTROS PARA ACOMPANHAR

Logo na fase de grupos a seleção brasileira terá pela frente uma das maiores estrelas do Mundial, o grego Giannis Antetokounmpo. Eleito melhor jogador da última temporada da NBA, o ala do Milwaukee Bucks está acompanhado de seu irmão, Thanasis. O membro mais novo da família, Kostas, também estava na relação para o torneio, mas acabou cortado.

Liderando a lista de favoritos ao título da própria Federação Internacional de Basquete, a Sérvia conta com duas grandes estrelas. Nikola Jokic, pivô do Denver Nuggets conhecido por sua capacidade de também conseguir armar jogadas, e o carrasco brasileiro na Olimpíada da 2016, Bogdan Bogdanovic, do Sacramento Kings. O armador Milos Teodosic, ex-Los Angeles Clippers, foi cortado por lesão.

Mesmo sem Serge Ibaka, Sergio Rodríguez, Nikola Mirotic e o lesionado Pau Gasol, a Espanha também chega forte para a disputa com os velhos conhecidos Ricky Rubio, Sergio Llull e Marc Gasol. Outra seleção que tem  grande potencial para causar dor de cabeça é a França e seu quinteto liderado por Rudy Gobert. O pivô do Utah Jazz é um dos principais defensores da liga norte-americana e pode ser um diferencial para a equipe que também conta com nomes como Nicolas Batum, Evan Fournier, Frank Ntilikina e Nando De Colo.

SISTEMA DE DISPUTA

  •  32 participantes divididos em 8 grupos de 4 seleções
  •  Os dois primeiros colocados de cada grupo se classificam para a segunda fase 
  •  Os 16 times restantes serão divididos novamente em quatro chaves
  •  Novamente, os dois primeiros colocados de cada grupo avançam, desta vez para as quartas de final
  •  A partir deste momento os confrontos são eliminatórios

VAGAS PARA OS JOGOS DE TÓQUIO

  • 1 para o melhor africano
  • 1 para o melhor da Oceania
  • 1 para o melhor asiático
  • 2 para os melhores das Américas
  • 2 para melhores da Europa 

TABELA

PRIMEIRA FASE

DIA 31 DE AGOSTO (SÁBADO) - horário de Brasília

4h30 Angola x Sérvia (Grupo D)

5h00 Polônia x Venezuela (Grupo A)

5h30 Rússia x Nigéria (Grupo B)

5h30 Irã x Porto Rico (Grupo C)

8h30 Filipinas x Itália (Grupo D)

9h00 Costa do Marfim x China (Grupo A)

9h30 Argentina x Coreia do Sul (Grupo B)

9h30 Espanha x Tunísia (Grupo C)

DIA 1.º DE SETEMBRO (DOMINGO) - horário de Brasília

4h30 Canadá x Austrália (Grupo H)

5h00 Nova Zelândia x Brasil (Grupo F)

5h30 Turquia x Japão (Grupo E)

5h30 República Dominicana x Jordânia (Grupo G)

8h30 Senegal x Lituânia (Grupo H)

9h00 Grécia x Montenegro (Grupo F)

9h30 República Checa x Estados Unidos (Grupo E)

9h30 França x Alemanha (Grupo G)

DIA 2 DE SETEMBRO (SEGUNDA-FEIRA) - horário de Brasília

4h30 Itália x Angola (Grupo D)

5h00 Venezuela x Costa do Marfim (Grupo A)

5h30 Nigéria x Argentina (Grupo B)

5h30 Tunísia x Irã (Grupo C)

8h30 Sérvia x Filipinas (Grupo D)

9h00 China x Polônia (Grupo A)

9h30 Coreia do Sul x Rússia (Grupo B)

9h30 Porto Rico x Espanha (Grupo C)

DIA 3 DE SETEMBRO (TERÇA-FEIRA) - horário de Brasília

4h30 Austrália x Senegal (Grupo H)

5h00 Montenegro x Nova Zelândia (Grupo F)

5h30 Japão x República Checa (Grupo E)

5h30 Alemanha x República Dominicana (Grupo G)

8h30 Lituânia x Canadá (Grupo H)

9h00 Brasil x Grécia (Grupo F)

9h30 Estados Unidos x Turquia (Grupo E)

9h30 Jordânia x França (Grupo G)

DIA 4 DE SETEMBRO (QUARTA-FEIRA) - horário de Brasília

4h30 Angola x Filipinas (Grupo D)

5h00 Costa do Marfim x Polônia (Grupo A)

5h30 Coreia do Sul x Nigéria (Grupo B)

5h30 Porto Rico x Tunísia (Grupo C)

8h30 Itália x Sérvia (Grupo D)

9h00 Venezuela x China (Grupo A)

9h30 Rússia x Argentina (Grupo B)

9h30 Espanha x Irã (Grupo C)

DIA 5 DE SETEMBRO (QUINTA-FEIRA) - horário de Brasília

4h30 Canadá x Senegal (Grupo H)

5h00 Brasil x Montenegro (Grupo F)

5h30 Turquia x República Checa (Grupo E)

5h30 Alemanha x Jordânia (Grupo G)

8h30 Lituânia x Austrália (Grupo H)

9h00 Grécia x Nova Zelândia (Grupo F)

9h30 Estados Unidos x Japão (Grupo E)

9h30 República Dominicana x França (Grupo G)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.