Nelsinho se entrega e choca a Fórmula 1

Ex-piloto da Renault confirma em documento entregue à FIA que acidente em Cingapura foi proposital

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2009 | 07h48

O Conselho Mundial da FIA começará, no dia 21, em Paris, o julgamento da equipe Renault conhecendo já o resultado final. O veredicto e a pena começaram a ser discutidos ontem, em Monza, onde hoje se inicia a disputa do GP da Itália, 13ª etapa do campeonato, com os primeiros treinos livres. O depoimento de Nelsinho Piquet à FIA, disponibilizado na internet, ontem, caiu como uma bomba na Fórmula 1.

 

O ex-piloto da Renault confirma no documento entregue à FIA quatro dias depois de seu desligamento da escuderia - após o GP da Hungria deste ano, em 26 de julho - sua participação na vitória de Fernando Alonso, seu companheiro, em Cingapura, no ano passado, ao provocar o acidente que causou a entrada do safety car.

 

Nelsinho dá detalhes: "Estava emocionalmente muito frágil, por isso concordei em atender ao pedido de Flavio Briatore e Pat Symonds (diretores da Renault) de comprometer minha corrida para ajudar a equipe." Ele diz, porém, não ter recebido garantia de que o "desprendimento extremo" lhe renderia necessariamente a renovação do contrato. "Em nenhum instante recebi a certeza de que isso me manteria na equipe. Mas fiz porque achei que me fortaleceria no time."

 

O fato de a cada volta perguntar, pelo rádio, o número da volta da prova mostrou sua preocupação, escreve no relato, em corresponder ao que se esperava dele. Ele teria de bater o carro na 13ª ou na 14ª volta e na curva 17, em que não havia guindaste e o safety car seria, seguramente, acionado.

 

O objetivo explícito de Nelsinho parece bastante claro: destruir Briatore, diretor da Renault e seu empresário, pela dispensa depois do GP da Hungria. No documento entregue à FIA, o piloto mostra algumas passagens envolvendo o chefe. "Meu estresse todo provinha de Briatore não me responder se meu contrato seria renovado ou não para o campeonato seguinte (2009)", explica. "Ele repetidas vezes me pedia para assinar um compromisso, impedindo-me de negociar com outra equipe. Era chamado para sua sala, a fim de me pressionar, até mesmo em dias de corrida."

 

Uma vez comprovada a acusação de Nelsinho, como se acredita agora na F-1, já que a FIA não convocaria o Conselho Mundial sem evidências concretas, os responsáveis deverão ser exemplarmente punidos até para a credibilidade do evento.

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