Clube diz que vai cobrar a Odebrecht por atrasos nas obras do estádio

Descumprimento de prazos por parte da empresa impossibilitou negociação das áreas principais da Arena Corinthians

Alexa Salomão e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2015 | 16h49

Em público, o Corinthians sempre evitou entrar em rota de colisão com a Odebrecht, construtora que fez o estádio em Itaquera. No entanto, no clube é consenso de que os atrasos na obra atrapalharam, e muito, a negociação dos setores mais nobres que poderiam estar dando lucro agora e só têm rendido dor de cabeça. Na sexta-feira passada, o time externou a insatisfação e deixou claro que vai cobrar da construtora cada mão de tinta e saco de cimento que o contrato da obra previu. Postou uma nota em seu site, avisando os torcedores que o fato de a Odebrecht anunciar o fim da obra não significa o encerramento oficial dos trabalhos.

Um novo relatório de acompanhamento das obras está sendo finalizado. Já se sabe que vai mostrar que as pendências permanecem, principalmente no prédio Oeste, área mais luxuosa. E o clube avisou: "Quaisquer diferenças encontradas serão objeto de solicitação de devolução dos recursos para adequação da Obra e de seu Projeto Contratado e/ou abatimento da dívida de Construção". Procurada, a Odebrecht preferiu não comentar.

Inicialmente, o contrato, que era de preço fechado, previa a entrega da Arena por R$ 820 milhões. Os recursos não foram suficientes e o valor foi revisto para R$ 985 milhões. Inicialmente, a construtora deu a obra por encerrada em dezembro de 2014. Em julho passado, porém, vários pontos do prédio Oeste estava inacabados. "Todo o sexto andar não tinha mármore no chão – estava no cimento", diz executivo próximo aos sócios da Arena que não quer ser identificado.

A loja do Corinthians, para vender camisas e objetos do clube, foi aberta apenas na semana passada. Os dois restaurantes panorâmicos permanecem inacabados. Não tem sequer massa corrida na parede e piso.

O atraso nas obras também manchou a imagem do estádio e venda dos "naming rights" empacou por meses, mas agora parece estar perto de uma solução. O Corinthians assinou um NDA, um Termo de Confidencialidade com uma empresa para batizar a arena. Ninguém da diretoria fala em nomes, mas estima-se que a intenção seja receber R$ 20 milhões por ano pelo negócio. A carta na manga do Corinthians é que a TV Globo, na última renovação de contrato para transmissão de jogos da equipe, se comprometeu a falar o nome da empresa em suas exibições ao vivo. A Caixa, patrocinadora do time, tem prioridade por contrato para cobrir qualquer oferta da venda dos "naming rights".

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