Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Preso desde maio, Marin aceita ser extraditado aos EUA

Ex-presidente da CBF paga R$ 40 milhões de fiança por prisão domiciliar em Nova Iorque; Del Nero fica mais enfraquecido

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O ESTADO DE S.PAULO

28 de outubro de 2015 | 11h05

José Maria Marin, o ex-presidente da CBF preso em Zurique, aceita ser extraditado para os EUA. Nesta quarta-feira, o Departamento de Justiça da Suíça informou que o brasileiro fechou um acordo para simplificar o processo, depois de cinco meses preso. Ele pretende permanecer em prisão domiciliar em Nova Iorque, com uma fiança avaliada em R$ 40 milhões.

A decisão é também uma má notícia para Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF, e que também está sendo investigado pelo FBI.  O dirigente não sai há quatro meses do Brasil, temendo ser preso. Advogados consideravam que Del Nero estava aguardando uma sinalização no caso de Marin para decidir como lidaria com o cerco que se fecha contra ele.

Marin e outros seis cartolas foram detidos no dia 27 de maio na cidade suíça e à pedido da Justiça americana. Segundo o inquérito dos americanos, o brasileiro é suspeito de ter recebido propinas para a Copa do Brasil e Copa América. 

Dois sete prisioneiros, Marin é o segundo a fechar o acordo. O outro foi Jeff Webb. “Por razões de segurança e conforme as regras de proteção da privacidade, nenhum informação será dada sobre o momento em que o detento será entregue”, declararam as autoridades da Suíça. Agora, a polícia americana tem dez dias para buscar o brasileiro e leva-lo aos EUA para responder ao processo.

Segundo Berna, Marin é “suspeito de ter aceito e compartilhado com outros responsáveis o suborno em relação com os direitos de marketing para a Copa América de 2015, 2016, 2019 e 2023”.

Ele também teria “aceito e compartilhado” propinas para a Copa do Brasil de 2013 e 2022. “Seus atos afetaram financeiramente a CBF, assim como as duas associações continentais”. O ex-presidente da CBF era o último dos sete dirigentes a ser examinado e, com a decisão, a Suíça acata a todos os pedidos de extradição dos EUA. 

O brasileiro tem um apartamento em Nova Iorque e já negocia uma fiança milionária que o permitirá ficar em prisão domiciliar enquanto o julgamento ocorrer. Pelo acordo, seu imóvel seria confiscado pelos americanos, além de exigir um pagamento extra de mais US$ 7 milhões.

Nos EUA, porém, seu julgamento pode levar meses, enquanto os americanos também trabalham para que o brasileiro concorde em ajudar nas investigações. Pelo inquérito americano, uma tabela de preços de propinas foi montado pelas empresas que pagaram o suborno para ficar com o contrato. Marin teria recebido US$ 3 milhões na condição de presidente da CBF.

No caso da Copa do Brasil, gravações de conversas que ele manteve com o empresário José Hawilla apontam que ele teria pedido de parte de um suborno pago pela Traffic fosse destinado a ele. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.