Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Suíça nega recurso para liberdade condicional a dirigentes da Fifa

Recurso havia sido apresentado por uruguaio Eugenio Figueredo

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2015 | 08h00

A Justiça da Suíça fecha as portas para que os dirigentes da Fifa presos há um mês aguardem a eventual extradição aos EUA em liberdade condicional. O Tribunal Superior do país rejeitou nesta sexta-feira um recurso apresentado pelo uruguaio Eugênio Figueredo, ex-presidente da Conmebol e que no dia 27 de maio foi preso em Zurique à pedido do FBI. Ele, ao lado de José Maria Marin e outros seis dirigentes, são acusados de lavagem de dinheiro, corrupção e fraude no futebol envolvendo milhões de dólares.

Figueredo foi o único a entrar com um recurso para pedir para aguardar a extradição em liberdade. Os advogados de Marin optaram por esperar até que o pedido oficial de extradição fosse realizado pelos americanos para avaliar qual será a estratégia. A tese da defesa do brasileiro é de que, em caso de uma resposta negativa da Justiça, como acabou ocorrendo no caso de Figueredo, o acusado teria todas suas opções fechadas, até o final do processo. 

Em seu pedido, o uruguaio alegou que sua saúde era frágil, com 83 anos. Ele também prometeu entregar seu passaporte, propôs usar um bracelete eletrônico, não fugir e viver até o fim do processo na casa de amigos, na Suíça. A Justiça então enviou um médico para examiná-lo e a constatação foi de que ele está “suficientemente bem para continuar na prisão”. “O Tribunal Penal Federal rejeitou o recurso”, indicou a assessoria e imprensa da corte.

Para o Tribunal, “existe o risco de uma fuga” e nem sua saúde ou idade minimizariam esse risco. Segundo a Justiça, Figueredo “não tem relações com a Suíça e tem condições de fazer longas viagens.” O Tribunal também estimou que medidas como um depósito milionário de garantia, um monitoramento eletrônico “não reduziriam de forma suficiente o risco de fuga”.

MARIN

No caso de Marin, a estimativa é de que o brasileiro possa passar ainda semanas na prisão. No dia 3 de julho, os EUA devem apresentar o pedido de extradição. Mas um recurso não será possível imediatamente. Em primeiro lugar, os suíços precisarão de cerca de 20 dias para traduzir todos os documentos. Depois disso, um novo prazo vai ser estabelecido para que haja uma decisão do Departamento de Justiça de Berna.

Nesse caso, se a posição for favorável à extradição, Marin poderá apresentar seu recurso, o que significa que começaria a ser considerado apenas em setembro. Nesse tempo todo, ele continuaria preso.

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