Hélvio Romero/Estadão
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10 como se fossem 11

São Paulo entendeu que, nas circunstâncias, o empate era resultado bem interessante

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 04h00

O placar do Morumbi exibia 0 a 0 quando, aos 33 minutos, Diego Souza foi expulso. Com a rigorosa decisão do árbitro Dewson Freitas da Silva, o São Paulo teria que jogar quase dois terços do cotejo com 10 homens contra os 11 do Fluminense. Com o objetivo de vencer para não permitir a aproximação de seus perseguidores, o time precisou mudar o perfil com a bola rolando e entender que um empate, nas circunstâncias, não era nada mau.

A falha de Sidão, saindo péssima e estranhamente da meta, teve como consequência o gol contra de Anderson Martins. O zagueiro desviara de cabeça a pelota que seria facilmente abraçada pelo goleiro, desde que não corresse atabalhoadamente em sua direção. Eram oito minutos da etapa final e os são-paulinos se viram com menos um homem e atrás no placar. Alcançar pelo menos a igualdade era uma missão mais complexa naquele cenário.

Diego Aguirre se mexeu, colocou Régis para ocupar o flanco direito e Tréllez, típico centroavante, abrindo mão de um meia. Foram eles que construíram o empate, na raça, com o lateral acreditando até o fim após disputa com Ayrton Lucas, cruzando a bola, que por centímetros não saiu, e permitindo ao colombiano fulminar o arqueiro Júlio César com uma certeira testada. O gol sai do banco e foi arrancado à força. Não foi a primeira vez no campeonato.

Se há algum tempo os torcedores do São Paulo ficavam revoltados com a postura indolente, mole, preguiçosa da equipe, hoje o comportamento é inverso ao que os deixava irados. Não falta luta ao time atual e no 1 a 1 com o Fluminense isso ficou nítido mais uma vez. Sim, o estilo adotado pelo treinador uruguaio passa longe de um futebol que valorize o jogar com a bola, não apaixona por meio da plástica, mas cativa tricolores pelo coração.

Após estabelecer a igualdade, os são-paulinos ainda buscaram a virada, se expuseram e quase tomaram o segundo no fim. Matheus Alessandro carimbou a trave e, em seguida, no carrinho, Ibañez por pouco não marcou. Os dois sustos serviram para mostrar aos que ainda não estavam convencidos o quão interessante era aquele 1 a 1. Nos 57 minutos após o cartão vermelho, dez correram como se fossem 11.

108 anos

Sábado, o Corinthians presenteou sua torcida no dia de seu 108.º aniversário com mais uma atuação de tal monotonia que mal deu para festejar. Não apenas pelo 1 a 1 com o Atlético Mineiro em Itaquera, mas devido à sensação de poucas perspectivas transmitida pelo atual campeão brasileiro e paulista. Reflexo da falta de dinheiro, consequência dos equívocos administrativos que levaram à monstruosa dívida, oriunda da aventura do caríssimo estádio de Copa do Mundo.

São muitas baixas, no elenco e na comissão técnica. E contratações cada vez mais questionáveis, na linha do “é o que se tem para hoje”. Tudo isso faz com que a equipe, eliminada em casa de mais uma Libertadores, não desperte esperanças no curto prazo. Contudo, a (mais uma) patética exibição do Flamengo, neste domingo, na derrota para o Ceará no Maracanã cheio, pode ampliar a fé corintiana na disputa da Copa do Brasil.

Dia 12, os times mais populares do país estarão frente a frente no Rio de Janeiro para a primeira partida da semifinal do mata-mata nacional. Os rubro-negros sem metade do meio-campo, devido às convocações de Lucas Paquetá e do colombiano Gustavo Cuellar. Os desfalques, somados à irregularidade do time carioca, são motivos para o crescimento da esperança alvinegra em um bom resultado para depois decidir em São Paulo, no dia 26.

O problema é que, além de inferior tecnicamente, o Corinthians de hoje também não se caracteriza por boas atuações. E nas últimas semanas tem sido regulamente... ruim. 

 

 

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