15 de Novembro deixa Campo Bom orgulhosa

As façanhas do 15 de Novembro elevaram a auto-estima dos campobonenses, que se orgulham da fama que o clube deu à cidade de 54 mil habitantes, a 50 quilômetros de Porto Alegre. A alegria está demonstrada nas duas faixas na avenida Brasil saudando a participação da equipe na Copa do Brasil, algumas bandeiras com as cores verde, amarela e vermelha nas sacadas dos edifícios e uma vitrina homenageando o time e seus jogadores.Um dos sinais mais visíveis do sucesso do 15 é a venda de camisas na secretaria do clube, que saltou de três por semana para três por dia. "Recebemos pedidos de Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Amazonas", conta a relações públicas do clube, Mônia Azevedo.Para a secretária Angela Bertuol tem ficado a tarefa de pedir que os torcedores e novos simpatizantes tenham paciência até a fábrica entregar uma nova remessa.O proprietário do restaurante Buffet Giongo, Dagoberto Giongo, também observa o aumento da curiosidade dos visitantes. Acostumado a receber turistas que vão à cidade comprar calçados, ele conta que de dois meses para cá o que mais responde são perguntas de visitantes interessados em saber as razões do sucesso do 15 de Novembro e como podem conhecer o clube. "Já atendemos fãs do Mano Menezes (técnico) que vieram almoçar aqui na expectativa de encontrá-lo."Quem comemora o aumento dos negócios, sobretudo da venda de cervejas, são os proprietários de duas lanchonetes do centro da cidade que ofereceram imagens dos jogos a seus clientes. "A casa tem 120 lugares e lota nos dias de jogo", conta Ismael Duranti, sócio-gerente da Snoopy Lanches. "Com o telão, recebemos 500 pessoas", informa Dorival Joriz, proprietário da vizinha Lanches Free-Way. "Para mim seria bom ganhar a Copa do Brasil e ir para a Libertadores", diz, animado.Apesar da campanha, o 15 de Novembro não conseguiu lotar o estádio Sady Arnildo Schmidt, de apenas 2,8 mil lugares, em nenhum de seus jogos na Copa do Brasil. A explicação está na maratona deste ano. O time já jogou 38 vezes em apenas 105 dias. E o torcedor, numa cidade formada por operários da indústria do calçado, com salários médios de R$ 450 por mês, não consegue ir a tantas partidas com ingressos a R$ 10.Uma turma, no entanto, é fanática e fiel. São os 50 integrantes da Torcida Organizada Camisa 15. Quem mais agita esse grupo, que viaja para acompanhar o time dentro do Rio Grande do Sul, são as mulheres. A começar pela presidente, a vendedora Claudia Araujo, 32 anos, que negociou neste ano um patrocínio para a compra da charanga. "As mulheres participam bastante porque o clube é pequeno e podemos ir ao estádio sem ouvir muitas besteiras", avalia. Graças à ala feminina, a torcida organizada também não xinga. "Não temos o direito de vaiar", destaca Claudia, lembrando que o clube dá ingressos e paga as viagens de ônibus.A torcedora-símbolo do 15 também é mulher. É a comerciária aposentada Glody Elsa Hilgert, 75 anos, presenteada com a cadeira cativa número 28 na tribuna do estádio e homenageada com um buquê de flores entregue pelo meia Canhoto antes do jogo no Dia das Mães. Para ela, que foi madrinha do time amador de 1945 a 1947, o grande jogo do 15 foi uma vitória por 5 a 0 sobre o rival Sapiranga, num daqueles anos. Dona Glody é daquelas torcedores que vão a todos os jogos, mesmo fora de Campo Bom, munidas de bandeira, camiseta e almofada com os motivos do clube. Em casa, guarda também autógrafos dos jogadores, canecas de chope e cuias de chimarrão com o distintivo do 15. E enfeita a sacada do apartamento com uma bandeira do clube. "Nunca vaiei um jogador."As proprietárias da Manalu Modas também são fanáticas pelo 15 de Novembro. A vitrina da loja exibe bandeiras, camisetas, fotos e autógrafos dos jogadores e virou uma referência no centro da cidade.Amigas dos jogadores, as irmãs Rejane Natus de Souza, Roselane Natus Kleinkauf e Marisa Natus Nunes trabalham usando a camisa do clube. E também têm explicação para a mobilização das mulheres. "Nós estamos mais nas lojas, em contato com o público", compara Rejane. "Os homens ficam mais dentro das fábricas (de calçados)."O aposentado Gentil Preto não está na torcida organizada, mas freqüenta o estádio. "Só não fui contra o Palmas porque estava gripado", explica, prometendo ir ao Olímpico, em Porto Alegre, no jogo de volta de semifinal. O operário Victor Souza está dividido. Antigo jogador do Oriente, rival do 15 de Novembro nas categorias amadoras, diz que não está muito na onda atual, mas reconhece que o sucesso do adversário que se profissionalizou "é bom para a cidade".O 15 de Novembro leva no nome a data de sua fundação, em 1911. A iniciativa de criar um clube de futebol foi de funcionários da Vetter & Irmãos, uma indústria de calçados. Em cidade de descendentes de alemães, o clube se fortaleceu em outros departamentos, como bolão, tiro ao alvo e arco e flecha. Em 1994 depois de se tornar o maior campeão estadual de futebol amador, com 16 títulos, profissionalizou o departamento de futebol. A tradição entre os clubes profissionais ainda é pequena.Talvez por isso muitos torcedores ainda se dividem entre gremistas e colorados antes de serem quinzistas. "A torcida está nascendo agora", anima-se Cláudia, a presidente da Camisa 15.

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