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Capa do Estadão no dia seguinte à derrota do Brasil para a Alemanha Reprodução/Estadão

7 a 1 para a Alemanha completa dois anos e seleção segue estagnada

Maior vexame da história do futebol brasileiro não acarretou em mudanças significativas na seleção, que continua 'patinando'

O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2016 | 06h30

O dia 8 de julho é inesquecível para o fã da seleção, e futebol brasileiro de modo geral. Em 2016, completam-se dois anos da humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil. A partida, marcada como o maior vexame da história da seleção, era para ser uma "virada de página", um verdadeiro reinício no futebol nacional, que, em dois anos, pouco conseguiu andar para a frente e agora, com a equipe ameaçada de ficar fora do Mundial pela primeira vez na história, a CBF decide mudar tudo, com a demissão de Dunga, e apostar em alguém apontado como capaz de reconduzir o Brasil a dias de glórias.

Em sequência à derrota para a Alemanha e, alguns dias depois, para a Holanda (3 a 0, em Brasília) na disputa do terceiro lugar, a seleção pareceu passar por uma revolução e decidiu trocar todo o comando técnico. Porém, o que se viu é que a troca de Felipão por Dunga, que já havia fracassado com o Brasil na Copa do Mundo de quatro anos antes, na África, representou poucos mudanças na seleção, e o time continuou dependente de Neymar. O Brasil enfileirou 11 vitórias em amistosos, mas na primeira competição oficial decepcionou. Muitos jogadores que participaram do vexame no Mineirão continuaram sendo convocados, como David Luiz, Fernandinho, Willian e Luiz Gustavo.

Com a queda diante do Paraguai, pior seleção do continente nas Eliminatórias para a Copa de 2014, a avaliação da CBF era de que precisava de mudanças e, por isso, foi criado o chamado “Conselho de Desenvolvimento Estratégico do Futebol Brasileiro”. O diagnóstico apresentado pela entidade foi de que o “futebol brasileiro, que viveu o seu apogeu com a conquista de cinco Copas Mundiais, necessita realizar uma análise profunda para a sua revitalização”.

Apesar disso, a "dona do futebol brasileiro" decidiu dar continuidade ao trabalho de Dunga, que ganhou mais uma chance. Porém, pouca coisa mudou e a seleção é apenas uma coadjuvante nas Eliminatórias. Com seis jogos disputados, o Brasil ganhou duas partidas e atualmente é 6º colocado. Isso significa que, se a competição terminasse agora, o País estaria fora da Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Veio então mais uma Copa América, com edição comemorativa para os 100 anos da Conmebol e disputada nos Estados Unidos, palco do quarto título mundial do Brasil. A seleção caiu em um grupo ao lado de Equador, Haiti e Peru e foi eliminada na primeira fase, vencendo apenas um jogo, contra a fraquíssima seleção haitiana, por 7 a 1.

O fracasso foi o estopim para Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, demitir Dunga e contratar Tite, técnico multicampeão com o Corinthians e, já há algum tempo, reconhecido como o melhor treinador do futebol brasileiro. Será que vai dar certo? Era só o técnico que precisava mudar para a seleção voltar aos trilhos? Só o tempo irá dizer... Tite estreia nas Eliminatórias da Copa, em setembro, contra o Equador. O Brasil é sexto colocado.

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