Elsa/AFP
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A 3 meses do Mundial Feminino de futebol, lideranças cobram igualdade em prêmios

França embolsou cerca de R$ 144 milhões com a conquista da última Copa; edição feminina receberá R$ 15 milhões

Redação, Estadão Conteúdo

07 de março de 2019 | 12h50

Faltando exatamente três meses para o início do Mundial feminino de futebol, lideranças do esporte cobram maior igualdade entre os sexos na modalidade, principalmente nas premiações. O valor pago aos campeões do masculino e do feminino é uma das evidências mais fortes da desigualdade entre os gêneros nas competições organizadas pela Fifa.

Pela taça da Copa do Mundo da Rússia, a seleção francesa embolsou no ano passado US$ 38 milhões (cerca de R$ 144 milhões). A futura equipe campeã do Mundial feminino, neste ano, na França vai receber US$ 4 milhões (R$ 15 milhões). As mulheres também têm sido preteridas em projetos de apoio financiados pela Fifa, com a maior parte sendo direcionada para o futebol masculino.

E tudo isso num contexto em que a entidade máxima do futebol mundial vive situação financeira favorável. Segundo fontes anônimas consultadas pela agência de notícias Associated Press, as reservas da Fifa alcançaram US$ 2,74 bilhões (R$ 10,3 bilhões) e a receita atingiu US$ 6,4 bilhões (R$ 24 bilhões).

"Queremos ter certeza de que haverá uma repartição justa dos lucros que vem sendo obtidos", afirma a técnica da seleção norte-americana feminina, Jill Ellis. Na França, ela e suas lideradas vão tentar o bicampeonato, após faturarem o troféu da edição passada do Mundial.

A preocupação se justifica porque a Fifa elevou as premiações tanto do masculino quanto do feminino recentemente. Mas, novamente, os homens receberam uma elevação maior. Do Mundial de 2015 para o deste ano, as mulheres terão premiação total de US$ 30 milhões. Mas este valor é menor do que o aumento, de US$ 40 milhões, nos prêmios do masculino, que vão totalizar US$ 440 milhões (R$ 1,6 bilhão).

"A diferença entre a premiação de homens e mulheres é ridículo", afirma Tatjana Haenni, que foi chefe do departamento de futebol feminino da Fifa até 2017. "É muito decepcionante que esta diferença entre os dois Mundiais esteja crescendo cada vez mais. Isso envia a mensagem errada", diz ela, que trabalhou na entidade por 19 anos.

Para o sindicato dos jogadores (FIFPRO), esta disparidade é reflexo das prioridades da Fifa e do status do futebol feminino dentro da entidade. "Na maioria dos países, o ritmo de mudanças não é veloz o suficiente para alterar décadas de negligência quanto ao futebol feminino."

"Mesmo hoje em dia, o futebol feminino segue como secundário para muitos gestores do futebol e o futebol está ficando constrangedoramente para trás nesta busca pela igualdade em comparação a outras modalidades e até em outros setores da sociedade", completa o sindicato.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admite que as críticas são "perfeitamente justificadas". "Temos que tentar encontrar o melhor equilíbrio e acho que demos um passo à frente e daremos muito mais. Talvez no futuro o futebol feminino gere maior premiação do que o masculino."

Para Tatjana Haenni, um das dificuldades encontradas pelas mulheres para valorizar sua participação no futebol é a definição exata do valor que o futebol feminino gera para a Fifa. "Isso é algo que nunca é analisado. Qual é o potencial de valor do Mundial Feminino? Ninguém sabe o valor comercial do Mundial porque ele não é vendido separadamente. Isto é algo que ao menos deveria ser discutido."

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