A caminho do título

Paolo Guerrero é um personagem tão importante na história do Corinthians que merece todas as reverências, mesmo vestindo outra camisa. Mas no seu primeiro jogo contra o clube que ajudou a ser campeão mundial, a maior preocupação em Itaquera era manter o Atlético Mineiro distante da disputa pelo título.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 03h00

O início de partida corintiano foi ansioso, tenso, defensivamente seguro, mas de apenas uma finalização no alvo. O gol de Vagner Love, aos 47 minutos do primeiro tempo, foi um ótimo resumo da proposta do time, melhor nos contra-ataques do que com a posse de bola no campo ofensivo.

A defesa manteve-se distante do meio de campo, preparada e posicionada para as jogadas de velocidade do Flamengo, mesmo distanciando-se perigosamente do resto da equipe. Renato Augusto coordenou a saída de bola e Elias ficou com as infiltrações, perfil desta e de outras partidas.

No segundo tempo do confronto, mesmo com um jogador a mais desde os 13 minutos, o Corinthians não alterou sua estrutura, porém buscou mais o passe devido a superioridade numérica no campo. O risco ficou por conta do placar pequeno e perigoso para um clássico desta dimensão.

A 21.ª vitória alvinegra no campeonato foi mais uma conquistada por um modelo de jogo muito bem definido. Por isso o Corinthians tem sobrado entre todos da turma. Na prática, beneficia-se do conjunto de escolhas do seu treinador na construção de uma identidade. É fácil reconhecer a função de cada jogador e como eles procedem nas ações ofensivas e defensivas, individuais e coletivas.

O jogo não foi brilhante, foi apenas o possível e o necessário, pelo menos do ponto de vista corintiano. Em algum momento o Flamengo precisará entender que enquanto não houver estabilidade na comissão técnica continuará sofrendo. 

A vitória corintiana explica algumas das soluções buscadas desde a queda para a Série B em 2007. O espaço do treinador boleirão acabou. Felizmente não é o caso de Oswaldo de Oliveira. A experiência no campo é importante, mas não é suficiente para encarar as demandas do jogo sem conteúdo. 

Aquela história de falar a língua do jogador já era. O tempo passa, novembro se aproxima e muita gente ainda corre para dar sentido e significado ao seu futebol. Faltam apenas seis rodadas para o encerramento do Brasileirão e a realidade é dura, poucos conseguiram definir um estilo.

Corinthians, Atlético Mineiro, Grêmio e Santos são, seguramente, os times mais bem treinados, os detentores dos modelos mais claros, reconhecidos pela movimentação dos jogadores e da bola, certamente recheados com mais conteúdo.

Daí a importância do treinador e do treinamento, para organização e operacionalização de suas escolhas. Faz muita diferença contra adversários que trocam de comando três ou quatro vezes por temporada. Os melhores profissionais, mantidos por um bom tempo em seus cargos, certamente farão a diferença.

Palmeiras. As perdas de Gabriel, Arouca e Robinho, todos por contusão, abriram um buraco no meio de campo palmeirense, que por algumas rodadas deu a impressão de que se garantiria na Copa Libertadores sem sofrimento.

O buraco agora ameaça sugar o trabalho de toda a temporada se a classificação para a final da Copa do Brasil não vier na quarta-feira contra o Fluminense, no Allianz Parque. Imagine se o mesmo tivesse acontecido com o Corinthians de Tite, dificilmente a luta pelo título teria condições tão favoráveis. 

Apesar dos desfalques, que interferem diretamente na qualidade do jogo, o Palmeiras deveria estar mais organizado. O chutão como condução da bola da defesa para o ataque, como pilar do modelo de jogo, é de uma pobreza que a instituição não pode se permitir.

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