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A cinco cadeiras de distância, Coronel Nunes desconhecia Dmitry Medvedev

Chefe-de-governo russo foi prestigiar jogo do Brasil x Sérvia no camarote oficial. Mas presidente da CBF não ficou sabendo

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 11h50

O presidente da CBF, coronel Antônio Nunes, estava cinco cadeiras de distância do primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, um dos homens mais poderosos do país e que, com sua presença no estádio, prestou uma homenagem ao Brasil. Mas, um dia depois de acompanhar a vitória da seleção no camarote oficial do estádio do Spartak, o cartola brasileiro afirmava desconhecer a existência do russo e até mesmo que estivesse no jogo. 

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“Quem?”, perguntou o coronel ao seu questionado pelo Estado se havia trocado algumas palavras com o chefe-de-governo russo, poucos metros dele. “Falei é com o embaixador do Brasil”, disse o cartola. 

Nunes, ao chegar ao estádio na quarta-feira, foi colocado longe do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Nunes deveria sentar ao lado do cartola máximo do futebol, conforme estabelece o protocolo da Fifa em jogos da Copa do Mundo. Em seu lugar, foi estabelecido que o representante brasileiro seria Fernando Sarney, vice-presidente da CBF e membro do Conselho da Fifa. Assim, com Sarney de um lado e Medvedev de outro, o presidente da Fifa não teve qualquer necessidade de manter contatos com Nunes. Coube a Sarney a interlocução com Medvedev. Os dois falaram de futebol e até mesmo de alguns jogadores. 

Medvedev foi presidente russo entre 2008 e 2012, se alternando no poder com Vladimir Putin, seu aliado. 

Mas Nunes ainda teve de ceder mais um lugar para Alejandro Domingues, presidente da Conmebol. Só então é que o brasileiro encontrou seu assento. 

Nunes, que era considerado apenas como uma figura decorativa até que Rogério Caboclo assumisse em 2019, acabou se transformando em um problema para a CBF. Ele assumiu a presidência no lugar de Marco Polo Del Nero, banido do futebol por corrupção.  Mas, em Moscou, causou uma série de constrangimentos. O primeiro deles foi seu voto para o Marrocos, na disputa sobre quem receberia a Copa de 2026. O acordo na América do Sul era de que todos votariam pelos americanos.  Se não bastasse, um de seus assessores, Gilberto Batista, se envolveu em uma briga com um torcedor e acabou sendo enviado de volta ao Brasil. 

Dentro da entidade mundial do futebol e da Conmebol, a presença do coronel é motivo de mal-estar e não são poucos os que querem evitar o contato com o brasileiro. Infantino já chegou a sugerir seu afastamento. Na confederação sul-americana, também foi debatido entre os dirigentes uma formula para que ele deixasse de participar das reuniões. 

FICO

Mesmo a CBF já sugeriu que ele voltasse ao Brasil. Sem falar diretamente dos problemas causados, dirigentes chegaram a sugerir que, pela idade e cansaço, ele poderia retornar ao Brasil e que não teria necessidade de ficar em Moscou por 40 dias.

Ao Estado, Nunes garantiu que não volta ao Brasil. “Eu fico, claro que fico. Até o final”, disse. 

Relaxado depois da vitória contra a Sérvia, o coronel não perdia a oportunidade para rir das piadas que circulam nas redes sociais sobre a eliminação da Alemanha. “Vi uma (meme) que mostrava como a Alemanha levou sete gols, parcelados em módicas vezes como o brasileiro gosta”, dizia e ria o dirigente da CBF. “Mas isso mostra que o futebol está globalizado”, ponderou. “Estão todos muito iguais”, disse. 

Sobre o desempenho do Brasil, o chefe da CBF elogiou os jogadores, a atuação de Coutinho e a tranquilidade de Paulinho na hora de fazer o primeiro gol. “Estou convencido de que passamos do México”, disse. “Não estou assustado não”, garantiu.

Durante o jogo, porém, o coronel não teve a possibilidade de fazer seus comentários com os demais dirigentes. No intervalo, Infantino ainda fez questão de aguardar que Nunes deixasse sua fileira, antes de tomar o caminho da parte interna do camarote. Ao final, o coronel continuo completamente ignorado. 

Enquanto ele permanecia sozinho, Infantino, Sarney, Domingues e Dmitry Medvedev trocavam apertos de mãos. O grupo saiu por um lado, enquanto o coronel deixou o local sozinho pelo outro, e sem saber que esteve na mesma fileira de um dos homens mais poderosos do mundo.

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