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A Copa do Brasil interessa cada vez mais aos clubes do País

CBF estipula premiação ao campeão de quase R$ 70 milhões

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 17h49

Prezados,

Hoje eu gostaria de analisar com vocês a importância que a Copa do Brasil se tornou para os clubes brasileiros do ponto de vista técnico e financeiro. Ela é uma competição atraente para os 80 times que participam da primeira fase, principalmente para aqueles que se acham com potencial de conquista. A CBF tem feito bastante barulho no sorteio dos primeiros jogos e mais ainda para o dinheiro distribuído em forma de premiação ao longo da disputa. Oferecer R$ 50 milhões (pode chegar a R$ quase R$ 70 milhões incluindo outras fases) ao campeão faz brilhar os olhos de muitos dirigentes que vivem com o pires na mão e, consequentemente, de jogadores que sonham abocanhar uma fatia dessa dinheirama com a taça. Esse dinheiro da premiação tem quase que obrigado os clubes a se reforçarem dentro de campo. Porque ganhar uma competição como a Copa do Brasil representa o trabalho de um ano dos dirigentes de marketing que tentam vender pedaços da camisa e fazer parcerias com patrocinadores fortes, conforme contou o Estadão nesta reportagem de domingo.

Mas por que a Copa do Brasil se tornou tão interessante para os clubes? Porque, primeiramente, ela abre a participação para muitos pequenos do País, campeões estaduais e de torneios regionais, de modo a apresentar ao torcedor brasileiro histórias e personagens dos rincões do País, geralmente clubes desconhecidos da maioria e que têm nas partidas oficiais a oportunidade de aparecer, de se mostrar e também de ser visto, sobretudo quando encaram rivais de primeira linha, os chamados grandes, os mais badalados.

As primeiras fases geralmente colocam frente a frente equipes grandes contra pequenas, com os clubes mais bem colocados no ranking da CBF atuando como visitante, mas tendo a vantagem do empate. A primeira etapa, de cara, elimina 40 times, após jogo único. Para os nanicos, só vale a vitória. E sempre há aquela expectativa de derrubar um gigante. A segunda fase, no mesmo molde da primeira, mas com a disputa de pênaltis em caso de igualdade, reduz o torneio a 20 candidatos, que é quando os confrontos começam a ser de ida e volta.

Desde 2018, a CBF acabou com o gol de vantagem na casa do adversário, o que, para muitos torcedores, deixou a Copa do Brasil mais competitiva e atraente, fazendo com que os envolvidos atuem sem a obrigação, ou receio, de segurar resultados, jogar para trás de olho no regulamento. A CBF também adotou o sorteio para formar as rivalidades em detrimento do direcionamento das chaves, o que também desperta no torcedor mais ansiedade. Ele não sabe de antemão quem o seu time vai encarar. Os clubes que estão na Libertadores só entram na competição na fase de oitavas, quando a disputa esquenta e o nível técnico melhora. Nessa etapa, já é possível sonhar com a taça.

O fato de ter seu campeão conhecido antes do Campeonato Brasileiro, de 38 rodadas e que termina no começo de dezembro, faz com que os finalistas se organizem para dar mais atenção à Copa do Brasil. Tem clube que abre mão do Nacional para forçar a pegada na Copa do Brasil. O Cruzeiro fez isso no ano passado. O formato de jogos de ida e volta também interessa ao torcedor. Há quem defenda que o Brasileirão deveria voltar a ser disputado dessa maneira. Prefiro o sistema de pontos corridos justamente porque já temos a Copa do Brasil nessa condição.

Em 2018, o Cruzeiro ficou com a taça e fez a maior festa em Belo Horizonte ao bater o Corinthians na final. O time mineiro é o maior vencedor da disputa, com seis conquistas (1993/96/2000/2003/2017 e 2018), seguido pelo Grêmio, que tem cinco. Palmeiras, Flamengo e Corinthians somam três cada. São os maiores vencedores da Copa do Brasil, que se rendeu ao uso do VAR na temporada passada. Ocorre que o árbitro de vídeo não tem acabado com todos os problemas da 'juizada'. Na decisão de 2018, entre Cruzeiro e Corinthians, houve complicações e o uso do VAR abriu novamente uma discussão sobre a preparação dos árbitros e dos profissionais que comandam o VAR. Agora, temos mais experientes com essa nova tecnologia, usada inclusive na Copa do Mundo da Rússia. Precisamos saber, no entanto, como está a arbitragem para a sua utilização. Lembrando que o campeão da Copa do Brasil tem direito garantido de disputar a próxima Libertadores e de voltar à competição brasileira em fases mais agudas da disputa, o que também é bom porque elimina alguns jogos e viagens mais cansativas.

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