Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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Robson Morelli
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A Copinha do Palmeiras para os garotos da base é a Libertadores da América

Jogadores formados no clube, que nunca venceram a disputa dos meninos, importante no cenário brasileiro, deram frutos na competição sul-americana nos dois últimos anos

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 05h00

Uma das provocações dos "não palmeirenses" em jogos decisivos da equipe, como foi a final da Libertadores contra o Flamengo, diz respeito ao fato de o clube não ter conquistas da Copinha, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, de onde já saíram grandes jogadores do futebol brasileiro. E é verdade. "O Palmeiras não tem Copinha" virou hit, como também o "Palmeiras não tem Mundial", embora essa provocação seja contestada por causa da conquista de 1951, ora oficializada pela Fifa, ora não.

O fato é que poucos enxergam o que um amigo me disse neste começo de semana, depois de ver seu time tricampeão da Libertadores. "A Copinha do Palmeiras é o título da Libertadores da América". Foi assim, numa frase simples, que ele me fez pensar e que trago agora para vocês também se debruçarem sobre o assunto.

Ora, o que tem mais peso, a Copinha ou a Libertadores? Porque boa parte dos jogadores tricampeões da competição sul-americana saíram das bases do Palmeiras, da Academia de Guarulhos, onde o clube mantém sua fábrica de garotos. Quem desembarca no aeroporto internacional de Guarulhos, em Cumbica, e pega o caminho para o centro de São Paulo, passa ao lado de onde o Palmeiras cria seus jogadores da base. São campos e vestiários, com estrutura para trabalho e desenvolvimento. Alguns passam o dia ali.

Da última vez que conversei com um diretor do futebol de base do Palmeiras, faz algum tempo, ele me disse que havia perto de 300 moleques sendo lapidados para dar fruto ao clube, num investimento mensal de R$ 4,5 milhões. Isso daria perto de R$ 55 milhões.

Jogadores da base são formados por dois motivos: atender às necessidades do time principal e ser vendido para fazer dinheiro e recuperar parte do investimento anual. Disputar competições faz parte do amadurecimento desses candidatos a craque, claro. Ganhar torneios coroa trabalho, gera alegria, dá confiança, mas não necessariamente é o propósito dos profissionais que tratam com as bases. Ou não deveria ser.

Esses 'professores', das mais variadas formações e funções, deveriam estar nas premiações das conquistas do time principal deste ano e de outros mais. São, na minha opinião, o coração de tudo, o começo do sonho, a janela que se abre para esses meninos e o futuro da equipe, em campo e nas contas. Sempre defendi que a base é tão importante nos clubes que ela deveria ser entregue a profissionais da mais alta competência e todos bem pagos. Gosto da ideia também de ter ex-jogadores envolvidos nesse trabalho, de modo a despertar nos garotos o respeito e história ao que construíram na carreira, um espelho mesmo.

Imagina um Evair ensinando o garoto da base a cobrar pênalti... Ou Marcos tendo conversas regulares com os goleiros em formação. Seria demais para eles. No jornalismo, fico encantado com profissionais que contam suas experiências e me ensinam. Os olhos ainda brilham. Imagina para um menino em formação no futebol conversando com ídolos e sendo ensinados por eles.

A base do Palmeiras não tem Copinha, mas Patrick de Paula, Gabriel Menino, Gabriel Veron, Danilo, Renan, Wesley, Gabriel Silva e alguns mais estiveram na campanha da Libertadores que acabou com a vitória diante do poderoso Flamengo. São campeões sul-americanos. Mas não têm Copinhas. Então, não seria demais dizer que a Copinha do Palmeiras é a Libertadores da América, que esses garotos cresceram para ajudar o time de cima e agora já podem cumprir a segunda parte do propósito: fazer dinheiro para o clube. Se alguns deles for negociado, o investimento estará pago.

Então, se esses jogadores não ganharam a Copa São Paulo, azar da competição. A edição de 2021 do futebol dos garotos, que é legal de se ver e importante para o futebol nacional, foi cancelada por causa da pandemia da covid-19. Em 2019, o campeão foi o Inter, um clube que tem dificuldades nas competições dos adultos e colhe poucas conquistas no profissional. Em 2022, a Copinha foi confirmada. Mais uma vez, o Palmeiras terá bons jogadores para tentar conquistá-la. 

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