Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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A 'décima'

Depois da unificação feita pela CBF, Palmeiras tem nove conquistas de Brasileiros

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 04h00

São Paulo por 2 a 0 no Morumbi pode contar histórias diferentes, dependendo do lado que se esteja. Os palmeirenses, ausentes no estádio, viram bem mais do que apenas os três pontos conquistados no Campeonato Brasileiro, a liderança confirmada e a quebra de um tabu. Tiveram a certeza de um time pronto para a "Décima" conquista nacional. Sim, porque depois da unificação (absurda) feita pela CBF, o Palmeiras e outros clubes brasileiros passaram a somar suas conquistas anteriores a 1971, quando o primeiro Campeonato Brasileiro foi disputado, cujo campeão foi o Atlético-MG. Concordem ou não os torcedores Brasil afora, e eu já me adianto em dizer que não concordo, porque os torneios tinham outros nomes e competências, o Palmeiras soma nove taças equivalentes ao Brasileiro. O torcedor vê um Palmeiras forte e com sobras para seus concorrentes, de modo a não ter receio nem medo de festejar muito antes da hora, quebrando todos os protocolos do futebol de raiz, com dez rodadas de antecedência, contrariando até o pedido e o que pensa Luiz Felipe Scolari, ele sim um "torcedor" cauteloso e contrário a comemorar o que não se conquistou.

A vitória sobre o rival direto São Paulo e a derrapada do Inter na rodada fizeram com que o palmeirense perdesse a humildade e destacasse sua soberba.

O curioso é que sentimento parecido não se viu na Copa do Brasil (o time caiu diante do Cruzeiro) e também não se vê na Copa Libertadores, cuja semifinal será contra o Boca Juniors em partidas de ida e volta. Nesses dois episódios, o palmeirense viu forças em seus adversários, diferentemente desta reta final de Campeonato Brasileiro.

A derrota são-paulina, do lado dos tricolores, jogou um balde de água fria às pretensões do time de ficar com a taça. Não seria demais afirmar que, para os são-paulinos, o sonho acabou, mesmo embora seus jogadores pensem diferentemente e se recusam a jogar a toalha. Não é esse o sentimento do torcedor, que não vê mais forças em sua equipe, nas travessuras de seu treinador, elogiado até bem pouco tempo atrás, e no desempenho dos atletas.

Ficará marcas apesar desta boa campanha. Alguns nomes passaram a ser desacreditados no clube. O do goleiro Sidão é um deles. Na verdade, o jogador nunca teve apoio na arquibancada. E não por perseguição gratuita. Mas ele não é o único. O garoto Rodrigo Caio, joia rara do Morumbi quando descoberto, perdeu seu brilho. Já não tem mais sintonia em campo nem com os aplausos vindos de fora do gramado. Duvido que permanece em 2019.

Um clássico tem esse poder, o de contar histórias diferentes de seus participantes nos mesmos 90 minutos.

O São Paulo não depende mais de suas próprias forças para chegar. Não tem sequer o carinho de sua gente, como se viu e ouviu por meio das vaias no intervalo e depois no fim do jogo de sábado, quando o resultado foi consumado. O Palmeiras, por sua vez, não ganhou nada ainda. Tem de passar pelo Internacional, outro adversário duríssimo da parte de cima da tabela, para continuar sustentando a liderança e sua caminhada em busca da "Décima".

Corinthians

A semana vai ser muito importante para o Corinthians, agora dirigido por Jair Ventura. O time, que até então era totalmente desacreditado, despachou o Flamengo para fazer a final da Copa do Brasil, quando “ninguém” acreditava nisso, exceto os corintianos. O primeiro jogo com o Cruzeiro será na quarta-feira, em Minas Gerais, para depois decidir em casa, na Arena de Itaquera, o que poderá ser seu segundo título na temporada – o primeiro foi o Campeonato Paulista. O engraçado é que há muitos corintianos temerários com uma possível queda no Brasileirão, o que, nesse momento, não se justifica. O time está em 10.º lugar com 35 pontos.

Brasil

A seleção brasileira volta a se reunir nesta semana para os amistosos contra Arábia Saudita e Argentina. Mais do que vencer, o importante é treinar e encontrar opções para deixar o time mais forte. Nova chance para quem deixou a desejar na Copa do Mundo da Rússia.

 

 

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