Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

No país da Copa, a diversificada culinária vai além do estrogonofe

País da Copa do Mundo mostra variedade e sofisticação na gastronomia

Gonçalo Junior, enviado especial/Moscou, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Na Rússia, não há um prato nacional como arroz, feijão e bife. Nenhum russo responde com certeza sobre um prato repetido várias vezes por semana. Eles gostam de variar até mesmo no dia a dia. “Não gostamos de repeteco”, diz a intérprete e guia turística Anastassia Bystenko, resumindo dezenas de outros relatos ouvidos pela reportagem, durante a Copa do Mundo. O Estado optou pela melhor receita em qualquer cozinha: experimentar e variar. 

+ O drama de Cavani marca o 21º dia da Copa do Mundo

+ Contra a Bélgica, Brasil jogará pela 4ª vez com camisa amarela

+ Escolha as camisas mais bonitas

Na entrada, o mais comum é a sopa borch. Ela é vermelha, brilhante e cheirosa, de comer com os olhos. O vermelho vem da beterraba cortada em pequenas tiras, misturada com cenoura, batata, repolho e caldo de carne. Para tornar o caldo mais grosso, os russos comem com um creme especial chamado smetana, parecido com um creme de leite natural (não de caixinha). “Embora seja um prato da cozinha ucraniana, é amado na Rússia”, diz a jornalista Daria Kornilova. 

Como aperitivo, panquecas com caviar vermelho. Sua cor também é viva, o que lembra o sagu, por exemplo. Na hora em que ele explode na boca, é salgado, com o gosto do mar. A porção com três panquecas e uma colher de caviar custa 850 rublos (R$ 52). O caviar negro é mais caro e custa 60 mil rublos o quilo (R$ 3,7 mil). 

O pelmeni é um ravióli cozido com recheio de carne bovina. À moda siberiana, ele é servido com molho de soja, alho triturado, ketchup e mostarda forte. Em dia de festa, as famílias tradicionais, principalmente nos arredores de Moscou, fazem a própria massa em casa, com ralador, farinha de trigo e muita disposição. No dia a dia, todo mundo compra a massa pronta para finalizar em casa. Custa 580 rublos (R$ 36). 

Prato principal: estrogonofe. Para os turistas, comer estrogonofe na Rússia é como comer feijoada no Brasil. Obrigatório. O restaurante Bella Pasta serve pratos russos e italianos no centro de Moscou. Por 500 rublos (R$ 30), é possível comer um estrogonofe razoável. Como no Brasil, ele leva creme de leite e molho de tomate. Diferença: é servido em uma base de purê de batata, sem arroz. 

No lotado Café Pushkin, outro ponto turístico da capital, o estrogonofe vem em um prato dividido em três partes: a carne, o pepino em outro compartimento e, por fim, batata frita (não em palitos, em cubinhos). A carne desmancha de tão macia, creme no ponto certo. Valeu o preço salgado de 1.650 rublos ou R$ 102. O gerente explica que é o prato mais pedido entre os brasileiros, mas não revela quantos vende por dia. 

NAS RUAS

A Rússia também tem comida de rua. Da boa. Aquele cheiro familiar de churrasco toma conta da feira de antiguidades e lembrancinhas no bairro de Ismaelov. Dezenas de espetos enfileirados em uma churrasqueira ao ar livre. Os russos também gostam de espetinho. Aqui ele se chama shashlyk (carne cortada). Tem de cordeiro, vitela, frango e porco com legumes, cebola, pimentão e tomatinhos. 

A dissolução da União Soviética não significou a separação dos hábitos alimentares das repúblicas. Existem pratos de uma região apreciados por outra. O espetinho é da Geórgia e a Ucrânia criou a sopa de beterraba. Pelo menos na culinária, o país não se dividiu. 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.