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A dois passos do paraíso

A Ponte tem dois domingos para realizar o sonho do título paulista. Mas o adversário...

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2017 | 03h00

Ao ajeitar o laptop, para batucar a crônica de hoje, na hora vieram em mente versos de antiga canção da Blitz, banda de rock brasileira que fez sucesso nos anos 80. Um deles é o que está no título, e tem a ver com o esporte e com o que logo mais ocorrerá em Campinas. (Parênteses: a memória dos mais velhinhos, como no meu caso, costuma levá-los a viagens no túnel do tempo e a desencavar coisas esquecidas em baús afetivos.) 

Com boa vontade, o motivo para a digressão é óbvio: a Ponte Preta tem apenas duas etapas para, quem sabe?, enfim chegar ao título paulista, que persegue desde sempre e que bateu na trave em quatro ocasiões – duas com o Corinthians, na década de 70, outra com o São Paulo, em 81, e a última e recente com o Palmeiras, em 2008. Por que não a hora da Macaca?

A possibilidade existe, mais real do que nunca, e em igualdade técnica de condições com o adversário. Vá lá que a Ponte não tenha o timaço de 40 anos atrás, não conta com talentos do quilate de Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá, Odirlei, Lúcio, Marco Aurélio, Vanderlei... Sem violinos, sem saudosismo, aquela não era equipe, era uma seleção!

O elenco colocado à disposição de Gilson Kleina equivale ao poder de investimento da Ponte atual, aquém daquele de décadas atrás. Coerente com a perda de capacidade de times do interior segurarem estrelas. Nem por isso, merece olhar preconceituoso ou análise desdenhosa. Aranha, Fernando Bob, Pottker, Wendel, Clayson, Lucca, Naldo, Yago & Cia. mostraram qualidade para realizar a maior proeza em mais de 100 anos de vida do clube. 

Se não há craques em abundância a vestir a camisa do alvinegro de Campinas, o mesmo ocorre na trupe do branco e preto paulistano. Na escalação do lendário Oswaldo Brandão, apareciam Zé Maria, Moisés, Vaguinho, Basílio, Romeu e outros heróis que botaram ponto final no jejum de 23 anos sem conquistas. Não foi o maior time corintiano, porém importante, venerável, inesquecível, dirigido por um mestre. 

Fábio Carille, em compensação, apoia-se em Cássio, Fagner, Balbuena, Jadson, Jô e outros, e já obteve até mais do que inicialmente se supunha ao superar com garbo a fase de classificação e ao avançar em quartas e semifinais. Nas prévias do torneio, o Corinthians vinha atrás de Santos e Palmeiras, por coincidência derrubados pela Ponte. 

Os finalistas têm motivos para se orgulharem e acreditarem em sucesso neste momento. Alguém pode observar: Ah, mas não estão mais na Copa do Brasil e no Brasileiro pode faltar-lhes fôlego e força! Sim, existe tal risco, para ser abordado ali adiante. O agora dos dois lados significa encaçapar troféu...

Não há muito mistério na estratégia de Kleina ou de Carille. Existem, até, semelhanças, uma delas é a intensidade na marcação. Ponte e Corinthians várias vezes se impuseram pela maneira espartana de impedir avanços dos rivais. Além da forma certeira no aproveitamento de chances de gol e no cuidado primoroso para evitá-los.

Por essas características, talvez seja difícil supor situação idêntica àquela de quinze dias, em que a Ponte lascou três gols no Palmeiras, no Majestoso, e ali garantiu presença na final. Não se trata de proeza impossível de repetir, mas difícil. A tendência é a de equilíbrio e combate aberto para o fecho, domingo em Itaquera. 

BOLA CANTADA

Felipe Melo costuma soltar o verbo, em entrevistas. E, entre um Amém Jesus ou Deus seja honrado, usa expressões um tanto exageradas. Uma delas, que entendi claramente em sentido figurado, foi a de que, se preciso, daria “tapa na cara de uruguaio”. Uma forma de avisar que não teme ninguém. Por ironia da vida, viu-se envolvido em briga com a turma do Peñarol, e agora amarga suspensão prévia na Libertadores. Que tal abrandar o discurso?

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