A exótica Ásia bate palmas para o título do Brasil em 2002

A primeira Copa do Mundo organizada por dois países (Japão e Coreia do Sul) é decidida por brasileiros e alemães

Paulo Galdieri e Daniel Akstein Batista, estadão.com.br

29 de junho de 2012 | 22h59

SÃO PAULO - A Copa de 2002 foi um torneio de surpresas, de exotismo, de experimentos, de novidades. Pela primeira vez na história do esporte mais popular do planeta, a principal competição não foi na Europa ou na América. E pela primeira vez a organização do evento era dividida por dois países, os rivais históricos Japão e Coreia do Sul, mas unidos pelo Mundial. Foi a Copa do Ronaldo, artilheiro com 8 gols.

Quis o destino que dois gigantes decidissem o título: Alemanha e Brasil - também num encontro inédito em Mundiais. O resultado, celebrado hoje, dez anos depois da histórica decisão no Estádio de Yokohama, no Japão, ratificou o Brasil no topo do futebol mundial e consagrou para sempre uma geração de jogadores que saíram do País desacreditados e quase sem apoio.

De tão marcante, o penta da seleção brasileira em 2002 se tornou inesquecível para os que viveram intensamente aquele momento. “Eu me lembro de tudo. Me lembro desde os dias que antecederam a Copa até a final. É uma coisa inesquecível na minha vida”, conta Ronaldinho Gaúcho, hoje um veterano que conheceu o ápice, mas que busca a volta dos melhores dias no Atlético-MG. Naquele mês de junho, dez anos atrás, foi um dos catalisadores do quinto título mundial para o futebol brasileiro.

Ronaldinho diz lembrar de tudo, mas destaca, claro, o jogo das quartas de final, contra a Inglaterra. O 2 a 1, de virada, contra o “English Team” marcou a vida do então menino de 22 anos, ainda sem toda a fama que ganharia dali em diante. “O jogo com a Inglaterra foi o principal para mim. Foi uma partida em que aconteceu de tudo. Tomamos o gol, eu fiz um, viramos e eu ainda fui expulso.”

Mas não são todos os heróis daquela conquista que elegem o confronto com os ingleses como o mais complicado. Para Cafu, a emoção que sentiu ao levantar a taça como capitão do penta esteve mais ameaçada por outro rival. E engana-se quem pensa ser a Alemanha.

“O jogo da Inglaterra e o da Turquia foram os dois grandes jogos para nós. Mas o segundo contra a Turquia foi muito mais difícil do que o da Inglaterra. Era um time que vinha mordido por tudo o que aconteceu no primeiro jogo com a gente. Eles tinham um time certinho”, relembra o ex-lateral da seleção.

Mas, para o capitão do penta, o grupo que se formou em torno de Felipão estava tão compenetrado em provar sua capacidade - a maioria dos convocados passou pelos apertos vividos durante as Eliminatórias, cuja vaga na Copa só foi obtida no jogo final.

“O time queria. Todos queriam, acho que por isso ficou mais fácil transformar numa família, como se transformou. O Felipe (Felipão) conseguiu unir o grupo, fazer o time jogar da forma como ele queria. Mas era um grupo bastante inteligente, de jogadores que realmente queriam ser campeões do mundo. Acho que até por isso foi um pouco mais fácil administrar.”

Cafu, dez anos depois, relembra a cena que o marcou: a hora de levantar a taça, sobre o púlpito, com a inscrição “100% Jardim Irene” na camisa. “Foi tudo muito espontâneo, acho que por isso que ficou muito bonito.”

Para Marcos, o goleiro da seleção e que teve uma participação vital na Copa, com grandes defesas nos momentos de maior aperto para seleção, não há nenhuma comparação que possa ser feita com a conquista do penta.

"Ser campeão do mundo com a seleção brasileira é o auge de qualquer jogador e até atrapalha a sua carreira depois, porque você chegou ao pico e aí fica difícil se manter lá. Já tinha sido campeão com o Palmeiras, mas o Mundial com a seleção foi algo bem diferente, uma coisa que jamais vou esquecer.”

Festa sem fim. A volta da seleção ao Brasil foi cercada de festa, desfiles, homenagens, numa celebração ininterrupta por quase três dias. Os jogadores desfilaram em carro aberto por Recife, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, numa romaria que juntou dezenas de milhares pessoas nas ruas. Houve até escolta de caças da Força Aérea quando o avião que trazia a delegação entrou em território brasileiro. “Depois do título, podia ter qualquer carriola com uma caixinha de música pela rua que eu saía comemorando junto atrás”, brinca Marcos.

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