A Fifa prova: futebol não é com ela

A saraivada de críticas de que Pelé foi alvo por conta da lista dos 125 melhores jogadores de futebol vivos que elaborou para a comemoração dos 100 anos da Fifa, deixou em segundo plano uma triste constatação: a entidade que dirige o futebol mundial não dá a menor importância para a história do esporte. Não, não é em função dos interesses políticos e econômicos que levaram a fazer jogadores inexpressivos como o japonês Nakata e o coreano Hong Myung-bo entrarem na relação dos grandes nomes do futebol. A constatação se dá pelas falhas observadas nesta sexta-feira no site oficial do evento (www.the-100.com). Um verdadeiro festival de erros. Elaborado pela divisão esportiva da Duet Asset Management, empresa contratada pela Fifa para desenvolver o projeto do centenário, o site apresenta erros são tão grosseiros que não é preciso nem perder muito tempo para localizá-los. Numa rápida navegada pelo site, a Agência Estado percebeu 30 deles. Tem de tudo: biografias equivocadas, informações desatualizadas, falta de noções mínimas de geografia (Nova Zelândia é pais asiático para a Fifa), omissões. Nem o Rei do Futebol escapou da ignorância dos contratados da Fifa. No site, Pelé aparece como ex-jogador do São Paulo, clube pelo qual, sabe-se, nunca jogou. E olha que ele passou quase 20 anos no Santos. Falcão não jogou no Internacional de Porto Alegre. Já Djalma Santos, que completou 75 anos no último dia 27, continua em plena atividade, jogando pelo Palmeiras. Um pouco mais novo, o cinquentão Júnior ainda joga na lateral-direita do Flamengo. É fácil notar que o pouco caso da Fifa é maior quando se trata do continente americano. Além de quase dois dezenas de erros envolvendo a história do futebol brasileiro ? o que mais vezes conquistou títulos mundiais, ressalte-se ?, argentinos, mexicanos, uruguaios e chilenos são deixados em segundo plano (as informações sobre os atletas desses países escolhidos para a lista não são completas). E Maradona jogou um tal de Cebollitos, provavelmente um time amador e quando era garoto. Detalhe: para a Fifa, o Cebollitos é um clube brasileiro. Mas os europeus não passam incólumes. O Porto por exemplo, tem camisa preta e branca e não azul e branca. E há casos de jogadores que atuaram na década de 70, como o holandês Resenbrink (Copas de 1974 e 1978) que ainda continuam jogando. Claro, tudo isso para a Fifa que, pelo menos, poderá ter o tempo a seu favor. Quem sabe, daqui a 100 anos, a entidade que dirige o futebol passe a dar a merecida importância à história do esporte mais popular do planeta.

Agencia Estado,

05 de março de 2004 | 19h41

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