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Dados do Campeonato Brasileiro Estadão

A história do Brasileirão em números

Ferramenta online incorpora metodologia inovadora

José Roberto de Toledo, Rodrigo Burgarelli e Guilherme Duarte, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 07h00

Qual o melhor time da história do Campeonato Brasileiro de Futebol? O Inter de Falcão, o Palmeiras da Parmalat ou o São Paulo de Muricy? Dá para comparar equipes de épocas diferentes, que nunca jogaram entre si? 

Para isso, seria preciso classificar em uma mesma escala as performances de todos os times em cada um dos 45 campeonatos nacionais – a despeito de as fórmulas de disputa serem muito diferentes entre si e de o número de equipes variar de apenas 20 a incríveis 94 na história do Brasileirão.

É o que o Estadão Dados fez. A História do Brasileirão em Números (HBN) é uma ferramenta online que incorpora uma metodologia inovadora para comparação de times de futebol. Ela adapta o método Elo que classifica jogadores de xadrez: um time ganha pontos quando vence, e perde quando é derrotado. Mas a quantidade de pontos ganhos ou perdidos depende da própria classificação, da qualidade do adversário e por quantos gols de diferença ganhou ou perdeu. Golear equipes fracas pode valer menos do que vencer um time mais forte por 1 a 0.

O Estadão Dados compilou 16.780 partidas dos 45 Brasileirões. São 130 clubes, do Ceará último colocado em 1971 ao Corinthians campeão em 2015, passando por equipes que mudaram de nome, como o antigo Malutrom. Os 130 protagonizaram 1.427 campanhas ao longo de 45 anos. Cada uma delas virou uma linha, com todos os seus altos e baixos, na ferramenta HBN.

Ao selecionar um time e observar suas linhas se destacarem no gráfico online, o usuário vê quantas participações aquele clube teve no Brasileirão e seu desempenho relativo aos outros times em cada campeonato, compara campanhas do clube ao longo tempo, vê quais foram os melhores e piores anos da equipe, em quantas e quais vezes o time cresceu ao longo da competição ou - ao contrário - em quais ele decaiu ao final. O usuário ainda pode dar um “zoom” para analisar em detalhe um campeonato específico.

Selecionando-se o Corinthians, por exemplo, descobre-se que o time campeão de 2015 teve a melhor performance entre as 43 campanhas do clube. Na escala do História do Brasileirão em Números, a equipe de Tite marcou 1.272 pontos e ultrapassou os 1.205 pontos do Corinthians campeão de 1999. Até então, o time de Rincón e Marcelinho era o recordista entre os corintianos.

Como foi possível comparar as duas campanhas, se o campeonato de 1999 teve fase de classificação, quartas de final, semifinal e final, enquanto o deste ano foi por pontos corridos? Porque, na metodologia do HBN, toda partida segue as mesmas regras de pontuação, não importa se é a primeira ou a última do campeonato, se é da fase classificatória ou a decisiva final.

Em 1999, o Corinthians teve um começo fulminante com sete vitórias seguidas, mas emendou um período de instabilidade, com várias derrotas em casa. Recuperou-se a tempo de terminar em primeiro a fase classificatória. No mata-mata, sua performance não foi espetacular: três empates, uma derrota e quatro vitórias. Bastou para ser campeão, mas o trecho final de sua curva no HBN acabou mostrando um crescimento pequeno.

Em 2015, o Corinthians começou com altos e baixos, mas logo embalou e desenhou a mais longa linha contínua e ascendente em 43 participações do clube. Partindo quase do mesmo patamar, o time de Tite chegou literalmente mais alto do que o de 1999. Foi o suficiente para essa ser a melhor campanha entre as 1.427 participações de todos os 130 clubes que disputaram o Brasileirão ao longo de 45 anos? Não.

O recorde no HBN continua sendo do Internacional de 1976, com 1.365 pontos. O time gaúcho foi bicampeão naquele ano, com Falcão regendo o meio-campo e Dario liderando a artilharia do campeonato. Ao bater o Corinthians na final, por 2 a 0, o Inter registrou sua 19.ª vitória em 23 jogos. Além do aproveitamento excepcional na campanha de 1976, o colorado já partira de um patamar alto, pois havia levantado a taça em 1975.

O Corinthians pode reivindicar o título de melhor performance, pois, mesmo não alcançando a marca do Inter, somou mais pontos ao longo do campeonato, já que partiu de um patamar inferior no começo da temporada? Também não. Essa façanha pertence ao Vasco campeão de 1997: saindo de apenas 887 pontos no HBN, somou 272 ao longo do campeonato. Não importa a régua, sempre haverá espaço para discussão sofre quem é o melhor de todos os tempos.

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São Paulo é o mais regular em 45 anos de campeonato

Estudo permite comparar campanhas isoladas

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, RODRIGO BURGARELLI E GUILHERME DUARTE, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 07h00

A História do Brasileirão em Números permite comparar campanhas isoladas das equipes, mas não só. Sua metodologia também revela quais clubes foram mais regulares ao longo do tempo – aqueles que ficaram na parte mais alta do ranking em mais campeonatos e, assim, registraram as maiores médias históricas do Brasileirão. No critério “bom e sempre”, ninguém bate o São Paulo.

Ao longo dos 44 campeonatos brasileiros que disputou, o time do Morumbi registrou a incrível média de 1.077 pontos, mais de 130 pontos acima do valor médio histórico do conjunto dos times que jogaram a competição em 45 anos. Detalhe: o São Paulo tem o melhor desempenho mesmo não tendo disputado o campeonato de 1979 (em protesto, junto com Corinthians, Santos e Portuguesa).

Nos anos em que um clube eventualmente deixou de disputar a primeira divisão do Brasileirão, o Estadão Dados atribuiu-lhe, para efeito de cálculo da média histórica da equipe, a pontuação alcançada pelo time mais mal classificado naquele campeonato. Mesmo punido em 1979, o São Paulo superou a média do Internacional (1.053), que disputou todas as 45 edições.

Três fatores principais convergiram para fazer do Tricolor o time mais positivamente regular da história do Brasileirão: 1) foi campeão seis vezes; 2) em raríssimas ocasiões caiu abaixo da média histórica do campeonato, e, quando escorregou, recuperou-se logo, sempre terminando a competição acima dos 946 pontos; 3) manteve um desempenho excepcional antes e depois da adoção do sistema por pontos corridos em 2003. 

Único outro hexacampeão brasileiro, o Corinthians tem média histórica 42 pontos inferior à do São Paulo. Com 1.035 pontos, os corintianos estão em 8º lugar no ranking de regularidade. Os motivos são o mau desempenho em 2007, que deixou o time fora da primeira divisão no ano seguinte, e performances abaixo da média em cinco outras ocasiões: 1988, 1997, 2000, 2001 e 2004.

Segundo colocado no ranking de regularidade, o Inter sustenta essa posição graças às altas pontuações que marcou principalmente entre 1975 e 1979, quando sagrou-se tricampeão. Nunca foi rebaixado e só caiu abaixo da média histórica do campeonato em 4 de 45 vezes: 1990, 1994, 1999 e 2002.

Para um clube com um único título de campeão brasileiro, registrado em 1971, o Atlético Mineiro consegue uma façanha ao ficar em 3.º lugar em média histórica do Brasileirão, com 1.046 pontos (três acima do rival Cruzeiro, o 4.º colocado no ranking). E isso mesmo tendo sido rebaixado pelo péssimo desempenho em 2005, que o deixou de fora em 2006. É que de 1976 a 1991, e desde 2012 os times atleticanos foram muito acima da média.

Ao lado de Inter e Flamengo, o Cruzeiro foi um dos três clubes a disputar todos os Brasileirões. Isso ajudou a impulsionar sua média para cima. Além disso, foi tricampeão e só caiu abaixo da média histórica do campeonato em 1991 e 1994.

O Palmeiras está em 5.º lugar no ranking de regularidade por causa de seu desempenho antes da adoção do sistema de pontos corridos. Foi bicampeão duas vezes, em 1972 e 1973, e em 1993 e 1994. Até o ano 2000, nunca terminou abaixo da média histórica do campeonato. Mas no século 21 já foram dois rebaixamentos e nenhum título.

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Metodologia usada para analisar Brasileiro foi criada por físico

Sistema Elo foi criado para classificar jogadores de xadrez

GUILHERME DUARTE, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2015 | 07h00

A metodologia usada pelo Estadão Dados para criar a História do Brasileirão em Números (HBN) se baseia no sistema Elo – método desenvolvido pelo professor de Física Arpad Elo para classificar enxadristas e que virou o rating oficial da Federação Internacional de Xadrez. Além de medir a força dos times no Campeonato Brasileiro de Futebol, variações do cálculo têm sido usadas por estatísticos, como o norte-americano Nate Silver, para classificar equipes em outras competições, como a NBA, a liga de basquete profissional dos EUA.

No sistema adaptado para o Brasileirão, pontos são distribuídos entre as equipes a cada rodada. Os times ganham pontos com vitórias e perdem nas derrotas, mas a quantidade de pontos ganhos ou perdidos varia em função de quem é o adversário. Em regra, quanto maior a diferença entre dois times, maior o potencial de ganho ou de perda. Times mais parelhos têm menos a perder ou ganhar com partidas disputadas entre si.

As equipes mais bem classificados que eventualmente são derrotados por times que estão na parte de baixo da tabela perdem mais pontos do que times mais mal classificados que perdem para os líderes do ranking. Do mesmo modo, um time mal classificado que, por acaso, vença um dos líderes vai ganhar mais pontos do que um bem classificado que venceu um time mal classificado na tabela. Em caso de empate, a alocação de pontos também depende da posição dos times no ranking. 

Além disso, o número de gols marcados a cada partida também entra no cálculo. O time que vence por goleada ganha mais pontos do que o time que ganha por um placar apertado.

O algoritmo leva em conta o resultado do jogo e a pontuação anterior de cada time. Se o time A tem pontuação de 1.100, e o time B, de 900, as chances de A vencer B são relativamente altas. Se o resultado é diferente do esperado, aumenta a quantidade de pontos distribuídos. Além disso, o algoritmo usa um fator de ponderação, o chamado “K”.

Quanto maior o valor de “K”, maiores as pontuações recebidas ou perdidas. O “K” varia a cada campeonato, dependendo do número médio de jogos disputados por time. Campeonatos curtos têm “K” mais alto para equipará-los aos campeonatos mais longos. 

Ao final de cada campeonato, as pontuações de todos os times são ajustadas para se aproximarem de um valor médio histórico: 946. Se o time termina muito acima da média, ele perde pontos para começar a próxima edição mais perto dos rivais. Se terminou bem abaixo da média, ganha pontos para não começar em muita desvantagem. A pontuação no começo da série, em 1971, foi calculada com base no desempenho na Taça Roberto Gomes Pedrosa, que antecedeu o Brasileirão

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