A hora de Cuca

Há risco de arranhar imagem. Mas técnico volta ao Palmeiras com chance de “fazer história”

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2017 | 03h00

Cuca tem 53 anos de idade, quase 20 como técnico de futebol. Não é, portanto, novato nem paraquedista na profissão. Desde que trocou os gramados pelo banco de reservas, em 1998, perambulou pelo Brasil, além da aventura breve na China. Dirigiu times de todos os calibres, dentre eles ao menos uma dezena de pesos pesados. Os pontos altos foram os títulos da Taça Libertadores da América com o Atlético-MG, em 2013, e do Brasileiro, com o Palmeiras, em 2016.

Depois de apenas quatro meses de período sabático, que inicialmente pretendia ser de um ano, aceitou convite para retornar ao Palestra. E voltou nos braços do povo, aclamado como homem adequado para repetir a proeza nacional e, mais do que isso, trazer o bicampeonato sul-americano. Se possível, fechar a temporada com o Mundial de Clubes. Não é pouca pretensão.

Cuca saiu do clube no dia seguinte à conquista da taça da Série A, mas permaneceu na cabeça do torcedor. Eduardo Baptista chegou com enorme sombra do antecessor e, com grande grupo à disposição, não conseguiu superar desconfianças. A trégua ocorreu, por instantes, logo após a vitória de virada sobre o Peñarol, em Montevidéu, quando esmurrou a mesa, engrossou a voz, subiu o tom para protestar contra o que considerava perseguição da imprensa. No vacilo seguinte – a derrota para o Jorge Wilstermann –, despencou no conceito do público e recebeu o bilhete azul por parte da diretoria. 

Cuca era o primeiro – e único – da lista para assumir o comando do elenco mais caro do País. Nem relutou muito para ser seduzido pelo desafio de saltos maiores numa agremiação em que conquistou o status de ídolo, “professor”, salvador da pátria ou seja lá que outra expressão se queira usar. A verdade é que teve portas escancaradas e com papel em branco para agir.

Alexi Stival, como é conhecido em documentos oficiais, depara-se com momento crucial na carreira, maior do que os anteriores, aí incluída a campanha campeã do ano passado. Agora, a expectativa e a cobrança no Palmeiras estão um degrau acima – e tem consciência disso, conforme demonstrou ontem na entrevista de apresentação. Dirigentes, patrocinadores e sobretudo os fãs querem mais, muito mais. Não basta uma equipe competitiva; é preciso que seja vencedora, de tudo. 

Há risco explícito para Cuca. Se falhar, ficará com imagem arranhada, como ocorreu com nomes fortes como Brandão, Filpo Nuñes, Luxemburgo, Felipão, que alternaram passagens de sucesso e outras menos brilhantes. Se satisfizer os sonhos da nação verde, não só se juntará àquele grupo lendário, como vai superá-lo no imaginário popular; depende apenas de Cuca.

E como? Primeiro, terá de superar a imagem de ansioso, que muitas vezes atrapalha seu relacionamento com atletas. Depois, tem de resgatar o futebol de Prass, Victor Hugo, Tchê Tchê, Roger Guedes, até Dudu, todos importantes no título de 2016 e agora instáveis. Coloque-se no balaio, também, Borja, maior contratação da temporada e em baixa. E, mais do que nunca, tem de trabalhar com serenidade a batalha de egos de trupe supervalorizada.

Dessa receita, deve ressurgir Palmeiras forte e equilibrado, renovado – e mais eficiente do que o anterior. Cuca se considera calejado; eis a oportunidade de “fazer história”. 

TESTE ALVINEGRO

O Corinthians visita a Universidad de Chile, pela Sul-Americana, cheio de moral pelo título paulista e pelos 2 a 0 de vantagem obtidos no jogo de ida. Excelente chance para pôr à prova a confiança da rapaziada de Fábio Carille. 

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