A mil dias da Copa, Mineirão entra em greve em visita de Dilma

A contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo de 2014 começa nesta sexta-feira em meio à greve dos operários da reforma do estádio do Mineirão, escolhido pelo governo para receber a visita da presidente Dilma Rousseef e de autoridades da Fifa e do comitê organizador, no principal evento do dia nas cidades-sede do Mundial.

PEDRO FONSECA, REUTERS

16 de setembro de 2011 | 10h41

A greve no Mineirão, iniciada na quinta-feira, se soma à paralisação que dura mais de duas semanas no Maracanã, o palco principal do Mundial, e aumenta a pressão sobre os organizadores para concluir as obras exigidas para a competição, que estão atrasadas e já foram alvo de duras críticas da Fifa.

Trabalhadores da reforma do Mineirão, um dos estádios em situação mais avançada na preparação para o evento e candidato a receber a abertura do Mundial, abandonaram o trabalho pelo segundo dia consecutivo e protestaram nesta manhã pedindo aumento de salário e melhores condições de serviço.

O protesto aconteceu pouco antes da chegada de Dilma e de autoridades incluindo Pelé, o embaixador do Brasil para a Copa, para visitar o estádio.

"Se não sair a melhoria para o trabalhador o Mineirão não vai ficar pronto. A obra vai levar é dois mil anos", disse um dos grevistas em um carro de som do lado de fora do estádio.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção de BH e Região, que não é o representante principal dos trabalhadores do Mineirão mas participou da manifestação, a paralisação aconteceu porque um acordo fechado após uma greve em junho não estaria sendo cumprido.

Naquela ocasião, as obras ficaram paradas por quase uma semana. O consórcio Minas Arena, que também será responsável por operar o novo Mineirão, disse à época que cumpre as exigências de uma convenção coletiva com os trabalhadores e que mantém "altos padrões de qualidade e segurança".

A Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo do governo mineiro informou na quinta-feira, após o início da greve, que os operários tinham interrompido as obras apenas pela manhã e retomado à tarde, mas os operários garantiram que a greve continua enquanto não forem atendidas às exigências.

Apesar das greves, a situação geral dos estádios está mais adiantada do que obras de infraestrura para a Copa do Mundo, principalmente de mobilidade urbana e reforma e ampliação dos aeroportos --que são os principais motivos de preocupação da Fifa.

Em balanço das obras apresentado pelo governo federal esta semana em Brasília, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que o problema dos estádios está "resolvido".

Nove arenas deverão ser entregues até dezembro de 2012, enquanto a arena de Manaus deverá estar pronta em meados de 2013, segundo o governo. Os estádios de São Paulo e Natal só devem ser concluídos em dezembro de 2013 ou no início de 2014, e já foram descartados da Copa das Confederações de 2013.

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