'A crítica em cima do erro de uma mulher tem sempre maior dimensão'

Ex-assistente e professora na ENAF fala sobre a arbitragem feminina

Entrevista com

Ana Paula Oliveira

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2016 | 16h59

Como está a arbitragem feminina de São Paulo comparada com o Brasil?

São Paulo está passando por uma transição. Mudou o comando e agora existe um departamento de desenvolvimento da federação paulista, que dá maior atenção para a arbitragem feminina e passou a ter uma maior preocupação em relação a isso. A questão da condição física é algo complicado, pois as meninas continuam fazendo testes físicos masculinos e além de ter que passar por um teste complicado, precisam estar habilitadas tecnicamente. Tudo isso faz com que tenhamos poucas assistentes aptas para trabalhar em jogos grandes no estado. 

Existe muita procura de mulheres para trabalharem com arbitragem?

Tem sim e hoje, apesar de toda a dificuldade existente para as mulheres na arbitragem brasileira, existem exemplos de mulheres que conseguiram ganhar espaço entre os homens e isso faz com que elas acabem tendo uma referência. Na minha época, não existia isso. Hoje, tem a Silvia Regina (ex-árbitra e atual Membro da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol e instrutora da CBF e FIFA) e eu, por exemplo. 

Depois de tantos anos, sente que existe preconceito com as mulheres? 

A mulher deixou de ser algo novo no futebol e isso é bom, mas, para avançarmos, temos que traçar um comparativo e ver que a crítica em cima de um erro de uma mulher tem sempre maior dimensão, o que não é justo. Além disso, ainda existe a questão da mulher se destacar pela beleza e muitas vezes isso ficar à frente de sua qualidade. 

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