Guilherme Lemos/Divulgação
Guilherme Lemos/Divulgação

'A nova forma de transmitir esporte será pela internet', diz vice-presidente do DAZN

Empresa exibe com exclusividade jogo do Corinthians na Sul-Americana e mira repetir sucesso do Netflix e Spotify

Entrevista com

Bruno Rocha, vice-presidente do DAZN no Brasil

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2019 | 04h30

O jogo entre Corinthians e Deportivo Lara, na noite desta quinta-feira, pela Copa Sul-Americana, é atração principal de um grande pacote de novidades para o mercado brasileiro de transmissões esportivas. Assim como outras partidas desta segunda fase do torneio, o encontro terá exibição exclusiva ao vivo pelo serviço de streaming DAZN, empresa inglesa presente em nove países e que promete revolucionar o mercado brasileiro.

Segundo o vice-presidente executivo do DAZN no Brasil, Bruno Rocha, o maior desafio da empresa é se popularizar em um País onde o público se acostumou durante anos com a oferta em TV aberta, porém há perspectivas bastante positivas. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele comentou que o País conta com um grande número de usuários de internet e histórico de sucesso de outros serviços de streaming, como Netflix e Spotify.

Quais modalidades vocês querem transmitir?

No Brasil o futebol é o carro chefe. Estamos trabalhando para sublicenciar os direitos de outras empresas porque muitos contratos já estão feito a longo prazo e gente não tem possibilidade de comprar diretamente. Temos uma oferta grande de lutas, como MMA, boxe e kickboxe, tênis, basquete e automobilismo. Tem vários esportes que temos direitos, mas vamos testar para o público brasileiro, como sinuca, dardo, rugby. Vamos analisar se teremos audiência no Brasil. Para o DAZN não vale a pena replicar as práticas tradicionais da mídia. A forma de operar e o padrão de consumo do usuário são diferentes. Em uma empresa tradicional de mídia você precisa preencher uma grade de programação por 24 horas, então acaba tendo muitos programas que não são aqueles que o fã procuraria em um serviço on-demand, como o Netflix, para ver um debate sobre o jogo de ontem. É o tipo de programa que você só assiste se estivesse trocando de canal. A nova forma de consumir conteúdo a partir de agora será a partir da internet. 

Quanto tempo de experiências a plataforma teve antes do lançamento oficial?

A gente abriu o plano para lançar no Brasil no segundo semestre do ano passado, quando nós ganhamos a licitação da Sul-Americana. Isso foi o ponto chave para a gente desenvolver os planos de lançar o DAZN. Começamos a ir atrás de outros eventos que nos permitiriam ter um posicionamento mais amplo e oferecer uma gama de conteúdo mais vasta para a audiência do Brasil. Então, a gente resolveu desenvolver essa estratégia de distribuição via YouTube, Facebook e explorar acordos com canais tradicionais para ajudar a desenvolver a marca DAZN.

Então foi uma espécie de etapa de experiência?

Foi. Eu diria que foi uma etapa para a gente já poder desenvolver uma relação com o consumidor antes do serviço funcionar 100%. Foi a oportunidade para criar relação com nossa a audiência, desenvolver a marca. Foi algo que a gente fez pela primeira vez no mundo. Nunca tínhamos feito antes de comprar direitos para não distribuir no DAZN. Mas como a gente via necessidade de comprar para tirar os direitos do mercado antes que outros comprassem para nos permitirem lançar, a gente acabou fazendo esse movimento para fechar os contratos antes mesmo do lançamento.

Houve no começo a parceria com a RedeTV!. Como será agora?

Eles vão ter direitos da Sul-Americana ainda e vão passar o jogo do Corinthians, mas em VT. A gente precisava também manter o conteúdo exclusivo no DAZN para encorajar as pessoas a acessarem a plataforma. O hábito é muito forte de ir na televisão tradicional e consumir o conteúdo. Nós estruturamos o acordo de uma forma mais limitada nas rodadas seguintes.

O público brasileiro é muito diferente de outras nacionalidades quando se trata de audiência esportiva?

 O público brasileiro tem uma paixão por futebol e esportes acima da média, é muito forte. Por outro lado, a gente tem um problema no Brasil que é a estrutura de internet ainda não está tão difundida como em outros países, como Alemanha e Japão, onde a penetração de banda larga é altíssima. A gente tem de reconhecer que nas grandes cidades, onde a oferta de banda larga está alta, a experiência será boa, mas existem regiões do Brasil que ainda não vão ter a internet na velocidade adequada para o serviço. Mas a gente olhava muito a base de penetração de internet banda larga e de TV a cabo. Os números eram claros: 17 milhões de domícilios têm televisão paga e mais de 30 milhões têm internet banda larga. Isso nos norteou no lançamento. A internet banda larga, a telefonia celular está crescendo e isso é inevitável. Já queremos liderar essa tendência e se posicionar como pioneiros na área.

O público brasileiro não tem o hábito de pagar para ver jogo na internet. Qual o risco disso para o negócio de vocês?

Isso é uma realidade no mundo inteiro. Você está mudando a forma como as pessoas consomem o conteúdo. No Brasil ainda tem um adicional porque a Globo, que sempre foi um canal muito dominante no País, ofereceu conteúdo de qualidade sem cobrar do usuário. O mercado brasileiro, na média, se acostumou a ter esse padrão de consumo. Foi uma prática que não prevaleceu tanto em outros países porque a gente viu uma penetração de TV a cabo muito mais alta do que no Brasil. As pessoas já estavam acostumadas de alguma forma a pagar pelo conteúdo. No Brasil a TV a cabo, em comparação a outros países, é muito mais baixa. Isso sem dúvida é um desafio. 

Mas também já temos outros serviços de streaming de sucesso...

Q quando a gente viu números da Netflix e do Spotify no Brasil, realmente foram informações muito encorajantes. Quando você tem uma oferta de qualidade, experiência agradável, não tem risco de pegar vírus no computador, paga um valor justo e sem risco de interrupção do jogo, em um longo prazo as pessoas optam por um serviço legal. Mas é um trabalho árduo de qualquer empresa do nosso setor de ter um serviço de qualidade. Você está a um só clique de cancelar a assinatura. Os canais tradicionais compram direitos bons, fazem acordo com as operadoras de televisão e têm uma garantia de receita por um período razoável, por anos. No nosso caso, é mês a mês. Tem que trazer as pessoas para a plataforma, entender os motivos da saída, fazer um trabalho analítico sobre o padrão de comportamento.

Qual a expectativa de audiência?

É alta. Não posso divulgar números exatos, mas se você ver números que são públicos nos jogos transmitidos pelo Facebook e YouTube, estamos nos sorteando por isso. 

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