A nova ordem do futebol brasileiro

Por algumas décadas, a força do futebol brasileiro limitava-se aos oito grandes clubes de Rio e São Paulo, além de Grêmio e Internacional e Atlético-MG e Cruzeiro. Eles reinavam absolutos nas principais competições do País e quase não davam chance para que o grupo do segundo escalão pudesse despontar. A realidade mudou e um novo mapa do futebol do País parece surgir nesse início de século. São Caetano e Paysandu são exemplos disso. O clube paulista chegou à final dos últimos dois Campeonatos Brasileiros e da Libertadores. Não conquistou nenhum título, mas ocupou espaço nobre. O Paysandu, apesar da desvantagem na decisão da Copa dos Campeões, neste domingo, com o Cruzeiro, pela primeira vez pôs em evidência o futebol da Região Norte. Contribuiu para isso a reforma no Mangueirão, concluída em maio. "Temos hoje talvez o melhor estádio do Brasil em conforto, segurança e condições de trabalho", contou o coordenador-geral de esportes da Rádio Clube do Pará, Giuseppe Tommaso. O campeão da Copa Norte tem folha salarial de R$ 250 mil e levou 35 mil pessoas, em média, nos seis jogos disputados no Mangueirão. No Centro-Oeste, o Goiás já se firmou como um dos nossos melhores clubes de futebol, com ótima estrutura e excelente trabalho nas divisões de base. Perto da capital goiana, o Brasiliense, no rastro do Gama, chegou meses atrás à final da Copa do Brasil, um dos torneios mais importantes do País. Contou com apoio irrestrito do ex-senador Luis Estevão, cassado após denúncias de corrupção, e dono do clube. E só perdeu a decisão para o Corinthians por causa de erros do árbitro Carlos Eugênio Simon. Por pouco, depois de eliminar de maneira inquestionável Fluminense e Atlético-MG, a equipe de Brasília não garantiu presença na Copa Libertadores. "As forças se equivalem graças à seriedade de profissionais e à renovação permanente de craques em todos os cantos do País", disse o presidente da Federação de Futebol de Brasília, Weber Magalhães, chefe da delegação da equipe pentacampeã na Coréia e Japão. Ainda por Brasília, o CFZ, clube de Zico fundado nos anos 90 e que migrou parcialmente para o Distrito Federal, venceu o campeonato local e terá uma oportunidade na próxima Copa do Brasil. "Foi uma maneira de fugirmos à bagunça no futebol carioca. Acho que a tendência hoje no Brasil é essa: a do equilíbrio", declarou Zico, contratado para ser técnico da seleção japonesa até a Copa do Mundo de 2006. No Rio, o Americano de Campos, time do presidente da Federação de Futebol do Estado, Eduardo Viana, alcançou o vice-campeonato carioca deste ano, perdendo para o Fluminense na final. Depois, o time do interior fluminense foi desfeito - a maioria de seus titulares transferiu-se para o Vasco. O grande número de bons jogadores negociados para o exterior e a falta de dinheiro que tem levado clubes tradicionais à falência podem ser apontados como fatores que levaram a essa equivalência. Mas não se deve desprezar o empenho crescente de outros centros. Como no Paraná, onde reside o atual campeão brasileiro, o Atlético-PR, proprietário de um excelente centro de treinamento, de 250 mil metros quadrados, que já serviu à seleção brasileira, e de um estádio moderno, nos moldes dos europeus. "O custo da ´Arena da Baixada´ girou em torno de US$ 25 milhões e queremos ampliá-lo", disse o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia. "Antes, os jogadores só pensavam em atuar no Rio e em São Paulo. Houve uma descentralização sadia para o futebol brasileiro", acrescentou. Para Nairo Ferreira, presidente do São Caetano, essa nova divisão pode ser explicada por um aspecto: "No caso do meu clube, ele é administrado como se fosse uma empresa, sem politicagem."

Agencia Estado,

03 Agosto 2002 | 15h27

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