Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

'Os 12 da Superliga garantem bônus de boas-vindas de até R$ 2 bi do banco JP Morgan'; leia análise

Para advogado especialista em direito desportivo, que vive na Inglaterra, proposta de competição visa aumentar os lucros dos clubes, mas pode causar grande impacto nos contratos dos jogadores

Nilo Effori*, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2021 | 10h00

Uma notícia balançou sem precedentes o mundo do futebol nesta semana. Doze clubes fundaram a chamada Superliga Europeia. São eles Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham, todos esses da Inglaterra, se juntariam ao Milan, Juventus e Inter de Milão (Itália), Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid (Espanha).

Esta competição teria 20 equipes, isto é, os 12 membros fundadores - mais três ainda a aderir - seriam permanentes e nunca enfrentariam o rebaixamento. Cinco outros se qualificariam a cada ano. Já a Uefa esperava que os planos para uma nova Liga dos Campeões de 36 equipes - com reformas marcadas para serem confirmadas na segunda-feira – pudessem parar a Superliga. 

Talvez, senão o óbvio ponto principal para os agora chamados "clubes rebeldes", será o impacto financeiro para estes clubes. Os 12 clubes de futebol que assinaram um acordo vinculativo para formar a Superliga garantiram um "bônus de boas-vindas" no valor de € 200 milhões (R$ 1,3 bilhão) a € 300 milhões (R$ 2 bilhões) para cada clube.

O financiamento inicial para a nova liga será fornecido pelo banco americano JP Morgan Chase, que se comprometeu colocar à disposição uma "concessão de infraestrutura" de € 3,25 bilhões (R$ 21 bilhões) que será compartilhada entre os clubes, cujo pagamento será feito em 23 anos (€ 264 milhões por clube cada ano, ou seja, R$ 1,7 bilhão) e cuja garantia de tal empréstimo e investimento a ser dada os direitos de TV para esta competição.

A nova competição vai gerar mais receita do que a Liga dos Campeões, que paga cerca de 2 bilhões de euros (R$ 13 bilhões) por ano. Com a Superliga, os clubes esperam gerar mais de 10 bilhões de euros (R$ 66 bilhões) nas primeiras temporadas.

Tal lançamento serve para diminuir o difícil ano que os principais clubes europeus tiveram devido à pandemia. Real Madrid teve suas receitas diminuídas em mais de € 60 milhões (R$ 400 milhões), Manchester United em € 118 milhões (R$ 787 milhões).

Sob o ponto de vista legal, Fifa e Uefa avisaram que os jogadores que participarem da Superliga serão banidos do futebol internacional. Isso significaria que a Copa do Mundo de 2022 do próximo ano no Catar aconteceria sem jogadores de Real Madrid, Barcelona, Juventus, Inter de Milão, Manchester United e Liverpool, entre outros.

Os impactos nos contratos dos jogadores poderiam imensos. Alguns atletas poderiam buscar a quebra dos seus contratos por justa causa.

Por outro lado, os organizadores da Superliga já tomaram medidas para proteger sua posição legalmente. Isso pode incluir pedir aos tribunais nacionais do Reino Unido, Espanha ou Itália, onde os clubes confirmados estão sediados, que emitam uma declaração de que as regras da Uefa, da Premier League e de outros órgãos que impedem uma ruptura são anticompetitivas e, portanto, ilegais. É esperar para ver!

* SÓCIO DO ESCRITÓRIO EFFORI SPORTS LAW, SEDIADO EM LONDRES

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