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A ousadia final

Grêmio suou, passou e fica à espera do Real para fechar 2017 em grande estilo. Por que não?

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2017 | 04h00

Sempre tem aquele chato que vai dizer assim: “Ah, mas o Grêmio não jogou grande coisa.” Certo, o nosso tricampeão sul-americano não deu show contra o Pachuca, como aconteceu na final da Copa Libertadores diante do Lanús, na Argentina. Sofreu um bocado até. Mas venceu, está na final do Mundial de Clubes, mantém vivo o sonho do título, para tornar a Terra mais azul. 

O mesmo sujeito pode argumentar: “Ah, mas foi na prorrogação.” Sim, e daí? Faz parte do regulamento, não é desdouro para ninguém nem significa mutreta ou favorecimento. Já aconteceu em Copas do Mundo, entre seleções, e valeu até o tetracampeonato para o Brasil, para ficarmos em exemplo em casa. Lembra? Em 1994 – e nos pênaltis. Aliás, em pênalti desperdiçado por um adversário (o Baggio). 

Ainda o inconformado com a classificação lança a previsão catastrófica: “Ah, se pegar o Real Madrid vai levar uma surra e tanto.” Pode ser, também é do jogo. Os europeus são uma multinacional da bola, têm no mínimo um astro para cada posição. Porém, é bom lembrar que ainda precisam classificar-se, devem passar pela etapa semifinal. O Grêmio vai assistir nesta quarta-feira de camarote ao duelo do time espanhol contra o Al Jazira.

A verdade se expôs no gramado do estádio Hazza bin Zayed, em Al Ain, nos Emirados Árabes: o Grêmio continua a ser o mais competitivo dos times de cá, ao menos na atual temporada. Teve trabalho, suou para eliminar o rival mexicano, garantiu-se com gol de Everton no começo da prorrogação e entregou-se até a última assoprada no apito. Concentrou na seriedade e no empenho, qualidade técnica à parte, os principais méritos para avançar numa competição de tiro curto e às vezes incerto. Internacional e Atlético-MG são brasileiros que escorregaram nessa etapa.

Jogo equilibrado, sobretudo no tempo normal, em que faltaram grandes momentos de emoção. O Grêmio não repetiu a postura do duelo com os argentinos, na partida de duas semanas atrás. Ou seja, não acelerou desde o início, não mostrou de cara que iria mandar em campo, não atormentou o goleiro Pérez. 

Ao contrário, topou com um Pachuca ajustado e limitado, aplicado e atento, comedido e cauteloso. Para não ser surpreendida, a turma de Renato Gaúcho também ficou à espreita, sem pressa, em ritmo moderado quase parando. Consequência dessa vigilância mútua foi uma primeira fase sem graça, com raras finalizações – as do Grêmio em cobranças de falta, para o Pachuca, na forma de investidas de fora da área.

Ambos saíram da letargia na segunda metade. Mexe daqui, muda dali, Grêmio e Pachuca se lançaram um pouco mais à frente. Daí, despontaram as jogadas mais importantes, que exigiram atenção das defesas e trabalho para Grohe e Pérez. Não foi muito, ressalve-se; no entanto, sem a monotonia anterior.

Renato alterou melhor o Grêmio, que ficou mais rápido com Jael no lugar de Barrios e com Everton na vaga de Michel. A dupla deu trabalho para os mexicanos. (Noves fora os dois, sentiu demais a ausência de Arthur, contundido, que não viajou e deu uma palha como comentarista convidado da transmissão da Rede Globo.) 

A parada dura resolveu-se na base do talento, da ousadia – no caso, com Everton, que acelerou na entrada da área, gingou, abriu espaço e lascou a sapatada no gol de Pérez. Dali em diante, o Pachuca desabou, bateu o cansaço (jogara prorrogação também com o Wydad Casablanca) e o Grêmio contou com o tempo como aliado. Cumpriu a primeira tarefa.

Resta a final, e não há o que temer se topar com o Real Madrid. Sem complexo de inferioridade, e como constatação, os espanhóis são mais fortes. E, sem excesso de reverência também, não significa que sejam imbatíveis. Se fosse para jogar a toalha antes da hora, nem valeria a pena viajar. O Grêmio já fez tantas proezas em 2017, por que não fechar com a maior de todas? Não é loucura nem presunção. 

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