Hélvio Romero/Estadão
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A revolução do Flamengo

Clube já tinha dinheiro, mas agora tem maior profissionalismo e ambição no futebol

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2019 | 04h00

Em 2012, um grupo de empresários, executivos, profissionais que carregam o rótulo de “bem-sucedidos”, homens que têm destaque no trabalho e boa/ótima situação financeira, começou a se reunir. Em comum, um clube, o time de coração. Começava ali a revolução no Flamengo.

As eleições de dezembro tinham a então presidente Patrícia Amorim tentando se reeleger e o candidato desse grupo, Wallim Vasconcelos, que teria sua candidatura impugnada por penduricalhos estatutários. Faltavam cerca de duas semanas para o pleito quando procurou um velho amigo.

Também associado e capaz de preencher todas as exigências burocráticas para se candidatar, Eduardo Bandeira de Mello era seu colega de BNDES, onde trabalharam juntos. Como estava se aposentando, tinha tempo livre. Topou.

Patrícia foi derrotada nas urnas. Fim de uma administração carente de títulos e com disparada no endividamento. Quem votou não pensava em Bandeira, então um desconhecido, mas naquele grupo que se propunha a mudar os rumos do clube de maior torcida no Brasil. Era um voto de confiança.

A nova era começou em 2013 com renegociação e pagamento de dívidas, ajustes financeiros, busca de novas receitas e cortes no futebol. Os rubro-negros apertavam o cinto pra valer. Ainda assim, com um time modesto, o que era possível naquele momento, ganharam a Copa do Brasil logo no primeiro ano.

Depois disso o Flamengo não foi além de estaduais, mesmo com o investimento crescente no futebol a partir de 2015. Bandeira já estava rompido com parte do grupo, inclusive seu velho amigo Wallim. Com a caneta presidencial nas mãos, resolveu participar ativamente do futebol.

Por maior que fosse sua boa vontade, era alguém tão capaz de comandar o futebol quanto seria um esquimó tentando vender cervejas nas praias cariocas. Foi a fase do “cheirinho”, expressão criada pela torcida rubro-negra com a possibilidade de título em 2016 e que se voltou contra o clube.

Em 2014 viria a dramática eliminação na semifinal da Copa do Brasil para o Atlético, tomando uma virada no placar agregado de 3 a 0 para 4 a 3. Foi um ano em branco o de 2015, mesmo com a chegada de Guerrero. Em 2016 a falta de fôlego para brigar até o fim pela Série A.

O ano mais desastroso seria 2017, com eliminação na fase de grupos da Libertadores, mesmo com o mais caro elenco da chave, e com um gol do San Lorenzo no último lance. Viriam, ainda, os títulos perdidos em finais na Copa do Brasil, para o Cruzeiro, e Sul-Americana, ante o Independiente.

Ainda naquela temporada, mesmo com um time mais forte do que o de 2016, o Flamengo terminou o turno 18 pontos atrás do Corinthians, que liderava com elenco inferior e seria o campeão brasileiro. E festejaria pateticamente o sexto lugar, que levou à Libertadores, da qual seria eliminado em 2018 em novo confronto com o Cruzeiro.

Com Bandeira o Flamengo já investia e tinha elenco para ser campeão. Mas o cheirinho persistia, reflexo da insistência em técnicos sem preparo e jogadores que hoje estão em times de segunda divisão ou caminho dela. Havia desconhecimento sobre futebol em uma gestão de pouca cobrança profissional. Eram como âncoras.

Livre delas, com nova gestão, o Flamengo usou seu poderio econômico para buscar jogadores de melhor qualidade. E apesar do crasso erro na contratação de Abel Braga, quando ele se demitiu soube buscar uma opção corajosa que mudaria por completo o rumo, o português Jorge Jesus. Hoje o futebol do clube é gerido com maior profissionalismo e ambição. Era o que faltava. Só dinheiro não basta para ser campeão duas vezes em 25 horas.

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