Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

A seleção brasileira está pronta

Se você analisa o crescimento da seleção nas três partidas, você chega à conclusão que o time está preparado

Vanderlei Luxemburgo*, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 21h30

Em momento algum desconfiei que o Brasil não passaria da primeira fase. Pelo contrário. Sempre tive certeza de que a seleção se classificaria. Teve um momento de incerteza, de alguma cobrança, mas isso também serviu para que o Tite analisasse o time e até cobrasse alguns jogadores. Os resultados iniciais, como o empate com a Suíça, principalmente, provocaram instabilidade. Isso porque os rivais eram teoricamente mais frágeis. Mas é normal esse tipo de começo no futebol. Agora, depois da vitória sobre a Sérvia, e de como ela foi, continua vendo um Brasil candidato ao título, com potencial enorme de ficar com a taça na Rússia.

+ Robson Morelli - Enfim, uma partida sóbria do Brasil

O Brasil cresceu na competição. Isso é fundamental, importante. Porque vimos o México jogando muito contra a Alemanha (vitória de 1 a 0), fazendo uma segunda partida mais difícil e jogando muito mal na terceira – derrota de 3 a 0 da Suécia. A seleção fez o caminho inverso. Cresceu quando precisava crescer, e isso mostra que o Brasil é um time de decisões, de jogos duros. Porque era classificar ou voltar para casa. Era preciso ser consistente. E isso aconteceu.

O futebol te permite a arrumar situações de uma partida para a outra, corrigir esquemas até em função de lesões, o que ninguém quer que aconteça. Mas o futebol é assim. É preciso ainda levar em conta uma série de fatores do grupo. A Copa é novidade para alguns jogadores, como o Coutinho. Ocorre que a cobrança no Brasil é grande demais. É pesada. Ou tudo presta ou não presta nada. Não pode ser assim. Todos nós nos lembramos de Parreira, de Zagallo... Perdeu, o cara é escorraçado. Não presta.

É preciso pensar no processo de trabalho, no processo do futebol. Dessa forma, o Brasil chega bem para as oitavas de final. E faço uma pergunta: o que decidiu o primeiro jogo do Brasil? Nada.

Agora, se você analisa o crescimento da seleção nas três partidas, você chega à conclusão que o time está pronto e preparado para disputar as fases de mata-mata.

Queria dar um pitaco sobre o Neymar também. Ele está sendo cobrado para ser o protagonista desta Copa, da seleção brasileira. Mas ele ainda não está pronto, não tem idade para isso. O Pelé em 1962, por exemplo, era coadjuvante. Em 1970, se ele não fosse o "cara", outros seriam. O próprio Maradona quando ganhou não era mais um menino. Era um jogador pronto.

Existe muita carência no Brasil e o Neymar é nosso único craque. Então, ele é muito cobrado por isso. Tem mais. Temos a petulância de achar que o Neymar tem de ser do jeito que a gente quer. Não é isso. Ele não pertence ao nosso mundo. Ele é do mundo virtual, das redes sociais, da internet. Não é como Pelé nem como qualquer outro jogador de outros tempos. Não podemos tirá-lo do seu mundo. Eu sei que ele paga o preço por isso, mas se tiver personalidade e segurar a onda, está tudo certo. Não deixava minhas filhas usarem piercing no nariz. Mas minha filha deixa minha neta usar. O mundo mudou, gente!

Agora, eu mesmo disse ao Neymar que ele não precisa fazer algumas coisas em campo, coisas do futebol que são desnecessárias. Ele vai aprender isso com o tempo, com a maturidade, com as partidas.

 

*TÉCNICO DE FUTEBOL E COMENTARISTA

 

 

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