Lucas Figueiredo|CBF
Lucas Figueiredo|CBF

'A tecnologia completa a sensibilidade do Tite', diz Edu Gaspar

Comissão técnica usa novas técnicas de análise de desempenho e até um Hipod

Entrevista com

Edu Gaspar, coordenador de seleções da CBF

Lucas Figueiredo|CBF
Lucas Figueiredo|CBF
Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2016 | 07h00

Em seis meses, o técnico Tite se tornou a cara da retomada da seleção brasileira, com seis vitórias em seis jogos e a liderança nas Eliminatórias Sul-Americanas. A base dessa campanha, no entanto, tem outros rostos. Um deles é o do chefe de Tite, o coordenador técnico da seleção Edu Gaspar. Ao lado do próprio treinador, ele é um dos responsáveis por uma nova organização da forma de trabalho da comissão técnica, com cartão de ponto batido diariamente na sede da CBF, novas ferramentas de análise de desempenho dos jogadores e o pé na estrada para observar jogadores de perto. Foram 80 jogos vistos pela comissão técnica in loco, 18 deles fora do Brasil. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele fala sobre a tabelinha de seis anos com o treinador que virou unanimidade nacional. 

Como explicar essa retomada da seleção após a Copa?

O Tite é um técnico extraordinário. Ele consegue combinar o conhecimento tático com um lado humano, educado e sensível. Os jogadores perceberam isso. Com o trabalho da comissão técnica, conseguimos trazer os atletas para uma realidade futebolística que a gente acredita que deve formar o trabalho da seleção. 

O que é ser chefe do Tite?

Temos um entrosamento muito grande, desde a época do Corinthians. Já trabalhamos juntos há seis anos. Mas, em alguns casos, considero o trabalho do treinador acima do cargo do gestor. Quem toma a última decisão é o treinador. Estamos sempre bem alinhados. 

Como funciona o trabalho no cotidiano? 

Temos uma dinâmica antes e outra depois da convocação. Na primeira, o cotidiano se parece com as empresas, com o mundo corporativo. Eu, o Tite e os auxiliares estamos na CBF todos os dias. Faço a coordenação técnica, logística, análise dos regulamentos, a parte de gestão. Um dos desafios é trabalhar sem o campo de futebol. Depois da convocação, vivemos a dinâmica dos treinos, estratégia do jogo e análise mais detalhada do adversário. 

O que é trabalhar sem o campo de futebol?

Nos clubes, a dinâmica de trabalho é feita nos treinos. A seleção brasileira só consegue fazer isso depois da convocação. 

Como contornar isso?

Uma das estratégias foi observar os jogos e treinos in loco. Quando conseguimos observar o jogador de perto, aumentamos as chances de uma convocação correta, trazendo sempre os melhores atletas. Outra saída foi usar a tecnologia. 

Que tipo de tecnologia?

Temos o Centro de Pesquisa e Análise que analisa os jogos em vídeo com inúmeras informações e estatísticas. Tudo muito detalhado e minucioso. Além disso, temos novas ferramentas de análise de desempenho como o Hipod, que ajuda nas observações táticas. 

Como funciona?

É uma espécie de mastro na beira do gramado com uma câmera e um visor na altura do operador. As imagens são feitas de uma altura de até sete metros para captar a movimentação de um time. Na sede da CBF, temos telões interativos para analisar as partidas. 

Você trouxe essas ideias da Inglaterra?

Uma parte sim. Fiz vários cursos de gestão lá, mas os da CBF também. Desde a época do Corinthians (foi gerente de 2010 a 2016), nós criamos uma forma de trabalho e, neste ano, passamos a adaptá-la à seleção. A tecnologia faz parte do cotidiano e completa a sensibilidade do Tite. 

Tudo o que sabemos sobre:
TiteCBFBrasilCorinthians

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.