Alexandre Vidal/Flamengo
Alexandre Vidal/Flamengo

A trajetória de Reinier: início no Vasco e Fluminense até engrenar no Flamengo

Promessa de 17 anos foi destaque na vitória do Rubro-Negro sobre o Fortaleza nesta quarta e não representará o Brasil no Mundial da categoria por decisão do clube

João Prata, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 13h00

O meia-atacante Reinier, de 17 anos, viveu o impasse nos últimos dias entre atuar pelo time principal do Flamengo na reta final do Campeonato Brasileiro e disputar a Copa do Mundo pela seleção brasileira sub-17 - o torneio acontece entre o dia 26 e 17 de novembro. Ele não se envolveu na queda de braço da CBF com o clube e apenas cumpriu a determinação de seguir em sua equipe.

A diretoria rubro-negra não liberou o jogador. Chegou a ingressar com uma ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) porque entende que as competições de base não são consideradas Data Fifa. Por isso, não precisava liberar o jogador para a CBF. A medida judicial foi cancelada posteriormente. O coordenador da base da seleção, o ex-jogador Branco, reclamou que havia um acordo verbal entre as partes e esse combinado não foi cumprido.

"O Pedro Lucas foi convocado no lugar do Reinier. O motivo foi o não cumprimento de um acordo de cavalheiros que a gente tinha feito, um acerto da CBF com o clube. Como ele não se apresentou na data combinada, a gente tomou a decisão de convocar o Pedro, jogador da posição chamado em outras oportunidades", informou o dirigente em comunicado oficial. 

Vale lembrar que o Flamengo cedeu outros três jogadores para a seleção sub-17 e tinha a intenção de liberar Reinier após o clássico de domingo com o Fluminense, no Rio. O clube justificou estar bastante desfalcado após as lesões de Diego, Arrascaeta e Everton Ribeiro, todos da mesma posição de Reinier. A CBF bateu o pé para o cumprimento da data estipulada de apresentação e tirou o atleta da lista. O episódio trouxe rusgas no relacionamento da entidade e do time carioca. 

Reinier teria ficado chateado pelo corte e pelo fato de não disputar a Copa do Mundo, mas teve de cumprir a determinação do Flamengo. No primeiro jogo pelo Rubro-Negro após o fim da questão, ele entrou no segundo tempo da partida contra o Fortaleza e marcou gol que garantiu a vitória do Flamengo por 2 a 1 fora de casa. "Seleção para mim agora é passado", declarou o jogador na saída do campo. Ele também evitou manifestar sua opinião sobre o assunto. "Os maiores do que eu decidiram que não tinha de ir. Foi importante marcar o gol da vitória para mim e para o grupo", completou.

TRAJETÓRIA

Nascido em Guará, cidade satélite de Brasília, Reinier se mudou para o Rio ainda criança, com nove anos, mas já com o sonho de se tornar jogador de futebol. Ele veio apenas com o pai, Mauro, ex-jogador de futsal, campeão mundial pela seleção brasileira em 1985. A mãe e a irmã continuaram no Distrito Federal.     

O primeiro clube que os recebeu foi o Vasco, mas não deu certo. O garoto foi dispensado depois de seis meses. A segunda oportunidade apareceu no Fluminense, onde permaneceu por um ano. Mas a parceria também não vingou por mais tempo. Em 2014, com 12 anos, Mauro conseguiu para o filho um teste no Flamengo. Deu certo e o garoto se firmou nas equipes inferiores.

Reinier ajudou a base do Flamengo nas conquistas de Estaduais. Aos poucos, foi ganhando espaço no clube. Ele já morava com os pais no início do ano quando aconteceu o incêndio no Ninho do Urubu. Chorou a morte dos amigos. Da vaga de titular a se tornar protagonista não demorou muito. Com 15 anos, Reinier foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira. "Meu pai recebeu a mensagem e veio me contar. Estava deitado, mas saí pulando pela casa de alegria, dando volta pelo quintal, gritando. Foi a realização do primeiro sonho como jogador", contou no canal independente de Youtube Feras da Base.  

A experiência inicial com a camisa 10 do Brasil foi de certa maneira frustrante com o vice-campeonato do Sul-Americano Sub-15, disputado na Argentina. A seleção brasileira abriu vantagem de 2 a 0 na decisão contra os donos da casa, mas relaxou e permitiu a virada por 3 a 2. "Demos mole, não seguramos o jogo. Fica a lição", disse.

A Copa do Mundo Sub-17 seria a oportunidade de Reinier disputar seu primeiro grande torneio contra seleções europeias. Seria bom para ele. O torneio é também uma vitrine. Apesar do impedimento, clubes do outro lado do Atlântico já estão de olho no futebol do garoto. O Real Madrid foi uma das equipes que sondaram a revelação brasileira. O Everton, da Inglaterra, estaria disposto a pagar 40 milhões de euros (R$ 184 milhões) por ele. Mas o Flamengo planeja faturar mais alto com uma eventual negociação e estipulou multa de 70 milhões de euros (R$ 322 milhões) pela rescisão. 

Reinier tem contrato com o Rubro-negro até o fim de 2020. O clube planeja anunciar em janeiro renovação até 2024 para não correr risco de perdê-lo de graça. Isso porque, do jeito que está, a partir de julho do ano que vem, o garoto fica livre para assinar pré-contrato sem custos de rescisão para o eventual interessado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.