Reprodução/ Twitter
Reprodução/ Twitter

A troca de técnico não oferece nenhuma garantia de melhora ao torcedor

Diretoria demite Jardine, contrata Cuca, entrega o elenco para Mancini e tenta encontrar seu caminho em 2019

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 14h36

 

Caro leitor,

Queria dividir com vocês algumas das minhas preocupações com a fase do São Paulo neste começo de temporada. A troca de técnico em fevereiro foi o caminho encontrado pelo clube para acabar com seus problemas dentro de campo. A garantia que isso dê certo é a mesma das outras sete vezes em que o presidente Leco e seus pares do comando fizeram isso. A demissão de André Jardine e a contratação imediata de Cuca não oferece ao torcedor nenhuma certeza, nenhuma garantia, embora não haja dúvidas de que Cuca é melhor e mais experiente do que Jardine. Cuca é o oitavo treinador da gestão do atual presidente, conforme o Estadão conta nesta reportagem. Jardine foi mais um que o diretor de futebol Raí garantiu que terminaria o seu contrato no clube e que não terminou. O futebol do São Paulo tem esses rompantes. Demitir Diego Aguirre no fim do ano passado abriu o caminho para a crise.

A troca neste mês certamente foi motivada, além da falta de resultados positivos, pela pressão sofrida pelo clube e pelo ambiente ruim no vestiário. Há jogadores correndo errado. Há jogadores fora de posição. Cuca foi contratado, mas não chegue neste momento. Ele termina tratamento de saúde e, de acordo com o São Paulo, fará sua estreia dia 15 de abril. Tem chão. Jardine foi demitido, mas não sai. Tem a opção de permanecer no clube em outras atividades. Vai tirar uns dias de folga para desaparecer do cenário e retomar sua função nas bases ou na tarefa de auxiliar Cuca no time profissional. Precisa aceitar o convite ou tomar seu rumo.

Mas quem então vai comandar o time? O gerente de futebol Vagner Mancini, que jurou quando contratado para ser gestor que jamais voltaria a atuar à beira do gramado, condição que Leco e Raí aceitaram prontamente, como era da vontade de ambos. Todos mudaram de ideia, no entanto, e agora o São Paulo busca caminhos para sair de sua crise e aplacar as derrotas neste começo de ano. Derrotas e a eliminação precoce da Libertadores. Ouça aqui o psdcast do Estadão sobre os rumos que o time busca após seguidos fracassos. O fato é que o comando técnico do São Paulo é interino, gostem ou não os torcedores.

Mancini e Cuca se falam o tempo todo. Deixar Diego Souza, Nenê e Jucilei no banco numa mesma partida é decisão do novo treinador, o verdadeiro, que promete antecipar seu tratamento médico para voltar a trabalhar o quanto antes. Cuca foi apresentado com um discurso de que o grupo é bom e precisa ter mais confiança. Vai tentar fazer a cabeça dos caras. Vejo um outro problema: a condição técnica de alguns atletas e a dificuldade de todos formarem um time, a exemplo do que vimos recentemente em relação ao próprio Talleres, que eliminou o São Paulo da Libertadores, eo Racing, que deu suador no Corinthians. 

A derrota para o Corinthians em Itaquera, mais uma, fez o time do Morumbi virar chacota na redes sociais. Perdeu de novo. Você sabia, por exemplo, que dos 51 últimos clássico dos São Paulo na condição de visitante, o time só ganhou seis? Veja reportagem do Estadão sobre isso. É muito pouco para o grande o São Paulo.

A crise se agrava a cada rodada do Campeonato Paulista, conforme denuncia a tabela. Há são-paulinos fazendo conta se dá para se classificar. Ele avançam as datas no calendário esportivo para saber quem são os próximos rivais da primeira fase do Estadual. Faltam poucos jogos para o Tricolor se garantir entre os dois melhores do seu grupo. Mas a disputa é grande. E se isso não ocorrer, o Morumbi vai virar um inferno. A torcida tem protestado e promete não dar trégua a jogadores, comissão técnica e dirigentes. Fora da Libertadores, o desafio agora é se garantir no Paulistão. E ganhar. Só isso aplacaria a ira do torcedor. O caminho deste São Paulo em 2019 é longo e cheio de curvas, que contaremos aqui capítulo por capítulo. O último título do time foi em 2012, na Sul-Americana. Isso já tem sete anos. Isso já deixa muitos torcedores incomodados.

A discussão mais recente no clube é sobre a condição do goleiro Volpi, o quinto a vestir a camisa que era de Rogério Ceni sem sucesso. O goleirão andou falhando e já teve seu nome gritado negativamente por alguns trocedores. Por enquanto, Mancini/Cuca/Jardine continuam a dar um voto de confiança ao jogador. Por enquanto.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.