Washington Alves/Divulgação
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'A vantagem é boa, mas não é definitiva', avalia técnico do Cruzeiro

Marcelo Oliveira reconhece bom momento do time, mas destaca que ainda restam 16 rodadas

MARCIO DOLZAN e VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Marcelo Oliveira esteve muito perto de conquistar um título nacional duas vezes, ao levar o Coritiba às finais da Copa do Brasil de 2011 e 2012. Vasco e Palmeiras, porém, impediram o treinador de entrar no seleto grupo dos técnicos campeões do Brasil. Mas a chance de escrever seu nome definitivamente na história do futebol do País aparece novamente agora. O Cruzeiro é líder do Brasileirão com sete pontos de vantagem, apresenta um futebol sólido e desponta como favorito. "Mas quando você lembra que ainda faltam 16 jogos, 48 pontos, você fica muito firme nisso, para não distrair. É preciso manter o foco, nunca a zona de conforto", ensina o treinador. Nesta entrevista ao Estado, Marcelo Oliveira fala sobre a rivalidade com o Atlético-MG, a reformulação do elenco do Cruzeiro e as expectativas para o restante da competição.

ESTADÃO - Você é mineiro, fez história como jogador do Atlético-MG (que também já treinou) e agora comanda o Cruzeiro. É diferente dos trabalhos que realizou em outros estados?

MARCELO OLIVEIRA - É um trabalho absolutamente igual, claro que em outras circunstâncias, com um período maior e com planejamento, em início de temporada e formação de elenco. Mas é absolutamente igual, com o mesmo comprometimento e mesma intenção de chegar a um objetivo grande.

ESTADÃO - O elenco do Cruzeiro foi praticamente remontado, sendo que os jogadores foram construindo uma identificação com o clube ao longo do ano. Como foi trabalhar isso?

MARCELO OLIVEIRA - Permanecemos com alguns jogadores da temporada passada, e montamos o elenco baseados em três pilares: subimos cinco jogadores que foram muito bem nos campeonatos de juniores, como a Taça São Paulo; trouxemos jogadores que nós monitoramos na Série B e na Série A, de outras equipes, que nós percebemos possibilidade de crescer no Cruzeiro, que é o caso do Everton Ribeiro, do Lucca, do Ricardo Goulart e de outros; e outros jogadores com mais experiência, com mais bagagem, para formar esse elenco. Essa mescla dá uma sustentação boa.

ESTADÃO - Você considera que o título da Libertadores do Atlético-MG influenciou de alguma forma o ânimo do Cruzeiro, para dar uma espécie de "troco" no Brasileirão?

MARCELO OLIVEIRA - Não, não. A mesma toada, a mesma forma com que nós começamos o ano nós estamos hoje, independentemente do título do adversário. Isso aí fica mais para o torcedor e para a mídia. Aqui não, aqui nós estamos firmes no mesmo propósito desde o início, há quase um ano, que tem sido maravilhoso.

ESTADÃO - Como treinador você detém o recorde de 24 vitórias consecutivas (pelo Coritiba), e já são oito seguidas no Cruzeiro pelo Brasileirão. Você procura fazer suas equipes se portarem da mesma forma em todos os jogos?

MARCELO OLIVEIRA - Esporadicamente um jogo ou outro você cria alguma coisa específica, mas a linha de conduta característica é difícil de mudar, até pelo perfil dos jogadores. A gente joga num 4-2-3-1, mas com jogadores técnicos: são dois laterais que passam, Maike e Egídio ou Ceará e Egídio, que saem rápido para o ataque sempre; dois volantes que jogam também, eventualmente o Nilton chega, ou o Lucas, ou o Souza quando estava jogando; e três meias que são de características ofensivas. Agora, o que eu estou tentando, que eu tentei no Coritiba e aqui tem dado certo, é fazer com que esses jogadores técnicos participem da recomposição e da marcação.

ESTADÃO - A sequência de oito jogos é igual a de 2003, quando o Cruzeiro foi campeão brasileiro com campanha extraordinária. Dá para comparar os dois times ou os dois campeonatos?

MARCELO OLIVEIRA - Eu não gosto desse tipo de comparação. É uma outra história, um outro período. A gente tem um time em formação, aquele time já tinha uma base do ano anterior. Mas a gente fica satisfeito, porque aquele foi um ano inesquecível para o clube, e essas comparações indicam que o caminho está certo, que a gente está indo bem e que pode vir a concretizar com conquista, que seria o mais importante.

ESTADÃO - O Cruzeiro já abriu uma boa vantagem em relação ao segundo colocado. O time já pode ser considerado o grande favorito ao título?

MARCELO OLIVEIRA - Se você olhar a tabela friamente, você vê essa diferença e acha ela importante. Mas quando você lembra que ainda faltam 16 jogos, 48 pontos, você fica muito firme nisso, para não distrair. Você fica contente com aquilo que já fez, mas é preciso manter o foco, nunca a zona de conforto. A vantagem é boa, mas não é definitiva.

ESTADÃO - Você avalia que a manutenção do foco é a parte mais difícil até o fim do campeonato?

MARCELO OLIVEIRA - A conversa que eu tive ainda hoje [sexta] com os jogadores é de não só manter o que já fez, mas tentarmos cada um de nós agregar algo a mais. O momento é bom, nos satisfaz, mas é preciso agregar algo a mais nesses jogos importantes e decisivos que a gente tem pela frente.

ESTADÃO - O Cruzeiro é o único clube entre os cinco primeiros que já não disputa a Copa do Brasil. Isso não chega a ser uma vantagem?

MARCELO OLIVEIRA - A gente deve considerar como vantagem, sim. Não é uma coisa definitiva, mas é uma questão que, queira ou não, desgasta - alguém vai se desgastar emocionalmente e fisicamente também -, e de repente a gente pode se aproveitar disso. Mas isso tudo é teórico, no campo às vezes as coisas se modificam.

ESTADÃO - Como é enfrentar um Corinthians em crise?

MARCELO OLIVEIRA - O Corinthians, em qualquer circunstância, é muito forte. Tem praticamente o mesmo elenco que fez sucesso em tão pouco tempo, e tem o mesmo técnico que é muito bom. A gente tem que pensar no nosso jogo, no que a gente vai fazer para tentar essa vitória.

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