Tractor Football Club
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'A vida no Irã tem muitas restrições, mas eles adoram os brasileiros', diz atacante Mazola

Ex-jogador do São Paulo tenta se adaptar à cultura e aos hábitos do país islâmico

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 17h23

Em Tabriz, assim como acontece na maioria das cidades iranianas, os homens não podem usar shorts ou bermudas em público. É proibido. Por causa do calor de 40 graus, esse foi um dos costumes que causou maior estranhamento no atacante Mazola assim que chegou à cidade para defender o Tractor, time da cidade. O ex-jogador do São Paulo, com passagens pela Coreia, Japão e China, está na primeira divisão do futebol iraniano há um mês e está se adaptando dentro e fora de campo.

"Um dia, eu coloquei short, camiseta, boné e desci para tomar café da manhã no hotel. Eu percebi que todo mundo estava me olhando. Pensei que era por causa das tatuagens, que também são proibidas no Irã. Foi aí que o capitão do time me disse que não pode passear de short. A gente só pode ir, treinar e voltar. Andar no shopping não pode", diz o atacante de 30 anos, afirmando que a lista do que não pode é longa.

"A gente pode cumprimentar as mulheres com um aperto de mão, por exemplo. A academia tem horários diferentes para homens e mulheres. Eles não fazem exercícios no mesmo horário. Das 9 às 16h, a academia é das mulheres. Das 17h às 23h é só para os homens", diz Marcelino Júnior Lopes Arruda.

Até 1979, o Irã era um país de costumes ocidentais em pleno Oriente Médio. A partir da chegada do aiatolá Khomeini ao poder, tudo mudou. O país passou a viver sob uma rígida interpretação da religião islâmica. A vitória de Mahmoud Ahmadinejad na eleição presidencial de 2005 tem dado causa a um aumento nas tensões entre o Irã e inúmeros países ocidentais, em especial no que se refere ao programa nuclear iraniano. Os cinco canais de televisão são controlados pelo Estado. Mas na capital, Teerã, as proibidas antenas parabólicas são toleradas pela fiscalização. As mulheres eram proibidas de ir aos estádios

Mazola afirma que os iranianos não discutem todos os temas abertamente. "Não sei o que eles pensam sobre os Estados Unidos, por exemplo, eles são muito fechados. Por outro lado, eles gostam muito de brasileiros. Admiram nosso alegria e nosso jeito mais aberto de se relacionar", opina.

O brasileiro chegou há um mês ao Tractor Football Club, time fundado em 1970 e que herdou o nome de uma fábrica de tratores. O time é comandado pelo técnico turco Mustafa Denizli. Mazola já percebeu o fanatismo da torcida. Os Lobos Vermelhos, nome dado aos torcedores, sempre lotam o Yadegar-e Emam Stadium, que tem capacidade para 67 mil espectadores. "O estádio está sempre cheio e muita gente ainda fica do lado de fora". Na Copa da Rússia, o Irã caiu na primeira fase no grupo com Espanha, Portugal e Marrocos. 

Após a conquista da Copa do Irã em 2014, o time busca o título do principal torneio do país, chamado de Pro Liga. "Escolhi o Tractor, pois gosto de desafios. O futebol do Irã é competitivo. O nosso capitão diz que ele gostam de 'pelear', gostam do contato. É um jogo mais de contato físico do que de a construção de jogadas".

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