A volta de Gabigol

Atacante sabe que fracassou na Europa, mas tem tempo para refazer a carreira

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2018 | 04h00

Aos 21 anos, Gabriel Barbosa já sabe o que é fracassar no futebol. Sem rodeios e tapinhas nas costas, o atacante do Santos é maduro e inteligente para entender que sua aventura na Europa, com as camisas da Inter de Milão e Benfica, não deu certo. Gabigol fracassou.

Em uma releitura de sua passagem de um ano e meio por Itália e Portugal é possível apontar contratempos que podem explicar sua volta precoce. Nenhum jogador falha por um único motivo. Gabigol não estava maduro para brigar por posição e se fazer necessário ao time, principalmente na Inter, clube que o tirou da Vila por quase R$ 100 milhões. Pensou que seria só chegar com seu currículo vencedor, medalha de ouro dos Jogos do Rio, e assumir como titular.

Teve de enfrentar técnicos que também não facilitaram sua vida, como Frank de Boer e Stefano Pioli. Não havia em quem se escorar. Jogador brasileiro é mimado. Os talentosos são mais mimados. Isso faz com que, de modo geral, o atleta espere que tudo aconteça ao seu bel prazer, vontade e desejo. Muitos não carregam sequer sua bolsa. Sempre há um ‘parça’ para os serviços da vida. De modo que, quando deixam o País, sofrem. E no primeiro obstáculo, voltam. Quem não se lembra de Viola reclamando da culinária da Espanha quando jogou no Valencia? Comia bolachas para forrar o estômago.

Gabigol não esperou com paciência sua chance. Resmungava cada vez que ficava no banco e não entrava. Se encantou com a noite de Milão. Passou a treinar mal e menos, bem diferente do garoto que estreou aos 16 anos. A alegria que o levou à Itália foi se transformando em ansiedade, que virou decepção, até o atacante jogar a toalha. Junta-se a isso o jeitão marrento, o bolso cheio e as ideias de um menino de 20 anos. Tem-se um combo fadado ao fracasso. Em Portugal, o filme se repetiu, embora já tenha chegado ao Benfica derrotado. Há que se considerar também a melhor qualidade dos jogadores na Europa comparada ao Brasil.

Sem a pretensão de puxar a orelha do menino, sua história precisa servir de exemplo para outros que aceitam transferências antes do tempo. Décadas atrás, o jogador brasileiro atravessava o Atlântico depois de ganhar tudo no País, mais maduro e sabedor do que encontraria do outro lado, o que também não significava condição de sucesso. Só não era o ponto de interrogação que é hoje. Há ainda o desespero de agentes, e de alguns pais, que empurraram seus clientes, ou filhos, para fora sem avaliar de forma correta as chances do garoto. Pensam no dinheiro e no que a transação pode gerar nesse sentido. Acabam atirando o menino aos leões. Penso que Gabigol foi um desses, embora ele já estivesse sobrando no futebol daqui. Ajudei a avaliá-lo mal.

O bom de sua volta com 21 anos é que terá nova chance de jogar na Europa. Gabigol voltou com o aval da torcida e os cumprimentos de Pelé. Isso deve motivá-lo a jogar com mais vontade. Esquecer o que se passou e focar em seus novos objetivos. Repensar e refazer a carreira.

SÃO PAULO

A derrota para o Corinthians não deve jogar o planejamento pelo ralo. Ainda é cedo. É preciso, no entanto, ter coragem. Coragem de Dorival para unir o grupo em detrimento de um jogador, Cueva. Coragem para atacar. Coragem para arriscar. Dorival precisa ser melhor. Não há tempo para ele no Morumbi. O time não é ruim, mas tem de se provar. Na quarta tem o Madureira pela Copa do Brasil. É o primeiro teste.

PALMEIRAS

Os 100% de aproveitamento no Paulista dão ao time mais confiança e algumas certezas. No quarto jogo, ganhou do Bragantino. É cedo para qualquer avaliação além disso. Em 2017, o Palmeiras se enrolou na hora de decidir. O bom futebol depende de Dudu e Lucas Lima.

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