Abalada, seleção brasileira encara a Suécia em amistoso

Os jogadores não queriam, muito menos o técnico Mano Menezes, mas nesta quarta-feira, às 15 horas (de Brasília), em Estocolmo, eles vão ter de fazer o sacrifício de defender a seleção brasileira no amistoso contra a Suécia apenas quatro dias depois da gigantesca decepção vivida na decisão da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres. E o treinador tem um motivo a mais para considerar essa partida inconveniente, além do previsível clima de abatimento que tomou conta de sua equipe: uma derrota aumentará a pressão - que já é grande - sobre ele.

MATEUS SILVA ALVES, Agência Estado

15 de agosto de 2012 | 07h05

Mano Menezes voltou à situação em que estava antes dos amistosos contra Dinamarca, Estados Unidos, México e Argentina, o que significa dizer que o seu trabalho é muito questionado pela torcida e pela imprensa do Brasil e que não param de surgir rumores de que a CBF está à procura de um outro treinador, por mais que o presidente José Maria Marin se esforce para dar demonstrações de apoio ao gaúcho.

Falar sobre a pressão que pesa sobre seus ombros não é algo que agrade a Mano Menezes, especialmente porque ele diz ter ouvido "muitas besteiras" sobre a derrota para o México e sobre seu trabalho. Sua prioridade agora, segundo ele mesmo, é levantar o moral de seus jogadores e conseguir uma vitória que diminua pelo menos um pouco o sofrimento causado pela perda da medalha de ouro olímpica. "Conversei com os jogadores e disse a eles que é preciso ter a capacidade de reagir rapidamente, ainda mais na seleção. Nós só temos de jogar bem, como fizemos nos amistosos antes dos Jogos Olímpicos, e não nos preocuparmos com nada mais do que isso".

Sabendo que uma vitória dará tranquilidade à seleção (e uma derrota aumentará a tormenta), os jogadores encaram o amistoso como se fosse um jogo de campeonato, conforme deixou bem claro o zagueiro e capitão Thiago Silva. "Para nós não tem nada de clima de festa. A gente que joga sabe que de amistoso esse jogo não tem nada, ainda mais depois do que aconteceu na Olimpíada".

A festa a que ele se referiu é a despedida do estádio Rasunda, palco da final da Copa do Mundo de 1958, que será demolido. Por esse motivo, a seleção vai usar uma camisa azul muito semelhante à usada pelo time na decisão do Mundial sueco. "É legal usar essa camisa para mostrar a caminhada dos que fizeram a história da seleção. Vou guardar a camisa e colocá-la em um quadro", disse Thiago Silva.

Agora que a Olimpíada acabou, a partida desta quarta será a primeira da seleção pensando exclusivamente na Copa do Mundo de 2014. Os jogadores que a disputarão certamente estão em vantagem sobre os demais, mas eles têm consciência de que precisam fazer muito para não assistirem ao Mundial pela tevê ou nas arquibancadas dosa estádios brasileiros. Assim como o treinador.

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