Martin Benetti/AFP
Martin Benetti/AFP

Abatimento de Neymar foi fator para CBF não entrar com recurso

Atacante preferiu desligar-se 'em vez de ficar atrapalhando'

Almir Leite e Gonçalo Júnior, enviados especiais a Santiago, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 12h21

Neymar, agora, voltará inicialmente ao Guarujá. Deve passar alguns dias em companhia do pai, que operou recentemente o joelho. Depois, provavelmente vai curtir férias em um balneário espanhol antes de se reapresentar ao Barcelona. 

A CBF decidiu desistir do recurso que poderia diminuir em um jogo a suspensão de Neymar por dois motivos: a chance de alterar a pena era praticamente inexistente e o próprio abatimento do jogador. Cansado após temporada estressante pelo Barcelona, ele deu sinais de que preferia desligar-se da delegação, entrar em férias e descansar a cabeça, "em vez de ficar atrapalhando''.

Do ponto de vista da legislação esportiva, os indícios dados pelo equatoriano Guillermo Saltos, o presidente da Câmara de Apelações da Conmebol que iria julgar sozinho o recurso, era de que não reformaria a decisão. Dentro da estratégia de defesa, pensou-se até em fazer o jogador se apresentar perante a Saltos. No entanto, seria a primeira vez que a Câmara de Apelações, a segunda e definitiva instância do tribunal da entidade sul-americana, teria uma sessão com a presença do réu. 

Isso traria dois problemas. Saltos poderia não se comover com o arrependimento de Neymar e o caso, em que o jogador está em situação visivelmente desfavorável, continuaria rendendo manchetes. "Não era interessante para ninguém continuar alimentando essa situação, mesmo porque a toda hora surge alguém dizendo que Neymar fez mais do que ele realmente fez. Agora, acabou'', disse pessoa ligada à CBF.

Na noite de domingo, após a vitória por 2 a 1 sobre a Venezuela, a entidade teria recebido o sinal definitivo de que nada faria Saltos mudar de ideia. O recurso ainda não havia sido entregue, o prazo estava ficando reduzido e, então, decidiu-se pela desistência.

Até porque o próprio Neymar estava se sentindo desconfortável. Ele assumiu ter errado perante os companheiros - ao deixar a delegação admitiu isso aos jornalistas - e realmente estava convencido que, ficando com o grupo só para treinar atrapalharia mais do que ajudaria. Além disso, está doido para descansar. 

Por isso, foi batido o martelo sobre sua saída da delegação. Assim, no final da noite do domingo, início da madrugada, os atletas se reuniram, fizeram fotos com Neymar, num ato que marcou a despedida

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.