Ricardo Duarte/Internacional
Ricardo Duarte/Internacional

Abel Braga tem chance de consagrar volta por cima em jogo contra o Flamengo no Maracanã

Triunfo dará ao Inter antecipadamente título que não ganha há 41 anos e será ‘troco’ do técnico a time que o maltratou

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2021 | 05h00

Flamengo e Internacional fazem neste domingo o jogo mais próximo de uma final desde o início do Brasileirão por pontos corridos, em 2003. Ainda que dois dos três resultados possíveis no Maracanã levem a definição para quinta-feira, na última rodada, uma vitória dará aos gaúchos o título brasileiro após 41 anos de espera. De quebra, será a nova consagração de um técnico que deu a volta por cima em sua carreira.

Abel Braga é um dos maiores nomes da história do Internacional. Levou o time à conquista da primeira Copa Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2006. Os dois títulos o alçaram à condição de um dos mais cobiçados treinadores brasileiros nos anos seguintes, mas uma sequência de trabalhos ruins ou questionáveis nos últimos cinco anos derrubaram seu prestígio. Virou quase senso comum que se tratava de um técnico “ultrapassado”.

Uma série de nove vitórias seguidas no Brasileirão – a maior da história dos pontos corridos – e a liderança do campeonato, porém, fizeram Abelão ultrapassar favoritos como Flamengo, São Paulo e Atlético-MG e chegar a esta penúltima rodada como único técnico entre os 20 da Série A com chances de encerrar o dia como campeão.

“Eu estou velho para alguns, pra mim não. Nunca me abalei com isso. Sei pra onde eu fui, sei as escolhas que fiz. Mas não concordo quando falam ‘nos três últimos clubes’, isso é lamentável”, disse, após a vitória de virada no clássico Gre-Nal disputado no mês passado.

A citação aos “três últimos clubes” faz referência a Flamengo, Cruzeiro e Vasco. No rubro-negro, que o destino quis que reencontrasse justamente no momento que pode decidir o campeonato, Abel Braga chegou a conquistar um estadual. Mas uma série de declarações que envolveram elogios ao próprio Inter, e o trabalho multivitorioso de seu sucessor, Jorge Jesus, fizeram de Abelão um técnico ignorado pelos flamenguistas. Nas redes sociais, até hoje o técnico é tratado com extremo desdém pela maioria deles.

“Quando falam que fui mal no Cruzeiro e Vasco, concordo. No Flamengo, não concordo. Tudo que disputei, ganhei – Florida CUP, Estadual –, e classifiquei em primeiro na Libertadores”, recordou.

MUDANÇA INESPERADA

No Inter, Abel sucedeu ao argentino Eduardo Coudet, que saiu de forma intempestiva no início de novembro para ir treinar o Celta de Vigo. A mudança representou uma mexida grande no estilo de jogo. Saiu a marcação alta e sob pressão no ataque, entrou o time compacto defensivamente e que explora os erros dos adversários para matar os jogos nos contragolpes ou na bola aérea.

A crítica que se faz hoje a Abel Braga é que o Internacional não joga um futebol bonito. Em geral, tem menos posse de bola mesmo diante de adversários da ponta de baixo da tabela, e dificilmente se vê um jogo envolvente.

São raros, contudo, os que analisam o contexto que se apresenta para o técnico. O time colorado não tem nenhum jogador fora de série e joga no limite de sua capacidade técnica.

A grande virtude de Abel Braga é reconhecer o que tem à disposição e saber usar isso para vencer, não importa se jogando feio ou bonito. Nem ele, nem ninguém no clube, se importa com isso.

Afinal, nunca se questionou a forma como o treinador armou o time diante do poderoso Barcelona na final do Mundial de 2006. Mas todos lembram qual foi o resultado.

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