Wilton Junior / Estadão
Wilton Junior / Estadão

Abel Ferreira reconhece Luxemburgo, defende técnicos e festeja a 'glória eterna'

Treinador do Palmeiras também agradece à 'família' do clube e conta ter chorado de saudade dos parentes

Redação, Estadão Conteúdo

30 de janeiro de 2021 | 22h02

Abel Ferreira comemorou muito seu primeiro título com o Palmeiras. De cara, se tornou campeão da América. Feliz e muito sensato, o comandante português fez questão de reconhecer Vanderlei Luxemburgo, responsável por iniciar o trabalho no clube, pediu para os brasileiros valorizarem mais seus treinadores e, claro, comemorou a "glória eterna" elogiando o grupo.

Muitos palmeirenses colocam a conquista da América na conta do português. O comandante, contudo, faz questão de dividir os méritos e não admite ser o responsável maior. Foi o que destacou na entrevista coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre o Santos, neste sábado, no Maracanã.

"Quando chegamos, percebemos que havia muita matéria-prima, havia homens. Sem eles não se ganham títulos. De forma humilde, simples, eles agarraram a forma coletiva de jogar", elogiou o grupo um radiante Abel Ferreira. "Só o fato de ouvir a glória eterna é algo inacreditável. Aconteça o que acontecer, ou ficaremos na história ou seremos eternos. E hoje conseguimos a glória eterna", comemorou.

"Quero agradecer de forma especial ao Palmeiras e à família Palmeiras. Para toda regra há exceção e vou permitir quebrar essa regra de 24 horas! Subimos a montanha, estamos saboreando a paisagem, mas sabemos que temos que descer e tem mais coisas para conquistar", afirmou.

O português fez questão de elogiar seu antecessor, Luxemburgo, o responsável pela montagem da equipe campeã. "Ele começou esse trabalho, me entregou uma equipe em todas as competições. A verdade é essa", falou. "Tivemos que acreditar em jogadores, fazer um trabalho. Mas quem começou o trabalho foi ele".

Além de reconhecer o trabalho de Luxemburgo, ele ainda falou sobre Fernando Diniz, na sua visão, injustiçado por causa das excessivas cobranças à frente do São Paulo. "Vocês devem valorizar o que é de vocês. Vocês são bons no que fazem. Potência. Quando vejo o próprio Diniz, tem que ter mais paciência. Para se construir trabalhos é preciso tempo. Sei que queremos resultado de um dia pro outro, mas não é assim que funciona", enfatizou, usando-se como exemplo. "Tem de ter paciência comigo. Hoje estou ganhando, mas quando perder vão querer me mandar embora. A mesma coragem dos treinadores é a mesma coragem que os presidentes têm que ter", seguiu. "Tem que valorizar mais os seus treinadores, que são muito competentes."

Nem só de comemoração foi o dia de Abel Ferreira. No fim do jogo, ele deixou o campo, num misto de felicidade e saudades da família, que ficou toda em Portugal.  "Hoje sou muito melhor treinador, mas sou pior tio, pior irmão, pois deixei minha família lá. Vocês não sabem o quanto chorei sozinho de saudades. Chorei muito e sai do campo para ninguém me ver a chorar."

Antes de encerrar a coletiva, o treinador palmeirense foi vítima de seus comandados ao receber o tradicional banho de água gelada. Ruim, mas um sinônimo de conquistas que todos sonham.

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