Cesar Greco/SEP e Rodrigo Coca/SCCP
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Robson Morelli
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Abel e Vitor Pereira poderão mostrar um clássico animado entre Palmeiras e Corinthians nesta quinta

Treinadores compatriotas se enfrentam pela primeira vez no Brasil em um momento em que suas equipes mostram competência e partidas bem jogadas: corintianos formam um dos melhores meio de campo do futebol brasileiro

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 10h24

Abel Ferreira já teve desafios suficientes no futebol brasileiro para se provar um treinador competente. Das competições nacionais, passando pelas sul-americanas até chegar ao Mundial de Clubes. Ganhou e perdeu como qualquer outro técnico, mas fez do Palmeiras um time competitivo, que não 'amarela' diante de qualquer oponente, que tem um padrão de jogo e que pegou gosto por vitórias e conquistas. Não há altos e baixos. Há uma equipe regular, que não faz um futebol de encher os olhos em todas as partidas, mas que busca as jogadas ofensivas e os contra-ataques. Abel é um trabalhador e, como tal no futebol, refém de elogios e críticas.

Nesta quinta-feira, ele terá um de seus maiores desafios desde que chegou ao Brasil. Como ele mesmo disse sobre seus jogadores, ele também volta a campo para quebrar marcas. Se ganhar do Corinthians no Allianz Parque, poderá comemorar a trilogia dos clássicos paulistas de uma tacada só, com três vitórias, uma vez que já superou o São Paulo e o Santos, ambos por 1 a 0. Ocorre que o Corinthians é um bom time também, menos rodado, mas com jogadores acima da média técnica. 

O Palmeiras enfileirou clássicos na tabela por causa de sua escapadinha para o Mundial de Clubes da Fifa nos Emirados Árabes Unidos, seu grande projeto do primeiro semestre. E agora, o calendário honra o torcedor paulista com uma sequência de perder o fôlego. Dos três adversários, o Corinthians é o mais difícil deles. E não é por ser o último da fila. Abel sabe disso.

A rivalidade entre Palmeiras e Corinthians é a mais acirrada, dentro e fora de campo - tomara que ela fique somente dentro das quatro linhas, porque como todos sabem, os jogadores são amigos, festejam e saem juntos, enquanto os torcedores ainda se encontram para brigar na rua. O jogo, só para lembrar, terá apenas torcida do mandante. Um dia ainda vou rever clássicos com as duas torcidas. Essa rivalidade tem história e sempre terá, mesmo com o jogo não valendo nada na tabela do Paulistão.

Abel vai enfrentar um compatriota recém-chegado ao Brasil, mas com muito mais pegada e experiência do que ele quando desembarcou em São Paulo para assinar seu primeiro contrato com o Palmeiras. Vitor Pereira foi disputado por outros clubes por causa de suas credenciais mais pesadas. Mas ainda é um recém-chegado ao futebol brasileiro.

O Corinthians tem um dos melhores meio-campo do futebol nacional, com atacantes da mesma linha. Paulinho e Renato Augusto jogam o fino da bola, embora sem tanto vigor físico. Essa velocidade sobra em Willian e Mosquito, que deve ser titular e segurar um dos laterais do Palmeiras em seu campo. Ou os dois. O jogo vai ser, portanto, no meio de campo.

Willian atua em outra rotação, a mesma do futebol inglês. Não há outro como ele. O problema é não ter com quem conversar no time. Mosquito é veloz também, mas atua mais aberto e vai contrapor ao lado de William. Nessa construção, há um detalhe. Renato Augusto corre menos, mas faz a bola rolar com facilidade e inteligência. Tem bons acertos. Ele é o cara a ser parado. Se fizer isso, Abel perderá um marcador, que pode ser Zé Rafael ou mesmo Scarpa.

Róger Guedes, que faz a vez do tal camisa 9, dará trabalho a Gómez. Se o Corinthians não temer ou realizar uma partida de mais espera dentro do Allianz Parque, o jogo vai ser interessante. O Palmeiras pode provar de seu próprio veneno das jogadas em velocidade. Com a bola, tem em Dudu, Scarpa (se tiver fôlego) e Raphael Veiga suas principais armas. Rony é o velocista desajeitado no ataque. Na última partida, perdeu muitos gols. A defesa do Corinthians é boa, mas lenta. Abel deve tirar proveito disso, o que quer dizer que pode chamar o rival para seu campo a fim de abrir espaço para a correria. A torcida vai precisar ter calma.

Certamente, com 10 minutos de bola rolando, os dois treinadores já conseguirão fazer uma leitura mais realista do que está acontecendo em campo. Além do seu treinador, o Corinthians tem alguns jogadores capazes de arrumar a equipe com a bola rolando. No caso do Palmeiras, tudo parece estar mais nas mãos e pedidos de Abel. O jogo será às 20h30. A expectativa é grande dos dois lados.

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