Abel não aceitou dispensa de Felipe

O técnico Abel Braga não tem dúvida. Se Felipe tivesse permanecido no Fluminense, o desfecho de 2005 teria sido bem melhor para o clube. A crítica dele é endereçada à diretoria tricolor, que dispensou o jogador no meio da temporada sem consultar o treinador. ?É óbvio que ele fez falta. Achei a decisão de mandá-lo embora prematura?. Abel Braga foi além. ?A equipe ficou órfã e o Petkovic, sobrecarregado. Quem pagou o preço no final foi a instituição?. Um preço alto, por sinal. O Fluminense perdeu a vaga da Taça Libertadores para o Palmeiras na última rodada do Brasileiro. ?No momento em que mexi com o brio do Felipe, soube horas depois que ele havia sido demitido. Joguei o veneno e a direção deu o antídoto?. O treinador explicou hoje, em entrevista coletiva num restaurante da Barra da Tijuca, que o lado financeiro pesou em sua decisão de não renovar contrato com o clube das Laranjeiras. ?Meu salário é a metade dos salários dos treinadores que estão nas seis primeiras colocações do Brasileiro. O patrocinador queria que eu ficasse, mas não aceitava pagar o que eu pedia?. Abel Braga afirmou ainda que a idéia de deixar o Fluminense ocorreu há pelo menos 15 dias. ?Na ocasião, avisei aos dirigentes que eles já podiam traçar o perfil do treinador da próxima temporada?. Ele avaliou o trabalho como ?maravilhoso? e espera voltar a trabalhar no clube. ?Deixo as portas abertas para isso. O Fluminense me mostrou que ainda há seriedade e profissionalismo no futebol brasileiro?. Sobre a queda de rendimento da equipe no fim deste ano, ele tentou encontrar explicações para o fracasso. ?A eliminação da Copa Sul-Americana, para o Universidad do Chile, nos abalou. Não sei se a gente queria ser campeão, mas a cabeça de todos estava focada em enfrentar o Boca, na Argentina. Isso nos frustrou?. Abel Braga contou que, durante a temporada, recusou ?uma proposta alta? do Palmeiras, antes do técnico Emerson Leão ser contratado, e há um mês quase desembarcou em Santos. ?A diretoria santista me falou que eu não podia levar a comissão técnica. A negociação então não se concretizou?. A partir de agora, o treinador vai estudar duas propostas de clubes árabes: uma do Dubai e outra do All-Sadd, do Catar, time de Felipe. ?Ele é meu amigo e um jogador diferenciado?. Os elogios não ficaram restritos ao meia esquerda. ?O Petkovic é um fora de série. Era contra a contratação dele, mas me curvo a seu talento. Além disso, tem ótimo caráter, é companheiro e profissional. Ganhei outro amigo?. Falar sobre o elenco tricolor o emocionou. Ele se orgulhou da ousadia ofensiva da equipe durante a temporada, atuando dentro ou fora de casa. ?Nunca mudei a maneira de o time jogar. Aliás, não tinha preocupação com o adversário. Lembro que a gente terminava o jogo, se olhava e comentava: ?Que time bom é esse?. Dava gosto ver entrá-lo em campo?.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2005 | 17h50

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