Alexandre Vidal/Flamengo
Alexandre Vidal/Flamengo

Abismo financeiro: Flamengo vive realidade diferente de rivais cariocas

Clube rubro-negro acumula contratações milionárias, enquanto Botafogo, Fluminense e Vasco convivem com salários atrasados

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 04h30

Enquanto o Flamengo foi o clube com a segunda maior receita em 2018, atrás apenas do Palmeiras, a realidade dos outros times grandes do Rio de Janeiro é bem diferente. A agremiação rubro-negra nada de braçada no cenário carioca, muito à frente dos rivais Botafogo, Fluminense e Vasco. A condição mais delicada é a do Botafogo, que “caminha para uma situação de completa insolvência”, segundo a Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol de 2018 feita por especialistas da Itaú BBA.

O Botafogo é o clube com a maior dívida dos rivais do Rio, com R$ 672 milhões – aumento de R$ 18 milhões de 2017 para 2018. A receita total, por sua vez, caiu de R$ 201 milhões para R$ 170 milhões no mesmo período. “A dívida que o clube carrega é grande, incompatível com as receitas e a capacidade de geração de caixa (cerca de R$ 25 milhões) do time. Fica claro que o esforço para se tornar mais eficiente operacionalmente teria de ser maior do que já vem sendo feito”, diz o estudo.

As situações de Fluminense e Vasco estão mais equilibradas, apesar dos atraso de salários. O clube tricolor sofre com a dependência da venda de jogadores, fator fundamental para o crescimento de 19% de suas receitas de 2017 para 2018. Porém, o alerta é ligado para o fato de o Flu ter tido queda nos ganhos com publicidade (- 18%) e bilheteria e programa de sócio-torcedor (- 23%). “O clube se apoiou mais na venda de atletas para lidar com o ano de 2018. Sabemos que isso é uma política arriscada”, informa a análise.

No Vasco, o fato positivo é que houve aumento nas receitas. Também conseguiu diminuir a dívida de R$ 533 milhões para R$ 496 milhões, muito por causa do faturamento de R$ 86 milhões com venda de alguns jogadores. Em contrapartida, o clube de São Januário aumentou as despesas em 9% e os impostos cresceram em razão de novos parcelamentos no mercado. “É muita dívida para a capacidade de geração do clube”.

Os números negativos dos últimos anos do trio carioca acarretaram em outro problema nesta temporada. Botafogo, Fluminense e Vasco convivem com atrasos nos pagamentos de salários tanto de atletas quanto de outros funcionários. No Botafogo, por exemplo, os jogadores não dão mais entrevistas em forma de protesto contra a diretoria. No Vasco, funcionários realizaram greve na sede social no mês passado e tiveram reunião com o presidente Alexandre Campello. O Fluminense, por sua vez, vem quitando os débitos após ter visto um protesto emblemático no início do ano: o elenco se recusou a treinar em 19 de fevereiro.

Diferentemente dos rivais cariocas, o Flamengo tem ostentado em contratações neste ano. O último investimento foi com o meia Gerson, comprado por quase R$ 50 milhões da Roma (ITA). O clube arrecadou R$ 536 milhões em 2018 e tem as contas equilibradas. Consequentemente, foi o segundo time que mais gastou com reforços ano passado, com R$ 135 milhões, só atrás do Palmeiras.

O abismo financeiro entre Flamengo e os outros grandes do Rio é explicado pela gestão e pela capacidade de fazer receitas. A dívida vem caindo ano após ano. Fechou em R$ 418 milhões no fim de 2018. Segundo o estudo, “passou a ser compatível com a capacidade de pagamento do clube” rubro-negro. 

“O Flamengo entendeu lá atrás que era fundamental reorganizar a gestão para não quebrar, e os outros continuaram com suas gestões amadoras e não levaram a sério que o futebol precisa se profissionalizar. Hoje, é uma potência econômico-financeira”, diz o consultor da Itaú BBA, César Grafietti.

“Os outros clubes do Rio continuaram com seus dirigentes arcaicos e não entenderam que precisavam abrir mão de conquistas no curto prazo para ter sucesso a longo prazo. É o problema do clube político. O dirigente quer ser campeão, não pensa em arrumar a casa para o próximo. No Flamengo, foi diferente. O presidente (Eduardo Bandeira de Mello) sofreu críticas porque não ganhava nada. Mas o clube entrou em uma estrutura capaz de ganhar agora”, acresceta o consultor.

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