Abraji repudia agressões contra repórter após jogo

Abraji emite nota de repúdio aos atos violentos de policial que apontou uma arma para jornalista após jogo do Santos e Botafogo

Estadão Conteúdo

01 de dezembro de 2014 | 16h25

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu nota de repúdio, nesta segunda-feira, contra as agressões e ameaças sofridas pelo jornalista Bruno Cassucci, jornal LANCE!, na Vila Belmiro, em Santos (SP), após a partida entre a equipe santista e o Botafogo.

De acordo com o relato de Cassucci, um policial apontou-lhe uma arma, suas fotos de uma ação da Polícia Militar contra a Torcida Jovem do Santos foram apagadas e um oficial chegou a colocar uma bomba de efeito moral dentro de sua calça e chegou a ameaçar detoná-la.

"A Abraji considera a violência empregada contra o repórter, além de injustificada e inaceitável, um grave atentado à liberdade de expressão. O equipamento de um profissional da imprensa não deve ser alvo de confisco, tampouco seus registros devem ser comprometidos", diz a nota da entidade.

A Abraji segue o comunicado afirmando que "o episódio deste domingo é característico de contextos autoritários, em que revelar qualquer fato diverso do que o Estado pretende mostrar é considerado crime. O papel da Polícia Militar é proteger cidadãos e garantir à sociedade o direito de acesso a informações de interesse público."

O sindicato exige que o governo de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Militar identifiquem o mais rápido possível os responsáveis pelas agressões ao repórter e os punam com o rigor da lei. Os dois órgãos governamentais ainda não pronunciaram.

AGRESSÃO

Em um relato detalhado no Facebook, Bruno contou que ouviu barulho de briga em uma das ruas do entorno da Vila Belmiro e foi até lá. "A polícia invadiu a sede da organizada (Torcida Jovem do Santos) e era possível ouvir explosões e barulho de vidro estilhaçado. Um morador da vizinhança me chamou para dentro de sua casa. Fiquei pouco tempo ali e logo voltei para a rua, a fim de tentar entender - e consequentemente relatar - o que estava acontecendo", escreveu.

De acordo com o jornalista, um policial o mandou "sair vazado". "Voltei para a frente da casa na qual havia entrado e esperei as coisas se acalmarem. Já não se ouvia mais bombas ou disparos e decidi voltar para a frente da Sangue Jovem. Foi então que começou tudo. Estava tirando fotos com o celular quando um policial me viu e, com a arma apontada para mim, gritou para eu encostar na parede, com as mãos para o alto. Eu disse que era jornalista, mas isso parece não ter ajudado, pelo contrário."

Ainda segundo o relato de Bruno, ele foi revistado "com certa agressividade", quando a polícia identificou que ele estava "limpo". "Depois, o policial, já cercado por outros, pediu para eu abrir minha mochila, que também foi revistada. O passo seguinte foi tomar meu celular. O oficial pediu para eu desbloquear o aparelho e acessar as imagens. Ele então começou a apagar uma por uma. O procedimento durou uns cinco minutos, que pareceram eternos", escreveu.

"Enquanto ele fazia isso, uma outra autoridade pediu para eu não olhar para trás. Errei. Instintivamente, segundos depois eu acabei olhando para o celular e então fui agredido no rosto. Depois, a policial que havia me abordado antes, me disse que eu já tinha sido avisado. Eu novamente argumentei que estava ali trabalhando, e ela afirmou: ''Eu também estou e você não respeitou meu trabalho''. Até agora não sei qual foi meu desrespeito", continuou Bruno.

De acordo com o jornalista, depois disso veio a cena "mais aterrorizante". "Um PM aparentando muito nervosismo se colocou entre mim e a parede, pegou uma bomba de efeito moral, puxou minha calça e a colocou dentro. ''Você não é macho? Quero ver ser macho agora''. Como fiz durante todo o episódio, expliquei que era jornalista, pedi desculpas, o chamei de ''senhor''. Ele falou mais algumas coisas que não me lembro agora e saiu", completou Bruno.

O jornalista conta que, ao tentar identificar a policial que reclamou de desrespeito, ela ironizou: "Quer levar (a identificação) para casa? Tenho várias outras, pode levar". "Por fim, entreguei meu documento ao PM, que saiu e voltou instantes depois. Antes de ser liberado, ele me deu um recado, que começou com algo como ''sei que você vem sempre aqui e eu também venho''. Não lembro a continuação, mas tenho a impressão que se tratava de uma ameaça", completou Bruno.

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