Abranches nega conta irregular do Fla

Em depoimento à CPI do Futebol, o advogado e ex-presidente do Flamengo, Antônio Augusto Dunshee de Abranches, negou a existência de uma conta do clube nas Ilhas Caymann. O advogado afirmou, porém, que o time possui uma conta ? não registrada nos livros do clube ?, no Banco Bilbao Vizcaya, em Nova York. As duas horas do depoimento de Abranches aumentaram a desconfiança dos senadores, que estão em dúvida sobre o número de contas irregulares do Flamengo.A conta nas Ilhas Caymann foi apontada pelo relatório da empresa de auditoria Deloitte, contratada pelo próprio clube para auditar as suas contas. E afirma, inclusive, que ela deveria ser fechada imediatamente, pois sua existência era irregular. Dunshee de Abranches desqualificou o relatório. "Apesar de conceituada, a Deloitte não tem o dom da infalibilidade. O Flamengo nunca teve conta em paraíso fiscal".A versão do advogado é de que, após o título mundial conquistado pelo Flamengo em 1981, foi aberta uma conta em Nova York, para depositar os pagamentos recebidos nos amistosos do clube no exterior. Dunshee disse que, por duas vezes, foi oferecida uma premiação ao Flamengo em dinheiro vivo. A primeira teria sido após a final contra o Liverpool, em Tóquio, presente do presidente da Toyota no valor de US$ 300 mil pela conquista. A segunda vez foi em 1982, quando, por um amistoso na Jamaica, o clube teria recebido US$ 100 mil. "Essa conta em Nova York foi aberta ao arrepio da lei, pois sua abertura não consta no Banco Central", contestou o relator da CPI, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). "Eu tenho 35 anos de advocacia e não conheço nenhuma lei que obrigue a isso", rebateu o advogado. Dunshee disse que a única obrigação de comunicação deveria ser feita à Receita Federal, mas, mesmo assim, até 1997, os clubes de futebol eram isentos de declarações de imposto de renda. Contudo, um decreto-lei 9.025, de 27 de fevereiro de 1946, em seu artigo 10, afirma que toda a compensação privada de créditos ou de valores de qualquer natureza nestas contas deve ser comunicada. Nesse período, o clube vendeu o jogador Zico para a Udinese e há suspeitas de que os recursos tenham passado por essa conta no exterior, sem comunicação ao Banco Central. A abertura de conta também deveria ser informada ao Banco Central. No dia 10 de outubro, os senadores ouvirão novamente o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, para esclarecer esse episódio.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2001 | 19h19

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