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Abre o olho, Eduardo!

Técnico do Palmeiras volta a ficar sob observação, após a eliminação no Paulista

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 03h00

Havia um personagem em “A praça é Nossa”, vivido pelo saudoso humorista Clayton Silva, que dizia para Carlos Alberto Nóbrega: “Tô de olho no sinhô!” Era um alerta para mínimas derrapadas do apresentador do programa, e fazia o público rir. Pois o bordão pode, agora, ser adaptado para Eduardo Baptista, na véspera da visita do Palmeiras ao Peñarol, ainda pela fase de grupos da Taça Libertadores. 

O jogo é importante para o futuro do campeão brasileiro no torneio e, por tabela, para serenidade e continuidade o trabalho do técnico. Não há como ignorar que, após a desclassificação para a Ponte, no Paulistão, voltou a ficar sob pressão. O público divide-se em relação ao sucesso da aventura, a diretoria disfarça, ao se sair com o capcioso “o contrato será cumprido até o final”, versão delicada do fatídico “prestigiado” que antecede dispensas.

A tentativa frustrada de disputar o título estadual colocou em dúvida a capacidade de Eduardo administrar elenco variado e caro, assim como deixou pulga atrás da orelha de muita gente a respeito do “supertime” montado com dinheiro farto e com obrigação de ganhar tudo o que vier a disputar. 

O Palmeiras das duas partidas com a Ponte esteve aquém do que se espera. Na primeira comportou-se com passividade alarmante, como se estivesse anestesiado depois de ganhar do Peñarol na bacia das almas. Apatia que resultou nos 3 a 0 fatais. Na volta, sábado à noite, no Allianz, até criou algumas chances – no que era obrigação – e venceu por esquálido 1 a 0. Preocupante foi a pobreza na variação de jogadas. A equipe treinou uma semana com portões fechados para não apresentar lances ensaiados ou algo pudesse surpreender o adversário. Para piorar, apelou para dezenas de cruzamentos inúteis para a área, sinal de despreparo.

O peso da queda na competição doméstica será arrastado para o duelo desta noite com os uruguaios e, logo mais, para os clássico com o Inter pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Por mais que Eduardo e jogadores desconversem, tudo entra no balaio para avaliar o conjunto da obra, seja do treinador como igualmente dos atletas. 

Sobram cobranças – de Tchê Tchê (pela instabilidade) a Dudu (pelos pitis), até para Borja, que desembarcou como titular indiscutível, como a solução para os gols e para compensar a transferência de Gabriel Jesus para o City, da Inglaterra. O colombiano chegou todo prosa, carimbou as redes logo de cara, para cair num marasmo e securas angustiantes. E, como sinal de intranquilidade, reclamou em público ao ser substituído no sábado. Eduardo deu o troco, na entrevista coletiva após o jogo, ao admitir que entendia, a reação de alguém “contratado a peso de ouro” e que estava abaixo do esperado. Apoio do chefe em modo irônico...

A maneira para a comitiva palestrina regressar de Montevidéu com moral recuperada não se restringe a eventual resultado positivo – aí incluído empate. É preciso, sobretudo, jogar bem, o que não tem ocorrido na Libertadores, mesmo com perspectiva otimista de classificação.

Eduardo deu a entender que a escalação será semelhante àquela do fim de semana, com Michel Bastos na vaga do suspenso Dudu. Pode não mudar nomes, mas tem obrigação de modificar postura. O Palmeiras viu, na prática, que não é, ao menos por ora, um bicho-papão para assustar rivais. Deve fazer por merecer a fama, mas em campo. E Eduardo, não é por nada não, mas conhecendo como funcionam as coisas no clube, é bom abrir bem o olho!

RETIRO TRICOLOR

Rogério Ceni e rapaziada têm mais de duas semanas para refazer-se de eliminações e, principalmente, para repensarem estratégias para o Brasileiro. O São Paulo diminuiu o ímpeto no ataque e se mantém vulnerável na defesa.

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