Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Acabar para recomeçar

Termina o Brasileirão 2018 e muita coisa precisa ser repensada por clubes e CBF para o ano que vem

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 03h00

O fim do Brasileirão tem de ser comemorado pelos times que conseguiram seus objetivos na disputa, taça, vaga na Libertadores e pré, Sul-Americana, permanência na Série A. Os objetivos são diferentes e dependem muito do sonho e da condição técnica e financeira de cada um. Ao Palmeiras, por exemplo, só servia a conquista. Nada mais importava, como dizia Felipão sobre a sequência recorde de partidas sem perder. Talvez ao Corinthians a permanência na primeira divisão tenha sido um alento diante dos percalços da temporada. Ao São Paulo, a certeza da melhora em campo de um ano (2017) para outro (2018) deve ser levada em consideração, apesar da travada nos últimos passos. E, assim por diante, cada qual dentro das suas expectativas e realizações.

É hora também de se esticar no divã. Tropicamos em muitos problemas dos clubes e da arbitragem neste ano. E muitos também de organização. São problemas que não devemos deixar para trás ou empurrar para debaixo do tapete como sempre fazemos no recesso que se abre hoje.

O campeão brasileiro nos dá um exemplo de organização e montagem de elenco. Há pelo menos dois jogadores bons e confiáveis em cada posição. Em algumas há mais, mas isso se dá por causa do dinheiro fácil. Muricy Ramalho, a quem aprendi a respeitar faz tempo, já dizia isso. Bons grupos são aqueles que têm bons jogadores. Não me refiro aos excelentes. Felipão nos mostrou que é possível usar todos os atletas do elenco, de modo a colocar por terra o conceito de time titular e time reserva. Há um longo caminho ainda para que outros admitam e entendam essa concepção. Mas é fato que ela já nos pertence.

Temos, infelizmente, muitos exemplos na contramão da boa gestão. O Fluminense, por exemplo, demitiu seu técnico, Marcelo Oliveira, na semana de preparação da última rodada do Brasileirão. Sim, a que acabou ontem. Não se sabe se tomou a decisão por falta de sensibilidade ou de competência mesmo.

Os dirigentes demitiram um treinador por rodada numa demonstração de total falta de entendimento de suas próprias necessidades. De todos os envolvidos no futebol, é a parte mais inconsequente e despreparada. Administra olhando para a ponta do nariz, sem enxergar um palmo à sua frente. São de longe os maiores responsáveis pelo fracasso de seus times. Fazem muito mal a lição caseira do “gastar menos do que arrecadam” e sempre se colocam reféns de interesses e pressão que não são seus por origem do cargo. No bom português, poucos são preparados para comandar clubes centenários. Comandam, quase sempre, na emoção de uma vitória ou no dissabor de uma derrota.

Da mesma forma, a CBF encerra um ciclo de presidentes desonestos, comprovado pelas prisões, julgamentos e punições impostas pelos tribunais do futebol. O novo presidente assume em abril. Rogério Caboclo é da “família”, portanto, sabe o modus operandi da entidade. A CBF mostra-se ainda omissa das grandes discussões e decisões do futebol, anda por caminhos tortos e sempre de olho em seus próprios interesses. Desse modo, não deve surpreender ninguém em 2019.

A arbitragem é um capítulo único neste ano futebolístico que chega ao fim. Um capítulo trágico. O Campeonato Brasileiro trabalhou sem o VAR. Seus árbitros erraram muito. Tomaram decisões equivocadas. Viram o que não aconteceu e não viram jogadas reais. Não se provou desonestidade. Ficou mais do que comprovado a falta de competência. Clubes e CBF precisam se juntar a fim de melhorar isso. É imperativo que alguma decisão seja tomada nesse sentido. Todos sofreram com a má arbitragem.

Na carona para mudar o futebol brasileiro, deixá-lo melhor e mais atraente, é preciso trabalhar para segurar nossos jogadores, os bons e os não tão bons. Todos estão no mercado. Todos estão à venda. O torcedor precisa ir ao estádio em 2019 para ver bons jogos, bons jogadores e bons times. Precisamos ter responsabilidade e envolvimento, planejamento e transparência. Afinal, o futebol é de todos nós.

 

 

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