Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Acordo com BWA faz Aidar ser pressionado no São Paulo

Presidente é acusado de forçar acerto para ganhar comissão; ala de Juvenal tenta armar impeachment

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2015 | 07h00

Vai durar pouco a tranquilidade na política do São Paulo. Após o vazamento da intenção do presidente Carlos Miguel Aidar em entregar à BWA a administração e arrecadação  da bilheteria dos jogos do clube no Morumbi num período de dez anos em troca do pagamento da dívida do clube, hoje na casa dos R$160 milhões, conselheiros se indignaram com o presidente e mais uma vez ameaçam a tênue linha de paz que ronda o clube nos últimos meses.

A ideia já era conhecida há algum tempo no Conselho Deliberativo, mas a suspeita de que ele ou terceiros poderiam lucrar com comissões sobre a negociação acirrou os ânimos. "Ouvimos diversas manifestações de insatisfação com esses fatos", afirmou o presidente do Conselho, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que foi bastante procurado por pessoas querendo informações sobre a proposta e se Aidar de fato seria comissionado. O Estado conversou com conselheiros de diversas alas e constatou que de fato o clima é muito ruim.

O grupo liderado pelo ex-presidente Juvenal Juvêncio é o mais radical e fala até em derrubar Aidar. Os conselheiros alinhados a ele devem fazer os ataques mais duros na próxima reunião do Conselho, que acontecerá no dia 10 de fevereiro. Antigo aliado, Juvenal já protagonizou uma áspera discussão com o presidente no último encontro, quando veio à tona o contrato firmado com Cinira Maturana, namorada de Aidar, que garantia 20% de comissão sobre qualquer contrato de patrocínio com o clube.

Viabilizar o impeachment é tarefa complicada já que a medida precisa ser aprovada por 75% do Conselho. Juvenal articula com uma série de pares - incluindo o Clube da Fé, grupo político que lhe fez oposição na eleição e acabou se aliando a Aidar - para engrossar o coro.

Entre as acusações que serão feitas, a de quebra de decoro será a principal e será fundamentada no contrato feito às escuras com Cinira, vínculo rescindido após vir a público. "Não existe clima e nem sustentação jurídica para isso", rebate o vice Júlio Casares, que busca um discurso de conciliação. "Precisamos todos agir pensando na instituição". Se falhar na tentativa de impeachment, o grupo está confiante de que deixará o presidente extremamente fragilizado mesmo após antigos opositores terem sido levados a cargos na diretoria.

'ROSÁRIO DE TRAGÉDIAS'

A polêmica com a BWA não é a única razão para a insatisfação com Aidar. Embora receba elogios pela modernização da gestão - ele cortou cerca de 20% dos gastos do clube e contratou uma consultoria para melhorar o desempenho de todos os departamentos com o sistema de metas - e pela condução do departamento de futebol, não faltam polêmicas em sua administração.

"Carlos Miguel é um paradoxo ambulante. Moderniza o clube e dá declarações desastrosas. Quando ele abre a boca é um rosário de tragédias. Falou mal de todo mundo que é possível", reclamou um conselheiro antes alinhado ao presidente, mas que agora se diz "neutro". Segundo a fonte, existem "outros tantos colegas" com o mesmo pensamento.

Entre as muitas polêmicas em que se envolveu nos nove meses de gestão, o presidente afirmou que o Cruzeiro atrasava salários, associou o Napoli à máfia italiana e entrou em rota de colisão com a Penalty. Isso sem contar o contrato com a namorada e a atual negociação com a BWA. Ingredientes que podem resultar num coquetel explosivo a ser detonado no próximo dia 10.

Procurado pela reportagem, Carlos Miguel Aidar não quis falar sobre o acerto com a BWA.

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