Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP

Acusação contra Cristiano Ronaldo mexe com a bolsa

Ações da Juventus registram queda de 5,3% após alegações contra o jogador serem divulgadas pela imprensa

Jamil Chade / Genebra, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 05h00

Na última sexta, enquanto aumentava a repercussão da acusação de estupro supostamente cometido pelo astro do futebol Cristiano Ronaldo, investidores estavam de olho em outra dimensão do jogador: seu império de negócios e seu impacto nas bolsas de valores. Na Bolsa de Milão, as ações da Juventus registraram queda de 5,3% naquela mesma sexta, somando perda de mais de 18% desde o momento em que as alegações de abuso sexual contra uma jovem norte-americana em 2009 começaram a circular. 

O atacante português nega "veementemente" qualquer crime desta natureza e insiste que é sua fortuna que o tornou um alvo. Em Las Vegas, EUA, a polícia decidiu reabrir o caso. Mas, no universo atual do futebol em que a imagem representa lucros exorbitantes, a situação do craque passou a ser também um assunto comercial. 

De acordo com a revista Forbes, o jogador somou receita de US$ 108 milhões (R$ 415 milhões) em 2017. Desse montante, US$ 61 milhões (R$ 234 milhões) vieram de salários e prêmios, outros US$ 47 milhões (R$ 180 milhões) saíram de contratos comerciais. Hoje, CR7 é também marca de sapatos, perfumes e até de hotéis. 

Nas redes sociais, cada post do jogador lhe garante até US$ 400 mil (R$ 1,5 milhão) diante de seus 323 milhões de seguidores. Só o seguro de suas pernas é avaliado em US$ 144 milhões (R$ 554 milhões).

Ele é ainda o rosto de empresas como Nike, Herbalife, Tag Heuer e American Tourister. Mas assim como essas empresas estão dispostas a pagar milhões de dólares por ter o craque ao lado de suas marcas, as alegações de estupro, mesmo não confirmadas, já fazem seus executivos reagirem. A Nike, por exemplo, afirmou estar “profundamente preocupada” diante das alegações e indicou que vai "monitorar de perto a situação" de Ronaldo. A Electronic Arts, que tem CR7, como capa de seu EA Sports Fifa pelos próximos dois anos, optou por se pronunciar ao mercado. "Temos visto informações que detalham alegações contra Cristiano Ronaldo. Estamos monitorando a situação e esperamos de nossos atletas e embaixadores que tenham um comportamento que seja consistente com os valores da EA", dizia o informe. Mesmo entidades de caridade, como a Save the Children, mostram-se preocupadas. O atleta e a instituição trabalham juntos em projetos sociais. A Juve continua de mãos dadas ao seu principal astro.

 

 

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